Ciro Gomes diz que decidirá em maio se vai disputar a Presidência ou o governo do Ceará
25/04/2026
(Foto: Reprodução) Ciro Gomes discursa durante evento com pré-candidatos do PSDB em São Paulo
Divulgação/Carla Fiamini
O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) afirmou neste sábado (25) que vai decidir até meados de maio se será candidato à Presidência da República em 2026 ou se disputará o governo do Ceará. A declaração foi feita em São Paulo, antes dele participar de um evento que reuniu pré-candidatos de seu partido ao Legislativo.
Em sua primeira agenda pública desde que foi convidado a encabeçar a chapa presidencial do PSDB por Aécio Neves, presidente nacional da legenda, Ciro relatou cansaço com a política nacional e disse que só considera a possibilidade diante da gravidade do cenário econômico e institucional do país.
"Eu quis muito [a Presidência], mas não consegui. E na última eleição eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que negou a mim o próprio direito de participar, uma coisa constrangedora. E eu, se tivesse juízo mesmo, não chegaria mais perto dessa quadra política fascista de lado a lado nem para dar parabéns nem para dar os pêsames", disse a jornalistas antes de subir no palco.
Ciro Gomes assina ficha de filiação ao PSDB
Ciro já tentou ser presidente em quatro eleições e teve o seu pior desempenho em 2022, quando ficou em quarto lugar pelo PDT, com cerca de 3% dos votos válidos. Ainda assim, disse estar obrigado, "por respeito" ao PSDB, a refletir sobre o convite. "Eu me obrigo, por respeito, a pensar e amadurecer o assunto, e devo no fim da primeira quinzena de maio tomar essa decisão", afirmou.
Segundo ele, o país vive um colapso das finanças familiares e empresariais, com recordes de endividamento, recuperações judiciais e inadimplência. "Nunca houve nada parecido antes", afirmou, ao citar dados sobre famílias negativadas e empresas com dificuldades financeiras. Ciro também criticou o crescimento da dívida pública e o patamar dos juros. "Nossa sociedade hoje está sob o pior juro do planeta Terra", disse.
Embora a indefinição envolva também o governo do Ceará, o discurso de Ciro foi majoritariamente nacional. Ele classificou a atualidade como o "pior momento histórico, sob ponto de vida estrutural, da nossa vida republicana" e defendeu uma ruptura com o atual modelo. "O Brasil precisa de uma alternativa. Agora, eu não sei se sou eu, porque eu cansei, perdi a crença nas mediações brasileiras", afirmou.
Ciro Gomes posa ao lado de correligionários durante evento do PSDB em São Paulo
Divulgação/Carla Fiamini
O ex-ministro atacou ainda o que considera uma falsa polarização entre os dois principais campos políticos do país. "Que polarização é essa em que os dois defendem a mesma política econômica?", questionou, citando suposta convergência entre PT e PL no modelo do tripé econômico (câmbio flutuante, superávit primário, meta de inflação), na política de paridade de preços internacionais da Petrobras e na autonomia do Banco Central. Ele também cobrou propostas sobre as chamadas terras raras, que chamou de "petróleo do século 21".
A possibilidade de uma candidatura ao governo do Ceará segue em aberto. Ciro disse que, após a eleição de 2022, voltou ao estado e encontrou uma realidade que classificou como preocupante. "Eu encontro o Ceará em estado de entrega absoluta às facções criminosas, o crime organizado irradiando-se para a própria estrutura política", afirmou, citando casos recentes de prefeitos cassados e eleições anuladas por ligações com organizações criminosas.
Ele contou que resistiu inicialmente à ideia de disputar o governo estadual, mas disse ter sido pressionado por aliados e eleitores. Segundo Ciro, existe no Ceará um ambiente que permitiria a construção de um projeto comum, mesmo entre forças que divergem no plano nacional.