Cão idoso encontrado em rodovia é adotado após quatro anos vivendo em abrigo no interior de SP: ‘Me encantou', diz tutora
17/07/2026
(Foto: Reprodução) Cão idoso encontrado em rodovia é adotado após quatro anos vivendo em abrigo
Depois de quatro anos vivendo um abrigo de Itapetininga (SP), um cão macho de oito anos ganhou a oportunidade de ter uma família para chamar de sua. A adoção ocorreu nesta terça-feira (14).
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O animal, que era chamado de Jorge,ficou quatro anos no abrigo da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa). Os tutores foram até o local para conhecer os pets abrigados e, logo de cara, se apaixonaram pelo cão sem raça definida, conta a tutora Hellen Thallya Nunes Paz da Cruz, de 18 anos.
“O Jorge me encantou. Eu nunca comprei cachorros, mas adotar mesmo, com certa idade, foi a primeira vez. Eu me senti realizada, e isso me motivou a fazer isso pelo resto da minha vida."
Cão idoso é adotado depois de esperar por quatro anos em Itapetininga
Arquivo pessoal/Hellen Thallya Nunes Paz da Cruz
Após a morte de sua antiga cachorra, Hellen ficou um tempo sem ter uma companhia canina em casa. Ela e a família buscavam adotar um animal e visitaram o abrigo da Uipa. A ideia inicial era adotar uma fêmea.
“Quando fomos até lá, queríamos uma fêmea e até mais nova, até pelo fato de ter que despedir rápido de um bichinho que a gente se apega tanto. Mas assim que vimos o Jorge, nos encantamos. Ele é meigo, doce, carinhoso e não nos importamos com a idade ou tamanho, nada além de querer ter ele”, relatou Hellen ao g1.
Animal foi resgatado e levado para a Uipa em Itapetininga
Arquivo pessoal/Hellen Thallya Nunes Paz da Cruz
Dias após a visita, Hellen deu entrada no processo de adoção. Ela conta que o momento foi de alegria, mas admite que é difícil deixar o abrigo sem querer levar todos os animais que ainda aguardam por uma família. Assim que recebeu a confirmação de que a adoção havia sido aprovada, foi sozinha buscar o novo companheiro depois do trabalho.
“Me ajudaram com ele na hora de levar embora, pois estava há quatro anos preso na baia, então estranhou no começo. Quando eu já tinha o adotado, me contaram a história dele, o que me fez admirar mais ainda por ter passado por tanto”, relatou a estudante.
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Sobre a personalidade de Jorge, Hellen contou à reportagem que ele é um cão medroso, mas, apesar da idade avançada, continua sendo um "bebezão". Ela espera que a história do companheiro incentive mais pessoas a enxergarem a adoção de animais idosos com um novo olhar.
“Eu estou muito animada com ele, e creio que logo se sentirá parte da família, até porque amado ele se sente há muito tempo, com o trabalho da Uipa. Ele é um doce, carinhoso, super agitado, mas, às vezes, tem um pouco de medo de entrar em outros cômodos ou até de abrirmos o portão, creio que logo irá se adaptar”, disse a jovem.
Hellen afirma que nunca teve interesse em comprar animais e sempre optou pela adoção. Apaixonada por cachorros, ela compartilhou imagens em que aparece abraçada com Jorge. Em outros registros, o cão surge tranquilo e à vontade na nova casa, ao lado dos pais dela, César e Suelen.
Depois de esperar por quatro anos, o cachorro ganhou uma casa depois de ser adotado na terça-feira (14)
Arquivo pessoal/Hellen Thallya Nunes Paz da Cruz
🐶 O resgate de Jorge
Fernanda Nery, responsável pela Uipa, contou ao g1 que Jorge foi encontrado abandonado na Rodovia Gladys Bernardes Minhoto, em 2022.
“Ele estava paralisado, os carros passando por ele e ninguém ajudando, ele não se mexia. Nós achamos que ele estava quebrado, alguma coisa do tipo. Levamos ele até a Uipa e cuidamos dele”, relembrou.
Para que a história de Jorge chegasse aos possíveis tutores, uma das integrantes da organização divulgou imagens dele nas redes sociais.
“É muito difícil as pessoas adotarem os cães mais velhos. Se as pessoas pudessem dar a oportunidade. A pessoa que adota um cão mais velho já sabe o temperamento do animal, é super bacana. Eles não imaginam o quanto é bom adotar. É um cachorro mais tranquilo”, apontou Fernanda.
O animal foi resgatado em 2022, depois de ser encontrado abandonado em uma rodovia
Arquivo pessoal/Hellen Thallya Nunes Paz da Cruz
Outro cão que espera por uma família na Uipa há anos é Capi. Resgatado junto com os irmãos em Itapetininga (SP) há oito anos, ele foi o único da ninhada que ainda não encontrou um lar. Enquanto os demais foram adotados, Capi permaneceu no abrigo à espera de uma oportunidade.
Capi e os irmãos foram encontrados ainda filhotes em um lixão que estava sendo desativado, em 2018. Os animais estavam muito debilitados e corriam risco de morte por causa do maquinário que operava no local. Hoje, Capi tem cerca de oito anos, está castrado e vacinado e espera pela chance de finalmente ganhar um lar.
“Ele é super amável, brincalhão e com muita disposição. Ele é o nosso mascote, mas poderíamos tentar uma adoção", compartilhou Fernanda.
Capi foi resgatado em 2018, ele estava com os outros filhotes abandonados em um lixão desativado de Itapetininga
Arquivo pessoal/Fernanda Nery
Em Itapetininga, os interessados em dar um lar aos animais podem ir até a Uipa, que fica na Rua Otávio Ferreira de Almeida, 36, na Vila Mazzei. Outras informações podem ser obtidas por meio do telefone (15) 3272-2111.
🐾 Cuidados ao adotar
Segundo a veterinária Juliana Sonoda, de Itapetininga (SP), animais que passam muitos anos em abrigos podem desenvolver comportamentos relacionados ao estresse, à insegurança ou à falta de estímulos.
“Alguns ficam mais tímidos, outros podem ficar mais ansiosos ou muito carentes. Isso acontece porque o ambiente do abrigo, mesmo com cuidado, não substitui o convívio constante de uma família”, aponta.
A mudança do comportamento de um cachorro pode ter várias causas internas e externas
Arquivo pessoal/Juliana Sonoda
Em relação à adoção de animais idosos, a especialista explica que eles também são capazes de se adaptar a uma nova rotina.
“Muitas pessoas ainda acreditam que animais idosos não irão se adaptar ou que viverão pouco tempo. Mas costumam ser mais tranquilos, já têm personalidade definida e oferecem muito carinho”.
Ao g1, a tutora diz que torce para o cão se adaptar e perceber que agora tem uma família
Arquivo pessoal/Hellen Thallya Nunes Paz da Cruz
De acordo com a veterinária, é necessário passar por um período de adaptação, que pode levar de alguns dias a semanas. Em certos casos, o animal pode ficar mais quieto ou amedrontado; em outros, pode demonstrar alegria e criar vínculo com mais facilidade. A personalidade do cão ou do gato também pode mudar após a adoção.
“Muitas vezes o animal começa a mostrar sua verdadeira personalidade somente depois que se sente seguro. O tutor deve se preparar com paciência, rotina, carinho e limites claros, entendendo que adaptação leva tempo e que por anos, tudo era muito diferente”, orienta.
A nova família deve oferecer alternativas para que o animal consiga se sentir mais confortável nessa adaptação, como manter o ambiente rico em atividades, oferecer brinquedos, passeios regulares, acompanhamento veterinário e tempo de qualidade. Manter uma rotina previsível, um espaço para descanso, paciência e reforço positivo, também são pontos que auxiliam na adaptação.
“Todo animal precisa de vínculo, cuidado e segurança afetiva e emocional. Animais que viveram anos em abrigo muitas vezes só conheceram a sobrevivência. Dar um lar significa oferecer dignidade, afeto e qualidade de vida”, completa a veterinária.
O cão apelidado de "Capi" espera ser adotado há oito anos em abrigo de Itapetininga
Arquivo pessoal/Fernanda Nery
*Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori
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