Caso Moisés Alencastro: veja o que se sabe sobre a morte do ativista cultural em Rio Branco
01/01/2026
(Foto: Reprodução) Veja o que se sabe sobre a morte do ativista cultural em Rio Branco
A morte do ativista cultural, colunista social e servidor público do Ministério Público do Acre (MP-AC) Moisés Ferreira Alencastro e Souza, de 59 anos, assassinado no dia 21 de dezembro, causou comoção em Rio Branco e no meio cultural acreano.
Ele foi encontrado morto a golpes de faca dentro do apartamento onde morava, no bairro Morada do Sol, na noite da última segunda-feira (22). A principal linha de investigação da polícia é de homicídio.
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O g1 reuniu abaixo o que já se sabe sobre o caso:
Quem era Moisés Alencastro
O que aconteceu com o ativista cultural
Como o corpo foi encontrado
Qual a linha de investigação
Quem são os suspeitos
Moisés Alencastro foi encontrado morto no dia 22 de dezembro em Rio Branco
Fernando Menezes/Arquivo pessoal
1. Quem era Moisés Alencastro?
Moisés Alencastro era advogado licenciado, jornalista, colunista social, ativista cultural e servidor do Ministério Público do Acre, onde atuava desde 2006 no Centro de Atendimento à Vítima (CAV).
No campo das políticas culturais locais, Moisés teve participação ativa no Conselho Estadual de Cultura, onde contribuiu para a formulação e o fortalecimento das políticas culturais do Acre.
Reconhecido pelo diálogo e pelo compromisso institucional, era defensor da valorização da identidade cultural acreana e atuava como articulador entre artistas, produtores e o poder público. Moisés também era ativista LGBTQIA+.
Moisés Alencastro foi encontrado morto nesta segunda-feira (22) no apartamento onde morava
Arquivo pessoal
2. O que aconteceu?
Moisés foi encontrado morto dentro do próprio apartamento, no bairro Morada do Sol, em Rio Branco, na noite da última segunda-feira (22). O corpo estava deitado sobre a cama e apresentava mais de cinco perfurações causadas por faca, segundo avaliação preliminar da polícia.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou o óbito, e o local foi isolado pela Polícia Militar. O corpo foi recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML), e o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
De acordo com a Polícia Civil, havia rigidez cadavérica compatível com 18 a 20 horas de morte no momento em que o corpo foi encontrado. A estimativa indica que o homicídio ocorreu na noite de domingo (21).
Moisés havia sido visto pela última vez nesse mesmo dia. Amigos e colegas estranharam a falta de contato e passaram a tentar localizá-lo.
Carro de Moisés Alencastro foi encontrado na Estrada do Quixadá, em Rio Branco
Júnior Andrade/Rede Amazônica
3. Como o corpo foi encontrado?
Após perderem contato com Moisés, amigos acionaram o Ministério Público do Acre (MP-AC). O sinal do serviço de localização do celular, compartilhado com uma amiga, indicou posição no bairro Eldorado, o que levantou suspeitas.
Diante da ausência de resposta, o MP autorizou o arrombamento da porta do apartamento, onde o corpo foi encontrado.
Durante as diligências, a polícia localizou o carro da vítima na Estrada do Quixadá, na região do bairro São Francisco, com pneu estourado e o porta-malas aberto. Na investigação, foram encontrados com os suspeitos objetos pertencentes a Moisés, como documentos pessoais, controles do veículo e do apartamento, além de roupas com vestígios de sangue.
Também há indícios de que cartões bancários da vítima teriam sido usados após o crime, mas as transações foram negadas.
Delegado Alcino Júnior, da DHPP em Rio Branco, responsável pelas investigações do caso Moisés Alencastro
Júnior Andrade/Rede Amazônica
4. Qual a principal linha de investigação?
Inicialmente tratado como possível latrocínio, o caso passou a ser analisado sob outra perspectiva após o avanço das investigações. Segundo a DHPP, não havia sinais de arrombamento, o que indica que Moisés conhecia as pessoas que estavam no apartamento e permitiu a entrada de forma consensual.
A polícia trabalha com a hipótese de homicídio qualificado seguido de furto, enquanto apura a dinâmica do crime e o grau de participação de cada envolvido.
“Latrocínio é quando se mata para roubar. A dinâmica indicou que a morte ocorreu primeiro e, depois, houve o aproveitamento da situação para levar os bens”, pontuou o delegado Alcino Júnior, da DHPP.
Antônio de Sousa Morais e Nataniel Oliveira de Lima, suspeitos pelo assassinato de Moisés Alencastro em Rio Branco
Júnior Andrade/Rede Amazônica e Reprodução
6. Quem são os suspeitos?
Dois homens foram presos pela Polícia Civil:
Antônio de Sousa Morais, de 22 anos, preso na manhã de quinta (25), após quatro dias foragido;
Nataniel Oliveira de Lima, de 23 anos, preso no final da tarde do mesmo dia, no bairro Eldorado.
Segundo a polícia, ambos se conheciam e teriam participado diretamente do crime. Ainda de acordo com o delegado Alcino Júnior, da DHPP, a perícia e os elementos colhidos no local do crime indicam que mais de uma pessoa participou da ação.
Na ocasião, Antônio de Sousa Morais e Nataniel Oliveira de Lima passaram por audiência de custódia na última sexta-feira (26) e tiveram as prisões mantidas pela Justiça.
Segundo o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC), ambos foram encaminhados ao Complexo Penitenciário Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, onde permanecem presos preventivamente enquanto o caso segue sob investigação.
VÍDEOS: g1