Dívida pública brasileira passa de R$ 9 trilhões após alta de mais de R$ 200 bilhões em um mês
31/07/2026
(Foto: Reprodução) Governo não consegue fechar contas no positivo, mesmo com recorde na arrecadação de impostos
A dívida pública brasileira cresceu mais de R$ 200 bilhões no último mês e ultrapassou a marca de R$ 9 trilhões. O aumento ocorre em um cenário em que as despesas do governo continuam maiores do que a arrecadação.
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A dívida pública reúne todo o endividamento do governo. Quando o dinheiro arrecadado com impostos não é suficiente para pagar as contas, o governo recorre a investidores e emite títulos do Tesouro Nacional para financiar despesas como salários do funcionalismo, Previdência, programas sociais e outros gastos obrigatórios.
Dados do Tesouro Nacional mostram que o crescimento da dívida vem acelerando nos últimos anos. Em maio, o valor atingiu R$ 9,03 trilhões.
Em junho, a dívida aumentou quase R$ 8 bilhões por dia, em média, chegando a R$ 9,27 trilhões.
A previsão do Tesouro Nacional é que o endividamento continue crescendo até o fim do ano e possa alcançar R$ 10,3 trilhões.
Juros também pressionam dívida
O pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rafael Barbosa explica que o aumento da dívida também é influenciado pelos juros pagos pelo governo para financiar o próprio endividamento.
“Quando você tem um aumento da dívida, pode ser por causa dos juros ou pode ser porque o governo está fazendo novos gastos, aumentando os gastos. Então, estruturalmente, ele gastou muito, aumentou muito a dívida. Mas nesse mês em particular, o que representou esse aumento da dívida foi mais a parte dos juros”, afirmou.
A dívida pública brasileira cresceu mais de R$ 200 bilhões no último mês.
Reprodução/Jornal Nacional
Para o professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Ecio de Farias Costa, a falta de controle sobre o crescimento das despesas pode aumentar o risco percebido pelos investidores.
“E o governo não fazendo o dever de casa para melhor conduzir esse aumento das despesas, ou seja, controlar, mas sem deixar faltar para a sociedade como um todo, isso faz com que o risco do país aumente. Ou seja, para se continuar endividando mais, você tem um risco mais alto e os investidores nacionais e internacionais só vão aceitar esse maior risco com prêmio. E o que é o prêmio? Taxas de juros cada vez mais altas para financiar esse endividamento”, disse.
Déficit nas contas públicas
O governo fechou o primeiro semestre com déficit de R$ 92 bilhões, o segundo pior resultado desde 1997. Só em junho, o rombo foi de R$ 48 bilhões.
O déficit ocorre quando as despesas são maiores do que as receitas obtidas com impostos.
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Para o professor do Insper Sérgio Firpo, o governo precisa revisar gastos para enfrentar o avanço da dívida pública.
“A parte de despesa discricionária, aquilo que o governo federal pode usar livremente, tem ficado cada vez menor e sendo comprimido ainda mais à medida que você pensa que dentro dessa parte discricionária tem as emendas parlamentares também. E aí tem uma série de medidas que a gente pode pensar, desde revisão de benefícios, desde reforma da Previdência, desde despesa com Previdência de militares, desde despesas com funcionalismo”, afirmou.