Classe C cresce, classe B encolhe e topo da renda avança: pesquisa aponta ‘gangorra social’ na região de Campinas
15/05/2026
(Foto: Reprodução) Imagem aérea de Campinas na região do centro
Reprodução/EPTV
Uma pesquisa do IPC Maps, que mede o potencial de consumo das famílias, aponta um movimento desigual na Região Metropolitana de Campinas (RMC) em 2026. Enquanto a classe C cresce pressionada pelo custo de vida, a classe A também avança, impulsionada por oportunidades concentradas no topo da renda.
Segundo o levantamento, a classe B perdeu representatividade na RMC, com o total de domicílios dessa faixa de renda caindo de 30,9% para 27,4%.
De acordo com o economista Eli Borochovicius, da PUC-Campinas, essa variação é explicada por um cenário marcado pela pressão do custo de vida e da desigualdade na evolução da renda.
Com 52,1% do total de famílias, a classe C continua sendo a predominante na RMC, com renda domiciliar média entre R$ 2,5 mil e R$ 4,5 mil.
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Borochovicius aponta que o crescimento desse grupo está diretamente relacionado à dificuldade das famílias em acompanhar o aumento dos preços, especialmente de itens essenciais como alimentos, combustíveis e medicamentos, além do impacto dos juros mais altos.
O economista pontua que muitos trabalhadores até mantiveram emprego e renda, mas não conseguiram ampliar o poder de compra na mesma proporção da inflação.
Ele explica que o perfil econômico da região de Campinas é fortemente baseado no setor de serviços, como educação, saúde, comércio, tecnologia e logística.
Embora esses segmentos gerem grande número de empregos formais, a remuneração média é considerada relativamente baixa, o que limita o avanço da renda, especialmente diante de um custo de vida mais alto do que em cidades menores do interior.
E a classe A?
Os dados do IPC Maps mostram uma ampliação de domicílios de famílias da chamada classe A, cujo orçamento mensal é superior a R$ 28,3 mil.
"Esse crescimento indica que uma parcela mais restrita da população conseguiu aumentar renda e patrimônio, possivelmente impulsionada por oportunidades em setores de maior valor agregado, como tecnologia, saúde privada e cargos de liderança", explica o economista.
Para Eli Borochovicius, as variações dos números de domicílios entre essas classes sociais são explicáveis dentro do atual contexto econômico, em que a base da população enfrenta maior dificuldade para avançar, enquanto o topo consegue se beneficiar de oportunidades mais concentradas.
Variações nas classes sociais
Segundo o IPC Maps, o total de domicílios na Região Metropolitana de Campinas em 2026 é de 1.196.313, o que representa um aumento de 1% em relação ao ano anterior (1.183.777).
Veja as variações do total de domicílios:
Classe A: saiu de 56.921 (2025) para 66.930 domicílios em 2026, o que representa 17,5%;
Classe B: reduziu de 365.200 (2025) para 328.295 domicílios em 2026, e a participação nos domicílios urbanos caiu de 30,9% para 27,4%;
Classe C: tem o maior número absoluto de domicílios urbanos. Teve crescimento de 587.070 para 623.097 domicílios em um ano (6,1%), e a participação no percentual no total urbano cresceu de 49,6% para 52,1%.
Classe D/E: aumentou de 174.586 para 177.991 domicílios urbanos, e a participação percentual cresceu de 14,7% para 14,9%.
Classe econômica pelo IPC-Maps - renda média domiciliar/mês
A - R$ 28.331,76
B1 - R$ 13.636,18
B2 - R$ 7.874,72
C1 - R$ 4.526,88
C2 - R$ 2.648,30
D/E - R$ 1.177,55
Potencial de consumo
A classe A não é o grupo com a maior fatia do consumo projetado na RMC, mas é o que teve o maior salto na comparação com os gastos de 2025 - alta de 28,8%. A classe B segue sendo responsável pela maior movimentação financeira (R$ 80,7 bilhões).
A classe C, que havia registrado aumento expressivo em 2025, teve um ligeiro crescimento no valor total (2,5%), mas com o aumento do número de domicílios, o potencial de consumo recuou na comparação com 2025.
Moradia, alimentação, veículos próprios
Considerando toda a RMC, o potencial de consumo urbano segundo o IPC Maps aumentou 11,7% entre 2025 e 2026, pulando de R$ 172,1 bilhões para R$ 192,4 bilhões.
Entre as categorias analisadas, moradia, veículo próprio e alimentação (no domicílio e fora de casa) concentram os maiores consumos das famílias.
Veja os 10 mais:
Habitação: R$ 52.590.633.348
Veículo próprio: R$ 21.516.538.698
Alimentação no domicílio: R$ 15.368.381.444
Materiais de construção: R$ 7.910.145.282
Plano de saúde/Tratamento médico e dentário: R$ 7.672.552.819
Alimentação fora do domicílio: R$ 7.669.303.053
Educação: R$ 6.696.727.460
Medicamentos: R$ 5.822.989.025
Higiene e Cuidados pessoais: R$ 5.309.373.652
Vestuário confeccionado: R$ 3.898.631.181
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