Delegado aponta erro médico em morte de menino de 3 anos picado por escorpião no interior de SP
11/08/2026
(Foto: Reprodução) Menino de 3 anos morre após ser picado por escorpião no interior de SP
O delegado Luís Henrique Lima Pereira, de Conchal (SP), apontou negligência médica no atendimento de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, que morreu após ser picado por um escorpião em março deste ano.
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O médico responsável pelo atendimento foi indiciado por homicídio culposo após a investigação apontar que protocolos para o atendimento da criança não foram seguidos.
“Era um caso de vaga zero, de acionar o Samu e encaminhar essa criança para lá. O médico adotou protocolos que acabou por burocratizar a transferência da criança e o quadro se tornou irreversível. Por conta disso, o médico foi indiciado nesse inquérito policial por homicídio culposo em decorrência da negligência médica que ficou constatada” afirmou o delegado.
O delegado pediu à Justiça uma medida cautelar proibindo o médico de atuar como plantonista e em serviços de urgência e emergência, como hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), até nova decisão judicial. O pedido ainda será analisado pelo Ministério Público e pela Justiça.
Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP)
Arquivo pessoal
Investigação
De acordo com o delegado, o inquérito da Polícia Civil reuniu protocolos da Vigilância Epidemiológica e do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), órgão que orienta profissionais de saúde em casos de acidentes com animais peçonhentos. O relatório final foi divulgado na segunda-feira (10).
A investigação apontou que, por ter menos de 10 anos e ter sofrido uma picada de escorpião, Bernardo deveria ter sido encaminhado imediatamente para um hospital de referência com soro antiescorpiônico. Em Conchal, a unidade de referência mais próxima seria a Santa Cas de Araras.
De acordo com o delegado, em um caso como esse, deveria ter sido adotado o procedimento de “vaga zero”, com acionamento direto do serviço de emergência para garantir o transporte imediato.
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Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP)
Arquivo pessoal
Erro médico
Segundo o delegado, o próprio médico que atendeu Bernardo teria identificado que se tratava de duas picadas de escorpião, mas a criança permaneceu em observação em Conchal, em vez de ser transferida imediatamente.
A investigação também apontou que, quando Bernardo apresentou piora clínica, a transferência teria sido feita de forma considerada inadequada pela polícia.
Ainda conforme Luís Henrique, o médico teria acionado apenas Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross ), sem contato direto com o hospital de referência ou com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para agilizar a transferência.
“O médico só ligou na regulação, não ligou no hospital e também não ligou diretamente para o Samu para que providenciasse esse encaminhamento imediato da criança", afirmou. n
Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP)
Arquivo pessoal
Para a investigação, a demora na transferência foi determinante para a evolução do quadro e se tornou irreversível.
Apontamento do IML
O delegado informou ainda que um parecer elaborado por médicos legistas do Intituto Médico Legal (IML) apontou erro médico relacionado à não observância do protocolo indicado para crianças vítimas de picada de escorpião.
“O próprio IML elaborou um parecer feito por médicos legistas, atestando que houve erro médico na não observância de um protocolo que deveria ter sido adotado em uma criança que sofreu picada de escorpião", informou.
Relembre o caso
O menino Bernardo foi picado quando brincava em casa na noite do dia 31 de março. Segundo a família, o filho deitou em um colchão que estava em pé ao lado de uma mesa. Ele começou a chorar e os pais ergueram o colchão e encontraram o animal peçonhento.
O pai, Paulo Mendes, matou o animal, o colocou em um pote e foi com o filho para o Hospital e Maternidade Madre Vannini. De acordo ele, durante a triagem o atendente recolheu o escorpião para mostrar para a equipe médica. Ele contou que o filho permaneceu por um tempo na sala de espera chorando e reclamando muito de dor.
Um dos médicos estava atendendo, enquanto o outro estava sem paciente na sala. Após uma madre presenciar a situação, ela pediu para que o profissional atendesse a criança. A aplicação de um soro para dor também demorou, segundo ele.
O pai questionou se era um soro para picada de escorpião e foi informado pelo profissional que só o soro só era disponibilizado em caso de necessidade, e que o filho ficaria em observação durante 6 horas. Bernardo vomitou cerca de 10 vezes em 20 minutos e também babava bastante.
A criança só foi receber o soro antiescorpiônico mais de 4 horas depois do acidente, segundo relato do pai. Bernardo foi picado na noite de terça (31), em Conchal (SP), e morreu na manhã de quarta (1º), após ser transferido pelo Samu para a Santa Casa de Araras.
Apesar de receber o soro antiescorpiônico e atendimento em Unidade de Pronto Atendimento (UTI em Araras, a criança não resistiu e faleceu devido a choque cardiogênico e efeito tóxico do veneno.
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