Delegado de Roraima é denunciado pelo MP por desviar medicamentos apreendidos durante operação
12/06/2026
(Foto: Reprodução) Delegado Rick Silva e Silva, titular de delegacia de Rorainópolis, no Sul de Roraima, foi preso nesta terça (14).
Reprodução/Redes sociais
O Ministério Público de Roraima (MPRR) denunciou, nesta quinta-feira (11), o delegado da Polícia Civil Rick da Silva e Silva por peculato, falsidade ideológica, constrangimento de preso e interrogatório durante o período de repouso noturno. Ele é suspeito de desviar medicamentos apreendidos durante uma busca domiciliar em Rorainópolis, no Sul de Roraima.
De acordo com a denúncia, obtida pelo g1, os crimes ocorreram em 24 de março de 2025, em Rorainópolis, município onde Rick atuava como delegado. Esta é a segunda denúncia apresentada contra o delegado em uma semana.
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Em nota, a defesa do delegado disse que está ciente do oferecimento das denúncias pelo Ministério Público e acompanha os procedimentos com rigor técnico. Disse ainda que as acusações serão respondidas nos autos, no momento processual adequado, com a apresentação de todos os elementos necessários à demonstração da inocência do delegado.
"Reiteramos que denúncia não é condenação. A presunção de inocência é garantia constitucional e deve ser observada por todos. A defesa confia na justiça e que após o transcurso do devido processo legal, com garantia do devido contratório e a ampla defesa, tudo será esclarecido", ressaltou.
Segundo a denúncia, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa de um casal, o delegado encontrou medicamentos particulares, que não faziam parte da ordem judicial. Ainda conforme a denúncia, ele teria ficado com os produtos para benefício próprio.
Ainda conforme a denúncia, Rick teria determinado à escrivã que não registrasse os medicamentos no auto oficial de apreensão.
A denúncia também aponta que o delegado pressionou a mulher a prestar depoimento contra o marido ao afirmar que integrantes de uma facção criminosa haviam sido contratados para "atentar contra a vida" dos filhos do casal. Em troca de "entregar" o companheiro, ele prometeu proteção policial.
Ainda de acordo com a denúncia, depois que o homem exerceu o direito de permanecer em silêncio, o delegado o levou para uma sala separada e repetiu a ameaça sobre a vida dos filhos para tentar fazê-lo confessar o crime, prometendo uma viatura de prontidão na casa da família.
A denúncia afirma ainda que o homem foi submetido a um novo interrogatório por volta de 0h40. A prática é proibida pela legislação, salvo em situações específicas, como flagrante, que não se aplicariam ao caso.
Na quarta-feira (10), o MP já havia apresentado outra denúncia contra Rick da Silva por abuso de autoridade, constrangimento ilegal, falsidade ideológica e prevaricação. Ele é suspeito de usar o cargo de forma indevida e atuar fora da área de competência para investigar um suposto roubo na loja da sogra.
Preso em abril
Delegado de Rorainópolis é preso suspeito de interferir em caso de casal carbonizado
Rick da Silva e Silva foi preso no dia 14 de abril, suspeito de interferir nas investigações do assassinato do casal Edgar Silva Pereira, de 60 anos, e Rossana de Lima e Silva, de 49, encontrados carbonizados dentro de um carro em dezembro de 2025.
No fim de abril, a Justiça determinou o afastamento do delegado por 180 dias. Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou que ele transformou a delegacia de Rorainópolis em um "balcão de negócios".
Segundo o Ministério Público, Rick impedia a assistência da Defensoria Pública aos presos e os direcionava para uma advogada específica, dividindo o valor dos honorários com ela. Testemunhas confirmaram o esquema e relataram cobrança de propina em dinheiro vivo. Ele também usava o cargo para coagir colegas, criar dossiês falsos e relaxar flagrantes ilegalmente.
No caso do duplo homicídio do casal, que operava um esquema de agiotagem, o juiz responsável pelo afastamento de Rick destacou que ele é investigado por sabotar a cena do crime e ocultar provas que o vinculavam como devedor de uma das vítimas.
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