Caso Epstein: vítimas protestam após publicação de documentos e dizem que agressores continuam 'ocultos e protegidos'
31/01/2026
(Foto: Reprodução) Donald Trump aparece em uma festa ao lado de Jeffrey Epstein.
Reprodução/Netflix
As vítimas de Jeffrey Epstein afirmam que seus supostos agressores “continuam ocultos e protegidos”, mesmo após a publicação, na última sexta-feira (30), de milhões de novas páginas do caso pelo governo dos Estados Unidos.
O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou que a Casa Branca não teve qualquer participação no processo de revisão dos milhões de arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça, que incluem fotos e vídeos.
"Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar", disse Blanche em uma coletiva de imprensa.
Epstein, um agressor sexual que manteve por anos uma relação próxima com o presidente americano Donald Trump, morreu na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores. A morte foi declarada suicídio.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Os mais de três milhões de documentos divulgados na sexta-feira citam Trump, além de outras figuras públicas, como Elon Musk, Bill Gates e o ex-príncipe britânico Andrew.
Segundo o Departamento de Justiça, parte dos documentos contém “alegações falsas e sensacionalistas” sobre Trump, apresentadas ao FBI antes das eleições presidenciais de 2020.
Blanche, que já atuou como advogado de Trump, negou que tenha havido a exclusão de qualquer material comprometedor sobre o presidente nos arquivos divulgados na sexta-feira, que incluem pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos.
"Não protegemos o presidente Trump", afirmou. "Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém".
Ele também explicou que todas as imagens de meninas e mulheres foram censuradas, com exceção das que mostram Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, que cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico de menores.
Ocultos e protegidos
As vítimas dos abusos cometidos por Epstein denunciaram, em uma carta, que os arquivos contêm informações que permitem sua identificação, “enquanto os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos”.
A carta, assinada por 19 pessoas — algumas identificadas apenas por pseudônimos ou iniciais —, exige “a publicação completa dos arquivos Epstein” e cobra que a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, preste depoimento ao Congresso no próximo mês.
Os documentos divulgados na sexta-feira incluem um rascunho de e-mail no qual Epstein afirma que Bill Gates teve relações extraconjugais. A Fundação Gates negou a informação em comunicado ao jornal New York Times.
Outro documento revela uma troca de mensagens entre Elon Musk e Epstein, em 2012, na qual Musk pergunta: "Em que dia/noite será a festa mais selvagem na sua ilha?".
Musk declarou neste sábado, em sua rede social X, estar ciente de que as mensagens podem ser "mal?interpretadas e usadas por meus detratores para manchar o meu nome". Ele pediu que a Justiça processe "aqueles que, ao lado de Epstein, cometeram crimes graves".
Em outras mensagens, Epstein associa Steve Tisch, de 76 anos, produtor do filme Forrest Gump e co-proprietário do time de futebol americano New York Giants, a diversas mulheres.
Segundo os documentos, o ex-príncipe Andrew, que perdeu seus títulos reais devido aos vínculos com Epstein, convidou o executivo ao Palácio de Buckingham, em 2010, após o financista se oferecer para apresentá-lo a uma mulher russa.
A ala mais conservadora dos apoiadores de Donald Trump acompanha o caso Epstein há anos e sustenta que o financista comandava uma rede de tráfico sexual voltada à elite mundial.
Maxwell, ex-parceira de Epstein, é a única outra pessoa acusada pelos crimes do financista. O procurador-geral adjunto minimizou as expectativas de que os novos documentos resultem em novas acusações.
Atraso na publicação
Trump e o ex-presidente Bill Clinton aparecem com frequência nos documentos divulgados até agora, mas nenhum dos dois foi acusado de qualquer crime.
O presidente republicano, que frequentava os mesmos círculos sociais que Epstein na Flórida e em Nova York, resistiu por meses à publicação dos documentos.
No entanto, o forte descontentamento dentro do próprio Partido Republicano o levou a sancionar uma lei que determina a divulgação de todos os documentos da investigação.
Trump deu versões diferentes sobre os motivos que levaram ao seu afastamento de Epstein.
Ele também criticou a divulgação dos arquivos, afirmando que pessoas que "conheceram Epstein inocentemente" ao longo dos anos poderiam ter a reputação prejudicada.
O vice-procurador-geral afirmou que a divulgação de sexta-feira "marca o fim de um processo muito completo de identificação e revisão de documentos", que acabaram sendo publicados com atraso.
A Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (Epstein Files Transparency Act) determinava que todos os documentos do Departamento de Justiça fossem publicados até 19 de dezembro.