Ebola: EUA alertam americanos a evitar Congo, Uganda e Sudão do Sul por surto; falta de testes atrasa combate
O departamento de estado dos EUA recomenda veementemente que os americanos não viajem para a República Democrática do Congo, Sudão do Sul ou Uganda por qualquer motivo e que reconsiderem viagens para Ruanda devido ao surto de ebola.
Nesta terça-feira (19), o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou estar “profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia” da doença no Congo, diante do avanço acelerado do surto no leste do país.
Ao todo, já foram registrados 513 casos suspeitos e 131 mortes relacionadas à doença, segundo o Ministério da Saúde congolês.
As autoridades ressaltam que parte das mortes ainda está sob investigação para confirmar se houve relação direta com o vírus, mas os números já representam um salto expressivo em relação ao balanço divulgado um dia antes, quando havia cerca de 300 casos suspeitos, destaca a agência Associated Press.
No domingo (17), a OMS declarou emergência de saúde pública de interesse internacional.
Entre os fatores que mais preocupam as autoridades estão:
o aparecimento de casos em áreas urbanas
a morte de profissionais de saúde
a intensa circulação de pessoas na região
a ausência de vacinas e tratamentos aprovados para a variante identificada no atual surto.
O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do ebola.
Falta de testes atrasa combate ao Ebola no Congo, diz funcionário da OMS
Seis toneladas de suprimentos médicos para combater o Ebola devem chegar à República Democrática do Congo nesta terça, mas a capacidade limitada de testagem está atrasando a resposta ao surto, disse uma autoridade da OMS, segundo a agência Reuters.
A OMS afirma que houve pelo menos 500 casos suspeitos e 130 mortes suspeitas por Ebola, que também se espalhou para a vizinha Uganda.
"Enviamos 12 toneladas de suprimentos. Outras seis toneladas chegarão hoje. Isso inclui equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde da linha de frente e amostras", disse Anne Ancia, representante da OMS na província de Ituri, na RDC.
Ancia disse que havia "grande incerteza" sobre a extensão e a escala do surto da cepa Bundibugyo do Ebola e que esforços estavam sendo feitos para aumentar a vigilância, a testagem e o rastreamento de contatos.
Ela disse que a testagem para a cepa Bundibugyo era limitada, com apenas seis testes possíveis por hora, e destacou que a escassez de financiamento está tendo um impacto enorme na capacidade da OMS de combater o Ebola.
Saída dos EUA da OMS reduziu drasticamente os gastos globais com saúde
Os Estados Unidos deixaram oficialmente a OMS em janeiro e, sob a presidência de Donald Trump, reduziram drasticamente os gastos globais com saúde, mas a cooperação com os EUA no combate ao surto está funcionando "muito, muito bem", disse Ancia.
"Entendemos que não podemos receber o financiamento, tudo bem, mas queremos continuar conversando, queremos continuar trocando informações e queremos colaborar", afirmou.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que recebeu apenas 34% dos US$ 1,4 bilhão solicitados para a República Democrática do Congo este ano, acrescentando que mais da metade veio de Washington.
Demora na detecção do vírus dificultou os esforços de contenção
Especialistas e trabalhadores humanitários afirmam que o vírus circulou sem ser identificado por semanas, o que dificultou os esforços de contenção.
A primeira morte ligada ao surto ocorreu em 24 de abril, em Bunia. O corpo da vítima foi levado para Mongbwalu, uma região de mineração com grande circulação de pessoas, o que pode ter contribuído para a disseminação da doença.
Após testes iniciais apresentarem resultado falso negativo para o tipo mais comum de ebola, o Zaire, a resposta sanitária também foi atrasada. Com isso, autoridades locais inicialmente descartaram a possibilidade de um novo surto da doença.
A confirmação oficial do ebola ocorreu apenas em 14 de maio, após a OMS ser alertada sobre dezenas de mortes em Mongbwalu, incluindo quatro profissionais de saúde.
Casos chegaram a Uganda
As autoridades confirmaram casos em Bunia, Goma, Butembo, Mongbwalu e Nyakunde. Uganda também registrou um caso e uma morte em pessoas que viajaram do Congo.
Um médico americano está entre os infectados em Bunia. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo, ele trabalhava em um hospital local quando apresentou sintomas da doença.
Doença viral rara, grave e frequentemente fatal
O ebola é uma doença viral rara, grave e frequentemente fatal. O vírus é transmitido pelo contato com fluidos corporais, como sangue, vômito e sêmen.
Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal e sangramentos inexplicáveis.
Durante grandes surtos anteriores, milhares de pessoas foram infectadas ao cuidar de parentes doentes ou durante rituais funerários com contato direto com os corpos das vítimas.FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/05/19/eua-alertam-americanos-a-evitar-congo-uganda-e-sudao-do-sul-por-surto-de-ebola.ghtml