Conppac diz que vai acionar Ministério Público após problemas na Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto
06/01/2026
(Foto: Reprodução) Após alagamentos e paralelepípedos soltos na Avenida Nove de Julho, Conppac vai acionar MP
O Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural (Conppac) de Ribeirão Preto (SP) pretende recorrer ao Ministério Público para que seja aberto um processo de improbidade administrativa contra o ex-prefeito Duarte Nogueira e ex-secretários que atuaram na gestão passada por conta das obras de revitalização da Avenida Nove de Julho.
De acordo com o presidente do conselho, Lucas Gabriel Pereira, houve falha na elaboração do projeto e "era questão de tempo" para que os problemas começassem a aparecer.
"O dano é evidente, o dano salta aos olhos. A água não tem pra onde ir, ela fica ali na [avenida] Nove de Julho e acontece o que nós estamos vendo. Com base em qual estudo técnico, qual parecer técnico eles fizeram esse projeto? Não tem estudo. Eles não foram a Ouro Preto, não foram em Recife, Paraty para descobrir como eles fazem para poder se basear".
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Dez meses após a entrega das obras, a via voltou a registrar problemas com paralelepípedos soltos e passou a ser alvo de reclamações de motoristas. A chuva registrada na tarde de sexta-feira (2) provocou alagamentos em trechos recém-inaugurados.
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À EPTV, afiliada da TV Globo, Lucas disse que na época que a obra foi licitada, o Conppac não tinha como bloquear o processo por falta de quórum e, por isso, os trâmites seguiram normalmente.
O secretário de Obras, Walter Telli, disse que a prefeitura deve entrar com uma ação na Justiça contra a empresa responsável pelas obras de revitalização, a Era-Técnica Engenharia Construções e Serviços Ltda.
A EPTV procurou a empresa, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Paralelepípedos na Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto (SP), estão se soltando
Reprodução/EPTV
Procurado pela EPTV, o ex-prefeito informou, por meio de nota, que as obras na Avenida Nove de Julho foram iniciadas com projetos técnicos elaborados por equipes especializadas, devidamente aprovados e acompanhados conforme a legislação vigente.
"A conclusão da obra ocorreu já com responsabilidade da atual administração, que assumiu a condução final dos serviços, os ajustes executivos, a fiscalização e a entrega para a população. Eventuais problemas estruturais ou vícios construtivos devem ser analisados considerando quem era o responsável administrativo no momento da finalização e da aceitação da obra".
O ex-prefeito ainda disse que a gestão dele sempre atuou com responsabilidade, transparência e respeito aos recursos públicos e que mantém a documentação à disposição dos órgãos de controle.
A reportagem também entrou em contato com a atual gestão, do prefeito Ricardo Silva (PSD), que informou, também por meio de nota, que vai notificar a empresa responsável para corrigir os problemas, uma vez que a obra está no prazo de garantia de cinco anos.
"A obra foi licitada, contratada e iniciada pela gestão anterior, apresentando desde o começo falhas técnicas e vícios no processo licitatório. Trata de uma intervenção que permaneceu paralisada por anos, gerando diversos prejuízos e que coube ao atual governo assumir a responsabilidade de concluir o que foi deixado incompleto e diante dos problemas identificados, vai notificar a empresa responsável para corrigi-los".
Desnível na Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto (SP), dificulta vida de motoristas
Reprodução/EPTV
Avenida foi um dos principais corredores econômicos da cidade
A avenida foi liberada em março do ano passado, após um ano e nove meses de obras custaram R$ 32,4 milhões, cerca de R$ 1,4 milhão a mais do que o valor orçado inicialmente.
A via foi projetada na década de 1920 na gestão do prefeito João Rodrigues Guião. Originalmente chamada Avenida Independência, foi rebatizada em 1934 por causa da Revolução Constitucionalista.
O trecho entre as ruas Barão do Amazonas e Cerqueira César foi o primeiro a receber os blocos de basalto, em 1949. Naquela época, foram plantadas 40 sibipirunas que ainda sobrevivem.
Por décadas, a via foi um dos principais corredores econômicos da cidade, com bancos nacionais e internacionais, lojas de diferentes segmentos, bares e restaurantes, além de endereço de famílias da elite.
Avenida Nove de Julho na década de 1940 em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/EPTV
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