'Com o que eu ganho não dá para sobreviver': quase um quarto dos idosos está endividado no RS, aponta Serasa
08/02/2026
(Foto: Reprodução) Quase um quarto dos idosos está endividado no RS
Aposentados e pensionistas no Rio Grande do Sul enfrentam um cenário de crescente endividamento. Com rendas consideradas insuficientes para as despesas mensais, muitos recorrem a empréstimos consignados e outras linhas de crédito para cobrir gastos básicos, como moradia e alimentação.
Dados do Serasa indicam que 23% dos gaúchos com mais de 60 anos estão endividados. A situação é confirmada por relatos de quem busca crédito para fechar as contas.
📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp
"Vim atrás do empréstimo. Mora minha filha e meu neto e a gente mora de aluguel. Tem que ajudar na casa, senão não dá para viver, com esse salário bem pequeninho", conta a aposentada Sandra Terezinha Peixoto.
A dificuldade é compartilhada por outros.
"Eu preciso de um empréstimo para pagar minhas dívidas. O que eu ganho não dá", afirma Geneci dos Santos.
Já Ronald Godoy descreve um ciclo vicioso.
"Entrou teu salário e já vem descontado tudo. Eu trabalho com cheque especial sempre do banco, porque não tenho outro jeito. Me sobra trezentos reais para o mês inteiro", relata.
Para complementar a renda, alguns buscam trabalhos informais.
"Fazendo algum biscatezinho, uma capina, um corte de grama, alguma coisa. Arrumando um dinheirinho para conseguir sobreviver, senão não dá", diz Vilson Luiz da Silva.
Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), até 31 de dezembro, foram liberados R$ 800 milhões em empréstimos consignados no estado. Um representante do órgão explica que essa modalidade é "infinitamente mais em conta do que qualquer linha tradicional", mas alerta para um risco.
"Muitas vezes o próprio familiar recorre do seu aposentado em casa para poder fazer o seu empréstimo. O que mais preocupa é a violência financeira", pontua.
A defensora pública Bibiana Veríssimo Bernardes explica que, em muitos casos, os aposentados são os únicos com renda fixa na família, o que aumenta a pressão financeira.
"As pessoas acabam usando seus benefícios para pagar despesas básicas, como alimentação, medicação e moradia, e esse valor não é suficiente", destaca.
A Defensoria Pública identificou três perfis principais de endividamento entre essas pessoas
Arte/RBS TV
A Defensoria Pública identificou três perfis principais de endividamento entre essas pessoas:
Perfil 1: Vítimas de golpes ou de descontos não autorizados em seus benefícios.
Perfil 2: Pessoas que contrataram empréstimos com juros considerados abusivos.
Perfil 3: Superendividados, que já têm a maior parte da renda comprometida e não conseguem arcar com os custos para sobreviver.
Para os superendividados, a defensora aponta uma solução.
"Chamamos todos os credores para repactuar as dívidas e fazemos um plano de pagamento de até cinco anos. A lei do superendividamento está aí para isso e a Defensoria Pública pode auxiliar", afirma Bibiana.
José Pedro Kuhn, presidente da Federação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do RS (Fetapergs), critica a falta de apoio.
"Não existe uma política e não existem programas de esclarecimento, de orientação do próprio aposentado. O aposentado tem que ser preparado para se aposentar", defende.
A frustração com a realidade da aposentadoria é resumida por Geneci.
"Achei que agora, com 65 anos, ia descansar, não ia precisar correr tanto. Mas foi pior. Tu vai no mercado e não consegue comprar nada. Com o que eu ganho não dá para sobreviver", desabafa.
Quase um quarto dos idosos está endividado no RS, aponta Serasa
Reprodução/RBS TV
VÍDEOS: Tudo sobre o RS