Dólar opera em alta com investidores atentos ao conflito no Oriente Médio; Ibovespa
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera em alta na sessão desta terça-feira (10), avançando 0,21% por volta das 10h40, aos R$ 5,1751. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançava 0,01%, aos 181.715 pontos.
▶️ Os mercados globais mostram sinais de maior estabilidade após a tensão provocada pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. O movimento veio depois de o presidente Donald Trump afirmar que a guerra estaria “praticamente terminada” e sinalizar a possibilidade de flexibilizar sanções ligadas ao petróleo.
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▶️ Mesmo assim, ainda há incerteza sobre quando o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz será normalizado. A passagem é uma das principais rotas da commodity no mundo, o que mantém os mercados atentos e sujeitos a oscilações.
▶️ O petróleo registra queda nesta terça-feira depois de ter atingido, no dia anterior, os maiores níveis em mais de três anos. Por volta das 9h30, o Brent, referência internacional, registrava queda de 5,54%, sendo negociado a US$ 93,48 por barril nos contratos para entrega em maio. Já o petróleo WTI, referência nos EUA, recuava 4,91%, cotado a US$ 90,13 por barril nos contratos para abril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -1,52%;
Acumulado do mês: +0,59%;
Acumulado do ano: -5,91%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,86%;
Acumulado do mês: -4,17%;
Acumulado do ano: +12,28%.
Vai e vem do petróleo
Os preços do petróleo dispararam nos últimos dias e chegaram a subir até 30%, aproximando-se de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630). A forte alta ocorreu em meio às preocupações com a guerra no Oriente Médio, que entra na segunda semana sem qualquer sinal de trégua.
Parte dessa pressão nos preços vem dos ataques registrados nos últimos dias contra campos de petróleo no sul do Iraque e na região autônoma curda, no norte do país, o que levou à redução da produção.
Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait também diminuíram a produção após ataques iranianos contra seus territórios.
Ao longo do dia, no entanto, sinais de que os países do G7 estudam liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo e novas falas do presidente americano, Donald Trump, trouxeram alívio para os preços da commodity.
Em entrevista à rede de televisão CBS, o republicano afirmou que acredita que a guerra está "praticamente concluída" e destacou que os EUA estão "muito à frente" do prazo inicial estimado de 4 a 5 semanas na guerra.
Além disso, sinalizações de que o governo americano estaria avaliando uma possível redução das sanções sobre o petróleo russo também ajudam a explicar o vai e vem do petróleo nesta segunda-feira.
Isso porque um alívio das sanções poderia ajudar o mercado a suprir uma eventual redução na oferta por parte dos países envolvidos na guerra.
Ao final da sessão, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, teve queda de 0,71%, cotado a US$ 92,03. Já o WTI, dos EUA, caiu 3,53%, a US$ 87,69.
Agenda econômica
Boletim Focus
Os economistas do mercado financeiro mantiveram a previsão de inflação em 3,91% para 2026. Para 2027, a estimativa teve leve alta, passando de 3,79% para 3,80%.
Os dados fazem parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central (BC). O relatório reúne projeções de mais de 100 instituições financeiras consultadas na semana passada.
Depois de o Banco Central manter a taxa básica de juros em 15% ao ano no mês passado — o nível mais alto em quase duas décadas —, o mercado ainda acredita que os juros devem cair nos próximos anos.
Para o fim de 2026, a previsão para os juros subiu levemente, de 12% para 12,13% ao ano. Já para 2027, a estimativa foi mantida em 10,50% ao ano.
Em relação ao crescimento da economia, a expectativa para 2026 permaneceu estável. O mercado projeta uma expansão de 1,82% no Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede o desempenho da economia.
Os economistas também reduziram ligeiramente a previsão para o dólar no fim deste ano, de R$ 5,42 para R$ 5,41.
Para o encerramento de 2027, a projeção para a moeda americana foi mantida em R$ 5,50.
Mercados globais
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street conseguiram inverter o sinal negativo visto no início da sessão, conforme investidores avaliavam as novas falas de Trump e seguiam atentos aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
O Dow Jones subiu 0,50%, o S&P 500 teve alta de 0,83% e o Nasdaq Composite avançou 1,38%.
Já na Europa, temores sobre a inflação penalizaram os principais índices acionários da região, após o petróleo ter atingido o nível dos US$ 100 na primeira metade do pregão.
O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,63%, enquanto o CAC-40, de Paris, recuou 0,98% e o DAX, de Frankfurt perdeu 0,77%.
Na Ásia, as bolsas terminaram o dia em queda por causa do aumento das tensões no Irã, mas parte das perdas foi reduzida porque alguns investidores aproveitaram os preços mais baixos para comprar ações.
No fechamento, a região registrou recuos amplos: em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,35%, a 25.408 pontos. Em Xangai, o SSEC perdeu 0,67%, a 4.096 pontos, enquanto o CSI300 recuou 0,97%, a 4.615 pontos.
Em Tóquio, o Nikkei caiu 5,2%, para 52.728 pontos; em Seul, o KOSPI teve queda de 5,96%, a 5.251 pontos; e em Taiwan, o TAIEX registrou baixa de 4,43%, a 32.110 pontos.
Notas de dólar.
Murad Sezer/ Reuters
*Com informações da agência de notícias Reuters.