Delegado diz que autores de vídeos da trend 'caso ela diga não' podem responder por incitação ao crime
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Delegado diz que autores de vídeos que simulam violência contra mulheres podem responder por incitação ao crime
O delegado Flávio Rolim, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da Polícia Federal (PF), afirmou nesta terça-feira (10) que ao menos 20 vídeos com simulações de violência contra mulheres foram removidos de plataformas digitais após o início das investigações sobre a trend 'caso ela diga não'. Segundo ele, os autores desses conteúdos podem responder por incitação à violência.
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"A infração inicialmente investigada é a de incitação da prática de crime, mas esse é o ponto de partida investigação", afirmou o delegado em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews. O delegado afirma que a PF vai analisar todos os perfis e postagens de forma individualizada para compreender o contexto e a intenção do criador de conteúdo.
De acordo com ele, esses posts se inserem em um contexto maior e mais complexo. "O que estamos observando é que muitas vezes a atuação desses jovens se insere em um contexto muito maior e muito mais complexo. Nós falamos de atuação das bolhas que difundem o conteúdo misógino de pratica de crime, mas nós podemos ter no outro pólo jovens que cederam a essa incitação e efetivamente cometeram um crimes", disse.
Montagem mostra exemplos de vídeos da trend “treinando caso ela diga não”, em que criadores simulam reações violentas após rejeição a pedidos de namoro ou casamento
Reprodução/TikTok
Outro ponto de atenção levantado pelo delegado é em relação ao caso é a a ausência de tipificação específica de um crime no contexto de misoginia. "Há uma lacuna normativa, há uma lacuna jurídica, não há uma tipificação específica no ordenamento jurídico para a prática desse crime", pontuou.
Segundo o delegado, os vídeos identificados até o momento foram retirados do ar após notificação da PF às plataformas e os perfis estão sendo identificados. "A maioria são jovens homens do sexo masculino. Ainda não é possível precisar se efetivamente se tratam de adolescentes, mas é possível, até pela pelo conteúdo da imagem, visualizar que são em sua grande maioria jovens".
O Supremo Tribunal Federal entende desde o ano passado que as plataformas devem retirar o conteúdo que faz apologia à violência, sem necessidade de serem acionadas judicialmente. Em nota, o Tiktok disse que removeu os conteúdos assim que foram identificados.