Cesáreas sem anestesia e parto em casa: 'tinha que ter muita coragem', contam as primeiras mães de Brasília

  • 10/05/2026
(Foto: Reprodução)
Cesáreas sem anestesia e parto em casa: 'tinha que ter muita coragem', contam as primeiras mães de Brasília Arquivo público do DF/Reprodução "Eu vi Brasília nascer, crescer. Vi a adolescência, a juventude e depois tudo se transformando em mulher. Eu vi toda a gestação e, hoje, vejo esse progresso imenso, essa maravilha. Se fosse pra começar tudo de novo, eu viria, com todo o sofrimento que eu passei.” ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Wanda Corso, professora e líder comunitária, chegou a Brasília em 1957. Assim como ela, que acompanhou o nascimento da capital, muitas mulheres que chegaram na época da construção da cidade tiveram seus filhos do mesmo modo que Wanda, e deram à luz à primeira geração brasiliense. A historiadora e pesquisadora de gênero Tânia Fontenelle conta que Brasília era um ambiente muito precário antes de sua inauguração. Todos viviam em acampamentos, não havia água ou luz e existia somente um hospital de madeira, sem muita infraestrutura. "Ter filhos já é naturalmente um pouco mais difícil, até no dia de hoje. Mas naquela época, era muito mais difícil. Então, eu acho que são mulheres, mães, muito corajosas", exaltou ela. Tânia entrevistou 50 mulheres que chegaram à capital entre 1957 e 1960 para produzir o documentário "Poiera e Batom'. Tânia Fontenele, historiadora e criadora do documentário 'Poeira e Batom' Divulgação/ Arquivo pessoal Cesárea sem anestesia Luiza de Souza veio do Maranhão para a capital em 1959. Ela deixou seus filhos aos cuidados de uma senhora e saiu para encontrar seu marido que já trabalhava em Brasília há um ano. Luiza de Souza, maranhense que chegou a Brasília em 1959 Reprodução/ Documentário Poeira e Batom Ela desenvolveu habilidades como cozinheira e lavadeira para conseguir sustentar seus familiares, mesmo de longe. Segundo Luiza, o episódio mais traumático de sua trajetória aconteceu depois dela ficar grávida, já em solo brasiliense. Luiza teve um prolapso do cordão umbilical — emergência obstétrica que acontece quando o cordão umbilical sai antes do bebê. Essa condição requer uma cesárea emergencial. Por isso, ela precisou caminhar quase um quilômetro a pé até chegar ao Hospital do IAPI , no Guará, para realizar o procedimento. Ao chegar ao local — o único hospital da cidade, feito de madeira e com pouca infraestrutura — não havia anestesia para realizar a cirurgia. Seus braços e pernas foram amarrados e a cesárea foi realizada "a seco", o que lhe causou traumas que duraram seis anos, de acordo com ela. O bebê sobreviveu, mas ela passou 11 dias internada e voltou para casa sem medicação pela falta de recursos do hospital. Segundo o relato, ela foi liberada "para morrer lá fora", mas graças a seus conhecimentos medicinais caseiros conseguiu sobreviver. Engana-se quem pensa que os nascimentos não eram comuns na época. No mesmo hospital em que nasceu o bebê de Luiza, Jurema Toscano relatou que já realizou 24 partos em uma única noite. A médica ginecologista que integrou a equipe do Hospital do IAPI ressaltou que nos primeiros tempos, não havia consultório e era "parto atrás de parto". Nascimentos em casa Em uma cidade com um único hospital, em condições precárias, o mais comum era realizar partos domiciliares. A filha caçula de Maria Katuko, uma auxiliar de enfermagem que chegou a Brasília em 1959, é fruto dessa prática. Quem fez o parto da filha dela em casa foi a Dona Cacilda Bertoni. A parteira conta que carregava seu próprio kit para realizar o procedimento, que incluía inclusive água fervida para higiene. A bolsa dela continha também luvas, instrumental cirúrgico e remédios para os olhos dos recém-nascidos. Assim como ela, outras mulheres aprenderam o ofício e faziam o possível para atender as mulheres da capital. Ladir Alarcão era enfermeira e morava na região do Torto. Ela contou que muitas vezes se deslocava a cavalo para fazer partos na região. A chegada do Hospital de Base Com a inauguração de Brasília em 1960 aconteceu também a abertura do Hospital de Base, chamado na época de Hospital Distrital de Brasília (HDB). Foi nesse período que as condições para dar à luz a uma criança mudaram na capital. Nascimento do Filho do Prefeito Wadjô Gomide com a Primeira Dama Maria Helena Gomide, no Hospital Distrital de Brasília (HDB) Divulgação/ Arquivo público do DF Nas fotos armazenadas no arquivo público do DF, é possível ver como a estrutura do hospital já era melhor preparada para realizar procedimentos cirúrgicos e assistir às mães e aos recém-nascidos. Nascimento dos Trigêmeos no Hospital Distrital de Brasília (Hospital de Base) Divulgação/ Arquivo público do DF E o que chama atenção: a quantidade de bebês nascidos, que posteriormente viriam a formar as primeiras gerações de brasilienses. Berçário do Hospital Distrital de Brasília (Hospital de Base) Divulgação/ Arquivo público do DF LEIA MAIS: VICENTE PIRES: Cantor sertanejo Adriano Muniz é encontrado morto em apartamento no DF AEROPORTO: 'Me senti agredida e desrespeitada', relata passageira escoltada para fora de voo por conta de carrinho de bebê Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/05/10/cesareas-sem-anestesia-e-parto-em-casa-tinha-que-ter-muita-coragem-contam-as-primeiras-maes-de-brasilia.ghtml


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