Da coleta ao paciente: conheça histórias que mostram a jornada da doação de medula óssea
16/03/2026
(Foto: Reprodução) Cadastro de doadores de medula óssea cresce em Campinas
O número de doadores cadastrados no Hemocentro de Campinas para doação de medula óssea aumentou 8,12% em 2025. Em 2024, eram 7.136 cadastrados, quantidade que subiu para 7.716 no ano passado. Os dados são do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), base que reúne informações de doadores e possíveis receptores.
Apesar do crescimento, especialistas reforçam que ainda é preciso que mais gente procure o serviço para ampliar as chances de pacientes encontrarem um doador compatível — algo que continua difícil fora do núcleo familiar.
Enquanto os números avançam, histórias de quem doa e de quem depende da medula mostram, na prática, como funciona esse processo e o impacto que uma única doação pode ter - confira abaixo.
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Do Paraná a Campinas para doar a um desconhecido
A doadora Eduarda Drescher, de Maringá (PR), se cadastrou há cinco anos para doar a medula e recebeu a confirmação de compatibilidade agora. Ela veio até o Hospital de Clínicas da Unicamp para realizar o procedimento.
Antes da doação, Eduarda viveu uma semana de preparo no Hemocentro. Durante cinco dias, precisou ir diariamente até a unidade para tomar medicações que estimulam o corpo a produzir mais células-tronco, matéria-prima da doação.
Eduarda recebeu duas injeções de medicação por dia na barriga. Ela descreveu o período como de “ansiedade a mil”, mas também de gratidão: “Feliz de estar salvando uma vida”.
O procedimento não exige cirurgia. No dia da doação, uma máquina separou do sangue apenas as células necessárias e o restante retornou ao corpo da doadora. Segundo a equipe de enfermagem, entre 150 e 200 ml de sangue ficam circulando fora do corpo durante o processo, volume considerado seguro.
Eduarda Drescher, de Maringá (PR), doa medula óssea no Homocentro de Campinas
Reprodução/EPTV
"Nós precisamos processar um grande volume de sangue para retirar a quantidade de células que são necessárias para realizar o transplante. Então, por um braço, a máquina está extraindo o sangue, faz a separação das células de interesse. No outro braço, o sangue já está retornando para ela", explicou o enfermeiro Emerson Amaro.
A compatibilidade da medula de Eduarda foi identificada a partir de uma doação de sangue feita há cinco anos, em Maringá (PR), o que levou Eduarda à possibilidade de salvar a vida de outra pessoa.
O processo de doação
Segundo a Associação da Medula Óssea (Ameo), existem duas formas de fazer a doação:
Coleta direta da medula óssea, feita com seringa e uma agulha especial na região da bacia. A quantidade de medula retirada equivale a uma bolsa de sangue. O procedimento dura cerca de 60 minutos e não deixa cicatriz.
Coleta pela veia, feita pela máquina de aférese. O doador recebe um medicamento por cinco dias que estimula a multiplicação das células-tronco. Esse processo dura em média 4 horas.
Parte de processo para doação de medula óssea no Hemocentro da Unicamp
Reprodução/EPTV
Antes da doação acontecer, existe um trabalho técnico que determina quem pode ajudar cada paciente.
As amostras de sangue passam por diferentes etapas dentro da Unicamp: extração de DNA, análise em laboratório específico e definição do tipo genético exato de cada pessoa.
É nesse ponto que está o maior desafio. A biomédica responsável explica que a chance de compatibilidade entre pessoas que não são da mesma família é pequena. Cada combinação genética é única, e quanto mais cadastros existirem, maiores são as probabilidades de encontrar alguém compatível em qualquer lugar do mundo.
"O nosso irmão, a gente tem uma possibilidade de encontrar mais parecido, porque a gente veio dos mesmos genitores. Mas no caso da população é muito difícil a gente encontrar, porque a cada combinação de alelos a gente está gerando um novo indivíduo, uma nova característica genética", disse a biomédica Raquel Lopes.
Nova chance a partir de doação de um desconhecido no Canadá
David Fernandes recebeu a medula óssea de um doador do Canadá, com quem nunca teve contato.
Reprodução/EPTV
David Fernandes descobriu um tipo grave de leucemia em 2025. Ele iniciou tratamento com quimioterapia mas precisou do transplante de medula para ter uma chance de cura.
A notícia de que um doador compatível havia sido encontrado chegou poucos dias antes do aniversário de 23 anos do jovem. O doador é de outro país, o Canadá, e nunca teve contato com David.
"Apareceu uma pessoa de fora do Brasil, do nada, sabe? Como se fosse um milagre mesmo. É um um presente" , afirmou David.
Para a mãe de David, a confirmação foi como ver o filho “nascer de novo”.
"A medula pegou tranquilo, certinho, tudo indo bem. Você ser compatível com uma pessoa que você nunca viu, não é da sua família, você não sabe da pessoa, não sabe de onde ela é, é uma coisa divina mesmo", disse o rapaz.
Como doar?
Para se tornar doador (a) de medula óssea, é necessário procurar o Hemocentro da Unicamp, fazer um cadastro e doar uma pequena amostra de sangue.
Para mais informações, entre em contato com o Hemocentro pelo telefone 0800 722 8432.
Hemocentro da Unicamp, no campus de Campinas
Reprodução EPTV
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