Brasileiro detido na Islândia em barco contra caça de baleias tranquiliza família: 'está tudo bem'
03/08/2026
(Foto: Reprodução) Fundação divulga imagens de abordagem da Guarda Costeira da Islândia a barco com ativistas
O santista Vitor Young, de 32 anos, é um dos quatro brasileiros detidos na Islândia após uma abordagem da Guarda Costeira a um barco com ativistas contra a caça às baleias. O g1 teve acesso às mensagens enviadas pelo homem para tranquilizar a família. Nelas, ele contou que a polícia do país é "extremamente gentil", mas recolheu os celulares e proibiu a tripulação de sair da embarcação.
O caso aconteceu na noite de quinta-feira (30), mas só foi divulgado na tarde de sábado (1°), quando a organização de preservação ambiental Sea Shepherd Brasil denunciou que o grupo estava há quase 40 horas sob poder do governo islandês e pediu ajuda do governo brasileiro.
✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp.
A embarcação se chama Bandero e estava em uma missão chamada Operação 86, sob comando da ONG internacional Captain Paul Watson Foundation. Segundo a fundação, a abordagem aconteceu depois que o grupo conseguiu interromper uma ação de matança de baleias.
O pai de Vitor, Marcelo Young, esclarece que o filho não tem qualquer envolvimento com a ONG ou com a causa ambiental. Segundo ele, o marinheiro foi contratado exclusivamente para atuar como contramestre e seguir viagem até a Islândia prestando serviços navais (veja mais abaixo).
🔎 Contramestre em navegação: É o responsável por coordenar a tripulação do convés, supervisionar manobras, operações de carga e manutenção, garantindo disciplina e segurança a bordo.
Brasileiro detido na Islândia avisa família que está bem
Arquivo Pessoal e Reprodução/Instagram
Autorizado a se comunicar com a família
Ao g1, Marcelo contou que o filho continua sem celular, mas foi autorizado a usar um notebook. Desta forma, ele entrou em contato com a família por meio de um aplicativo de mensagens na noite de sexta-feira (31).
Em uma conversa com a mãe, Vitor contou que foi detido e a polícia ficou mais de 24 horas fazendo interrogatório a bordo.
Ele acrescentou que a corporação deu um prazo de quatro semanas para resolver a situação, sendo que as opções eram apreender o navio e deportar os passageiros ou mandá-los de volta navegando. A seguir, veja a troca de mensagens do tripulante com o pai:
⛴️Vitor: E aee
Tô aqui
👨Pai: Oiiiii
⛴️Estamos detidos na Islândia
👨E aí??
⛴️Mas, está tudo bem
👨Como está??
⛴️Tripulação está toda a bordo
👨Estão te tratando bem??
⛴️A polícia aqui é extremamente gentil
'Mo' loucura
👨Tem um terrorismo psicológico??
⛴️O barco está no porto e a gente não pode sair
Vai rolar uma investigação agora
E o capitão vai responder por tudo
Brasileiro detido na Islândia avisa família que está bem
Arquivo Pessoal e Reprodução/Instagram
👨Como está sua cabeça??
A minha tá f***
Kkk
⛴️A gente é só tripulação
Está tudo bem por aqui
Relaxa
👨🙏🙏🙏
Está no PC??
Como estão todos a bordo??
Montamos um grupo com os familiares dos brasileiros
Será que deveria colocar que estou falando com você!???
⛴️A polícia pegou o celular de geral. Pode colocar
👨👍👍👍
Eu estou com saudadessss
Quando der vai avisando a gente
⛴️Pode deixar
👨Bjaooooooo
Descansa aí
E quando der manda notícias
😘😘😘😘
⛴️'Jaja' eles deportam a gente e eu estou de volta
👨Ai simmmm
👏👏👏👏👏
Sem vínculo com a ONG
De acordo com Marcelo, Vitor trabalha há aproximadamente 15 anos com embarcações. "Ele já atravessou o Oceano Atlântico quatro vezes, sempre trabalhando em barco particular. Este sempre foi o emprego dele. [Esta] é a primeira vez que trabalha para ONG", explicou.
Marcelo afirmou que o filho não tem envolvimento com a preservação das baleias. Ele entrou na embarcação em São Sebastião para descer em Recife, onde acabou sendo contratado como contramestre para seguir viagem até a Islândia.
"Como pai, estou aqui super ansioso", lamentou Marcelo. "Uma angústia porque não tem nada oficial. O que vai acontecer? Eles vão ser deportados? Eles vão ser presos? [...] Pô, ele era funcionário, ele não mandava no barco, o barco ia onde queria, não onde ele queria. Está nessa, ele e todo mundo, embora estejam sendo muito bem tratados, é fogo", acrescentou ele.
Outros brasileiros
Os quatro brasileiros presos em navio de ativistas na Islândia
Sea Sheperd Brasil / Divulgação
Nas redes sociais, a Sea Shepherd Brasil denunciou que quatro brasileiros estavam detidos na Islândia. "Depois da abordagem ao Bandero pela guarda costeira e pela polícia islandesa, toda a comunicação com a tripulação foi interrompida. Depois de mais de 24h sem comunicação, os tripulantes puderam então acessar seus computadores para se comunicarem com as famílias", dizia o comunicado.
Além de Vitor, os outros três brasileiros detidos são:
Victor Calixto, 23 anos, marinheiro, de Ilhabela (SP)
Lucas Barbosa, 28 anos, cozinheiro, de Craíbas (AL)
Rui Amorim, 52 anos, médico de bordo, de Fortaleza (CE)
Ao g1, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) disse que o governo brasileiro, por meio da Embaixada do Brasil em Oslo, está em contato com as autoridades islandesas para obter mais informações sobre o caso e prestar a assistência consular.
Além dos brasileiros, mais 17 integrantes, de dez países, faziam parte da missão. Até o momento, só se sabe que o capitão foi preso e a embarcação foi escoltada para a capital da Islândia, Reykjavík.
Ajuda
Nas redes sociais, a Paul Watson condenou a ação do governo islandês e pediu informações sobre a tripulação. A ONG também divulgou um vídeo do momento em que agentes das Forças Especiais da Islândia, já a bordo do Bandero, ordenam que o capitão desligue o barco e que todos desliguem os telefones.
"Nossa missão nunca foi sobre violência. A equipe da Bandero é heroica. Eles escolheram ficar entre baleias em perigo e os garfos, sabendo dos riscos", escreveu a instituição na publicação.
VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos