Delator do caso Master detalha pagamentos a fundo de 'Dark Horse' e revela uso de empresa nas Bahamas

  • 09/09/2026
(Foto: Reprodução)
O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, que assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmou que fez sete repasses, a título de "subscrições de cotas", para o fundo Havengate nos EUA, usado para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025, a mando de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Elas totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro de 2025, esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões. A subscrição de cotas é um processo em que um fundo emite novas cotas para aumentar seu patrimônio, recebendo aporte de investidores. Os valores foram pedidos a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência. "Entre o final de 2024 e início de 2025, Antonio Carlos foi contatado por Daniel Vorcaro, por WhatsApp, com a solicitação de envio de valores ao exterior por meio da subscrição de cotas desse fundo pela Entre Investimentos. Até esse momento, Antonio Carlos desconhecia o fundo em questão", afirmou o empresário, segundo o blog apurou. Agora no g1 "A solicitação inicial de Daniel Vorcaro foi para o envio de cerca de US$ 24 milhões, que seriam operacionalizados em mais de dez subscrições, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026", disse o empresário. No entanto, acabaram sendo feitas somente sete transações. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025. Flávio Bolsonaro vinha afirmando que o último pagamento de Vorcaro havia sido em maio de 2025. O pagamento de setembro, no valor de US$ 1,666 milhão, contraria essa afirmação. Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro Reprodução O acordo de delação do empresário foi firmado com a PGR em 8 de agosto e está sob análise do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Cabe a Mendonça decidir sobre a homologação do acordo. Antonio Carlos, conhecido como Mineiro, entregou às autoridades os comprovantes das transferências para pagamento das subscrições de cotas e os e-mails que trocou com o responsável pelo fundo Havengate, Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA. "No início de 2025, foi feito contato, por e-mail, com o gestor fiduciário do fundo, Paulo Calixto, para as formalizações necessárias, o que cumulou na assinatura de uma 'Letter of Agreement' [carta de compromisso] em janeiro de 2025, pela Entre Investimentos, prevendo mais de dez subscrições de cotas do Havengate Developmente Fund", disse o dono da Entre. "Um pouco antes de cada uma das demais subscrições previstas na 'Letter of Agreement', Daniel Vorcaro entrava em contato com Antonio Carlos, por WhatsApp, para que ele formalizasse a subscrição e fizesse o pagamento respectivo", relatou o empresário. Antonio Carlos afirmou que não tinha conhecimento do destino dos valores enviados ao fundo Havengate. A PF investiga se a totalidade do dinheiro foi usada no filme "Dark Horse", como afirma Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se uma parte foi destinadas para outros fins — como bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA. Dinheiro das Bahamas Antonio Carlos também afirmou em seu acordo de delação que fez outros pagamentos no exterior, a mando de Vorcaro, por meio de sua empresa Entre Investiments and Arbitrage Ltd. — sediada em Nassau, nas Bahamas. O empresário disse que, nesses casos, Vorcaro lhe enviava "invoices" (faturas) que deveriam ser pagas. Ele não detalhou quem eram os beneficiários desses pagamentos. A reportagem apurou que uma das linhas de investigação da PF é se recursos que estavam em paraísos fiscais, como as Bahamas, também foram enviados ao fundo Havengate ou pessoas relacionadas a ele. Procurado, o advogado do delator, Marco Petrelluzzi, disse que não vai comentar o caso devido ao segredo de Justiça. Detalhe do cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro com o ator Jim Caviezel. Divulgação via BBC A assessoria de Flávio Bolsonaro também foi questionada sobre os relatos do delator, e respondeu que as informações têm sido dadas pela produtora Go Up, que já apresentou as contas do filme. A Go Up contratou uma auditoria particular que afirmou, em junho deste ano, que as contas de "Dark Horse" estão regulares — mas não tornou públicos os documentos, como as notas fiscais dos gastos do filme. Segundo essa auditoria particular, o filme custou R$ 75 milhões e foi bancado pelo fundo Havengate.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/09/09/delator-do-caso-master-detalha-pagamentos-a-fundo-de-dark-horse.ghtml


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