Candidatos ao Senado por SE trocam acusações e criticam ausentes durante debate da FM Sergipe
24/09/2026
(Foto: Reprodução) Candidatos ao Senado em Sergipe Delegado Alessandro (MDB), Iran Barbosa (PSOL) e Rodrigo Valadares (PL) participam de debate na FM Sergipe.
Mira Marques/g1 SE
Candidatos ao Senado por Sergipe participaram, na noite desta quarta-feira (23), de um debate promovido pela FM Sergipe, emissora de rádio do Grupo Sergipe de Comunicação. Seguindo a legislação eleitoral, foram convidados candidatos de partidos ou federações que têm ao menos cinco parlamentares no Congresso Nacional.
Três candidatos convidados participaram do encontro: Delegado Alessandro Vieira (MDB), Iran Barbosa (PSOL) e Rodrigo Valadares (PL).
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Coronel Rocha (PL), que havia confirmado a participação no debate, compareceu à emissora, mas não pôde participar por descumprir uma das regras acordadas, que proibia o uso de roupa que contivesse algum tipo de mensagem. Eduardo Amorim (Republicanos), que também havia confirmado, cancelou a participação no debate na manhã desta quarta-feira. As cadeiras que seriam ocupadas por eles permaneceram vazias no estúdio.
Já André Moura (União Brasil), Edvaldo Nogueira (PDT), André David (Republicanos) e Rogério Carvalho (PT) foram convidados, mas optaram por não participar.
Entre os temas abordados, minerais críticos, retorno da Petrobras para Sergipe, meio ambiente, denúncias no Supremo Tribunal Federal, e mais. Os candidatos também criticaram a ausência dos outros convidados para o debate. O debate foi transmitido ao vivo pela FM Sergipe e mediado pela jornalista Iara Lins.
Regras
O debate contou com quatro blocos, com perguntas feitas de candidato para candidato. Dois blocos foram de perguntas de temas determinados, um bloco foi com perguntas de tema livre e o último bloco foi reservado para as considerações finais dos candidatos. Os tempos de resposta, réplica e tréplica foram controlados eletronicamente.
1º bloco: Perguntas com Tema Determinado
2º bloco: Perguntas com Tema Determinado
3º bloco: Perguntas com Tema Livre
4º bloco: Considerações Finais
Cada candidato teve 30 segundos para fazer a pergunta; dois minutos para resposta; um minuto para réplica; e um minuto para tréplica. Para as considerações finais, cada candidato teve três minutos, em ordem previamente estabelecida por sorteio.
Primeiro bloco (tema determinado)
O tema sorteado foi minerais críticos e soberania energética e tecnológica. O primeiro a perguntar foi o candidato Iran Barbosa. Ele escolheu o candidato Rodrigo Valadares, que foi questionado sobre como o Brasil deve se posicionar diante do debate sobre minerais essenciais e como deve ser a posição do Brasil diante do uso desses minerais.
Em sua resposta, o candidato fez menção a Deus, em seguida afirmou que o país é uma potência em minerais críticos e criticou a posição do governo federal sobre o assunto.
“Hoje a gente vê um governo que chamou tantos outros governos de entreguistas praticamente vendendo o nosso Brasil à China, negociando a riqueza do nosso povo para dar ao governo comunista do Xi Jinping. Não é isso que nós desejamos pro Brasil”, afirmou.
Ele citou ainda um outro exemplo, segundo ele: “Hoje aqui em Sergipe, em Laranjeiras, ali em Rosário do Catete, nós temos uma das maiores minas de fertilizantes de potássio do mundo [...] Mesmo assim, o Brasil ainda importa cerca de 90% dos nossos fertilizantes ou da Rússia ou do Canadá.”
Rodrigo citou ainda a alta burocracia estatal, o alto custo energético, criticou o posicionamento do PT e do PSOL, e questionou se o candidato Iran se posicionaria contra a exploração de petróleo em águas profundas.
Em resposta, Iran disse que a exploração deve ser debatida junto à sociedade. “O Brasil foi um país que se constituiu sendo explorado economicamente por nações que se sentiram mais poderosas, como por exemplo agora os Estados Unidos tentam fazer aqui na América Latina como um todo, e tem o apoio de setores da política que buscam garantir essa entrega. Porque, na verdade, a política de entreguismo que está sendo defendida nesse momento eleitoral, não é o PT nem o PSOL quem faz essa política”, disse.
Na tréplica, o candidato Rodrigo afirmou que “a Bahia foi vendida” para instalação de uma fábrica de veículos chinesa, e que os empregos gerados para os chineses deveriam ser da população baiana.
“Esses 50 mil empregos que tem isenção fiscal do governo do PT deveriam ser pro povo pobre dos nossos irmãos baianos que precisam de emprego para libertar-se dessa política assistencialista”, afirmou.
Na sequência, foi a vez do Delegado Alessandro perguntar para Iran Barbosa. O tema sorteado foi Petróleo, gás natural e transição energética.
Alessandro questionou Iran sobre a posição do PSOL em relação à exploração de petróleo e gás em Sergipe.
Em resposta, Iran disse que as riquezas obtidas a partir dessa exploração devem servir para o desenvolvimento do estado. “Queremos também garantir que os royalties obtidos a partir da exploração desses instrumentos possam ser utilizados para as políticas públicas e para as políticas sociais. O estado não pode ser rico de minérios e possuir uma população pobre”, afirmou.
Iran defendeu ainda que a exploração seja afinada com a política ambiental que preserve as gerações atuais e futuras.
Em sua réplica, o candidato Delegado Alessandro afirmou que a recuperação dos investimentos em petróleo e gás de Sergipe teve a participação direta do seu partido para trazer a Petrobras de volta para Sergipe, também com atuação junto ao governo do estado. E afirmou que é preciso garantir que esses recursos permaneçam em Sergipe. “Isso passa pela qualificação das pessoas, por um trabalho de captação de empresas, garantia do ambiente adequado e segurança”, afirmou.
Na tréplica, o candidato Iran Barbosa falou sobre a preocupação com as populações ribeirinhas e comunidades quilombolas, que sofrem os impactos da exploração ambiental.
“Essas riquezas normalmente se concentram em setores da população que não são aqueles que sofrem os impactos da produção. Então, pensar numa transição tem que pensar nessas populações e pensar em mecanismos que garantam essa transição, para não reproduzirmos os erros que já acontecem no modelo de exploração da economia que nós temos atualmente”, completou.
Em seguida, foi a vez do candidato Rodrigo Valadares perguntar para o Delegado Alessandro. O tema sorteado foi: meio ambiente, energia e inovação.
Rodrigo Valadares perguntou ao Delegado Alessandro como ele atuou para resolver o travamento do desenvolvimento econômico do Brasil, e citou exemplos de desenvolvimento em Alagoas e na Bahia, que não ocorrem em Sergipe.
Em resposta, Alessandro afirmou que não existe nenhuma incompatibilidade entre regulação e proteção do meio ambiente e desenvolvimento econômico.
“É preciso compatibilizar as duas coisas até porque a gente tá falando de patrimônio de futuras gerações, o meio ambiente é um patrimônio de quem tá chegando”, disse Alessandro, afirmando que atua para garantir a modernização dos planos de adaptação dos municípios e de emendas para preservação do meio ambiente.
Na réplica, Rodrigo continuou comparando Sergipe a Maceió e Salvador, em relação às dificuldades de se desenvolver o litoral sergipano.
Em sua tréplica, Alessandro afirmou que essa questão de praias em Sergipe já está devidamente equacionada. “Foram muitas reuniões, foram feitos investimentos para que se possa garantir a exploração sustentável. Não faz sentido destruir patrimônio natural a pretexto de criar empregos”, disse. Alessandro destacou ainda que o trabalho avançou em parceria com o governo estadual, que atuou para que fossem construídos acordos necessários sobre o tema, e citou que os números mostram que o estado se desenvolveu muito na área de turismo.
Segundo bloco (tema determinado)
O segundo bloco começou com o candidato Delegado Alessandro perguntando a Iran Barbosa. O tema foi a implementação do plano nacional de educação 2026-2036. Alessandro questionou quais são os desafios para a implementação do plano que tem metas ambiciosas.
“O primeiro grande desafio tem a ver com não repetirmos os erros que cometemos com o último Plano Nacional da Educação [...] Um dos desafios enormes que temos é a garantia do crescimento do investimento. Não se faz política pública tão séria e tão profunda como educação sem ampliar os recursos, os investimentos nesse setor [...] um outro desafio importante passa pela valorização profissional dos trabalhadores em educação”, respondeu Iran.
Na réplica, Alessandro concordou com Iran e falou sobre a sua atuação no segmento de educação. “Nesse plano nacional atuamos de forma muito decisiva junto com a nossa equipe de especialistas com 20 emendas que a gente conseguiu incluir no texto final. Mas tem razão, professor Iran, quando fala que temos uma etapa para cumprir, que não foi ainda atingida, que é a mudança na qualificação dos nossos professores na sua valorização”, disse Alessandro.
Na tréplica, Iran continuou a falar sobre os desafios da educação e destacou a necessidade de um sistema de critérios para aferir a qualidade do ensino.
Em seguida, o tema sorteado foi: pacto federativo em relação entre os poderes e foi a vez de Rodrigo perguntar a Alessandro. O candidato contextualizou a pergunta afirmando que a reforma tributária aumentou a concentração e o poder da União em relação aos municípios e estados. Em seguida, questionou a Alessandro o entendimento dele sobre o tema.
Em resposta, Alessandro disse que a reforma tributária foi aprovada pelo Congresso Nacional nas duas casas e que tem o objetivo de simplificar o processo.
“É um processo muito complexo que envolve muitos especialistas e representantes de todos os segmentos. Mas a pergunta vai além: a pergunta toca também na questão da diferença que nós temos hoje entre os poderes da República [...] Nós temos um poder que se hipertrofiou o Judiciário, especialmente na sua cúpula e que invade e inviabiliza atribuições que são de outros poderes legislativos e executivo”, respondeu Alessandro.
Ele citou ainda ações que realizou como senador, a exemplo de uma legislação que impede o abuso das decisões monocráticas e de um projeto de Emenda Constitucional que, segundo ele, reequaciona as dívidas dos municípios de todo o Brasil.
Na tréplica, Rodrigo criticou algumas ações políticas de Alessandro. “[...] ele passa 7 anos adormecido [...] e aparece em ano de eleição, voltou a ser o justiceiro contra o STF, mas durante sete anos você foi sete vezes ao STF para pedir coisas absurdas, como colocar Bolsonaro no Inquérito das Fake News. Você foi ao STF pedir pra Xandão [Alexandre de Moraes] instaurar a CPI da Covid [...].”
Na tréplica, Alessandro respondeu que sua atuação é linear e retilínea, e que para confirmar a verdade dos fatos, basta pesquisar na internet. “Sempre a gente faz o enfrentamento de abusos cometidos por ministro desde o primeiro momento. Esse famoso inquérito das Fake News que está vigente, até hoje é um inquérito sem capa, sem rosto [...]. Eu não trabalho por conveniências, mas ele tem razão em uma coisa: quem fez o acordão não foi apenas Flávio Bolsonaro, foram pessoas de direita e de esquerda”, afirmou Alessandro.
Na sequência, Iran perguntou a Rodrigo e o tema sorteado foi: crise climática e prevenção de desastres. Iran citou que os efeitos da crise climática chegam de formas diferentes às parcelas da população e perguntou a Rodrigo qual a opinião dele acerca do racismo ambiental e racismo climático.
“Sabe qual é o verdadeiro desastre ambiental que nós temos? A gente tem um estado Amazonas com 95% da sua área intocada. O ser humano nunca pisou o pé em 95% daquela área, está como estava há milhões de anos e a gente tem mais da metade da população do Amazonas vivendo abaixo da linha da pobreza, 70% que não tem sequer esgoto. Nós temos uma riqueza gigantesca no território amazônico que não é explorado [...] Então o maior desastre que tem é você condenar uma população pobre a viver na pobreza por ideias fantasiosas, racismo ambiental, vamos deixar de loucura”, afirmou.
Na réplica, Iran falou sobre uma “venda de ilusões”, já que as riquezas exploradas não são convertidas em benefícios para a população.
“Pela lógica que foi colocada aqui pelo candidato, o Brasil não teria que ter mais pobreza. Porque as regiões que foram devastadas por uma promessa de exploração econômica que beneficiaria a população, se isso que ele vende aqui como uma ilusão se concretizasse, nós não teríamos mais problema de ordem econômica e social aqui no Brasil e em tantos outros países onde os grandes conglomerados internacionais terminam fazendo a exploração levando as riquezas que beneficiam setores da elite do país”, rebateu Iran.
Na tréplica, Rodrigo concordou com Iran e criticou o PSOL e o PT. “Você acertou, não era pra ter nenhum pobre mais no Brasil. Não era pra ter nenhum pobre mais em Sergipe. O problema é que a indústria da pobreza beneficia o seu partido PSOL e o seu partido PT, seu partido aliado. As riquezas minerais e ambientais que nós temos era pro nosso povo ser extremamente rico”, disse Rodrigo.
Terceiro bloco (perguntas de temas livres)
No terceiro bloco, os candidatos fizeram perguntas entre si, com temas livres. Cada candidato teve 30 segundos para perguntar, dois minutos para responder, um minuto para réplica e mais um minuto para tréplica.
Iran questionou Alessandro sobre a polêmica atual no STF e qual a abrangência do problema. Alessandro respondeu que esse é um dos maiores escândalos do país e que é preciso uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar.
“Para investigação de crimes comuns, considerando que existe muita gente com prerrogativa de foro privilegiado, isso vai ser apurado lá no próprio Supremo, mas quando você tem a quantidade de ministros que nós temos hoje impactados [...] uma Comissão Parlamentar de Inquérito que faça uma apuração ampla para que possa colocar às claras pro Brasil o que aconteceu, onde esse dinheiro foi colocado, pra onde é que ele foi destinado e qual era o objetivo de tanto dinheiro que ficou em Brasília”, afirmou.
Na réplica, Iran disse compreender que o Brasil vive um momento trágico e que o caminho que defende é a busca de um controle social sobre o Poder Judiciário.
Na tréplica, Delegado Alessandro disse que tem sofrido perseguição quando fala em tentar investigar ministros do STF. Ele citou que a Constituição Federal dá os caminhos necessários para resgatar a Justiça brasileira.
Em seguida, Rodrigo questionou Iran sobre a mortalidade da ‘Geração Z’ no país. Iran respondeu que o Brasil precisa de mais escolas e políticas públicas. "Estudos do crime da violência mostram que as áreas mais violentas são sempre as áreas em que a presença do estado é menos notada, ali onde não tem os equipamentos públicos para atender a população. O nível de violência está muito associado também ao nível de exclusão."
Na réplica, Rodrigo afirmou que a esquerda política incentiva abortos e que organizações internacionais colocam muito dinheiro nas campanhas. Na tréplica, Iran disse que o PSOL defende a vida, a saúde pública e ressaltou que o tema do aborto não deve ser tratado de forma irresponsável.
Por fim, Alessandro questionou Rodrigo sobre ele ter rompido com candidatos do partido ao qual ele é filiado e realizado denúncias contra eles. Rodrigo respondeu que gostaria de debater com os candidatos que não participaram do debate e citou problemas de segurança e criminalidade.
Na réplica, Alessandro perguntou o que Rodrigo fez em relação ao combate ao crime e questionou a votação favorável de Rodrigo à PEC da Blindagem. Em resposta, na tréplica, Rodrigo disse que destinou recursos para a segurança pública em Sergipe e retrucou acusando que a Iguá Sergipe pegou dinheiro emprestado com bancos para comprar a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) e muitos desses banqueiros investiram na campanha de Alessandro.
Quarto bloco (considerações finais)
Na abertura do quarto bloco, o candidato Delegado Alessandro teve direito de resposta sobre uma das falas do candidato Rodrigo Valadares. Alessandro lamentou o tom de agressividade do oponente e afirmou que atua com transparência e que isso pode ser facilmente verificado, e que, ao contrário do que foi afirmado por Rodrigo, ele foi uma das pessoas que mais atuou no enfrentamento ao ministro Alexandre de Moraes.
Em seguida, foi a vez de Iran Barbosa, do PSOL, fazer as suas considerações finais. Ele agradeceu a participação no debate e ressaltou a importância da preservação da democracia através do voto, além de sua experiência como professor, líder sindical, deputado federal e vereador.
“Nós estamos nos aproximando do dia 4 de outubro, dia das eleições, o dia do nosso encontro com a democracia [...] tão atacada nos últimos momentos, e nós precisamos valorizar a conquista do voto. Foi uma conquista dura, e eu quero aqui enfatizar a importância de participar dessa festa cívica.”
Na sequência, o Delegado Alessandro ressaltou a importância do debate e lamentou a ausência dos outros candidatos, que, segundo ele, poderiam esclarecer situações envolvendo seus nomes. Afirmou que tem um trabalho reconhecido em todo o Brasil, que é atuante em questões relevantes e ressaltou a importância de representar a honestidade na política.
“Quando essas pessoas faltam ao debate, essas pessoas desrespeitam você, eleitor, que perde a oportunidade de conhecer melhor quem vai lhe representar. O Delegado Alessandro [...] defende que finalmente no Brasil a gente possa ter a ruptura dessa última barreira de impunidade, mas nada disso vai acontecer sem o seu voto.”
Em suas considerações finais, Rodrigo Valadares falou sobre a sua família e carreira, afirmando que acredita em um Brasil que valorize o empreendedorismo, o trabalho, mas, acima de tudo, que valorize a Deus. Em sua fala, ele também fez críticas ao presidente, a senadores e ao ministro Alexandre de Moraes.
“[...] Muitos me conhecem como bolsonarista ou como alguém aguerrido, às vezes até agressivo [...] mas hoje eu quero que você conheça quem é Rodrigo Valadares, quem quer o seu voto. [...] Sou produtor rural, sou advogado e eu acredito em um Brasil diferente do que a gente vê hoje.”
A íntegra do debate pode ser conferida no canal da FM Sergipe na Internet.
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