'Criminalização da cultura', 'retrocesso': como entidades do carnaval avaliam proposta de restringir crianças na folia de BH

  • 05/02/2026
(Foto: Reprodução)
Carnaval 2024 em BH: multidão durante cortejo da Corte Devassa Douglas Magno Os blocos de rua e carnavalescos de Belo Horizonte se manifestaram contra o projeto de lei que foi aprovado em 1º turno na Câmara de BH e prevê restrições à presença de crianças no carnaval e em eventos ligados à comunidade LGBTQIA+. (entenda o projeto mais abaixo). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp A proposta, que ainda precisa ser votada em 2º turno para, então, ser encaminhada para sanção do prefeito Álvaro Damião proíbe a presença de crianças em eventos carnavalescos, artísticos, culturais, LGBTQIA+ e outros que "apresentem exposição de nudez ou conteúdo inapropriado para menores de idade". O g1 conversou com representantes dos blocos da capital mineira. Para os organizadores, a proposta é discriminatória e pode limitar manifestações culturais tradicionais. Presidente de associação fala em 'retrocesso' Alexandre Cavanellas, presidente da Associação Cultural dos Blocos Caricatos de BH, disse que o carnaval é um espaço organizado e que a medida de excluir as crianças é um retrocesso cultural. "A exclusão da infância desses espaços representa um retrocesso cultural, além de contrariar princípios de inclusão, educação e valorização da cultura popular. Reiteramos que proibir não é proteger", afirma. "A proteção da infância se dá por meio de políticas públicas de orientação, estrutura, fiscalização adequada e diálogo com os agentes culturais, e não por medidas generalistas que fragilizam manifestações históricas e legítimas." 'Criminalização' da expressão cultural Para o Dudu Nicácio, compositor e fundador do bloco Fera Neném BH, voltado para o público infantil, caso o projeto seja aprovado eventuais consequências podem afetar os blocos enfraquecer o movimento cultural. "O projeto pode inviabilizar blocos de rua da cidade, incluindo os infantis e familiares, enfraquecer o carnaval de rua como manifestação plural e gerar insegurança jurídica para organizadores e famílias. Para ele, a proposta é parte de um tipo de política restritiva e excludente. "Há uma preocupação maior: projetos como esse podem representar a ponta de um iceberg de políticas restritivas e excludentes, que avançam sem consulta às partes diretamente envolvidas e abrem caminho para a criminalização da expressão cultural e da vivência pública da cidade", destacou. TV Globo é a emissora oficial do Carnaval de BH Fomento à violência' contra pessoas LGBTQIA+ Maicon Chaves, presidente do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais (Cellos-MG), avaliou a proposta como grave e afirma o receio do aumento de violência contra as pessoas LGBTQIA+. "Esse tipo de narrativa só faz aumentar o alto índice de violência contra a população LGBTQIA+, como se os nossos corpos fossem corpos extremamente erotizados e criminalizados. Aliás, como se fossem, não, mas de uma forma que criminaliza os nossos corpos. E, é esse tipo de discurso que fomenta a violência que vai até a nossa morte. É muito grave que isso possa acontecer nas câmaras legislativas sob o véu da imunidade parlamentar", disse. LEIA TAMBÉM: Câmara de BH avança na restrição de crianças no carnaval e eventos LGBTQIA+ Blocos de rua de BH: veja programação do carnaval com mapa interativo por dia, horário e local Vídeos mais vistos no g1 Minas:

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/carnaval/2026/noticia/2026/02/05/criminalizacao-da-cultura-retrocesso-como-entidades-do-carnaval-avaliam-proposta-de-restringir-criancas-na-folia-de-bh.ghtml


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