Bloquear o chefe resolve? Veja como aproveitar o carnaval sem comprometer a carreira
12/02/2026
(Foto: Reprodução) Bloquear o chefe resolve? Veja como aproveitar o Carnaval sem comprometer a carreira
O carnaval nem começou oficialmente, mas aquela sensação conhecida já está no ar: a cidade muda de ritmo, os grupos de WhatsApp fervilham com combinações de blocos, viagens e fantasias, e a rotina começa a ser renegociada.
🫣 Mas, em meio ao entusiasmo, volta à tona uma questão cada vez mais presente na vida profissional: até onde é possível curtir sem comprometer a carreira?
Um erro, um post e um viral
Funcionário publica por engano vídeos curtindo show de Anitta na conta da empresa
Reprodução
Em janeiro deste ano, um episódio chamou atenção nas redes sociais e mostrou como a linha entre vida pessoal e imagem profissional pode ser ultrapassada em poucos segundos durante a folia.
O vendedor de uma concessionária de automóveis publicou, por engano, vídeos em que aparecia se divertindo durante um show da cantora Anitta no perfil oficial da empresa, e não na conta pessoal dele.
O profissional havia bebido e registrava o momento com um copo na mão, pulando e curtindo o evento.
O conteúdo viralizou rapidamente, gerou engajamento recorde na página da concessionária e virou motivo de brincadeiras — inclusive no próprio perfil da empresa, que repercutiu o episódio de forma bem-humorada.
Exposição fora do trabalho
O caso, embora tratado com humor por muitos internautas, reacendeu um debate que se repete a cada ano: quais são os limites entre o direito ao lazer e a responsabilidade profissional?
Na era das redes sociais, atitudes fora do ambiente de trabalho deixaram de ficar restritas à vida privada e passaram a influenciar a forma como colegas, gestores e empresas veem um profissional.
Para Thiago Brehmer, sócio da CLA Brasil, as redes sociais ampliaram de forma significativa a visibilidade de comportamentos que, antes, ficavam restritos ao ambiente interno das empresas.
"Mesmo fora do horário ou do contexto profissional, pode ser registrada, compartilhada e ganhar grandes proporções em pouco tempo. Além disso, conteúdos podem ser interpretados fora de contexto, o que gera ruídos e consequências difíceis de reverter”, afirma.
Brehmer acredita que muitos profissionais ainda subestimam o impacto dessas pequenas atitudes: "Podem parecer triviais, mas comunicam valores, posicionamentos e grau de maturidade. Dependendo do contexto, entram em conflito com a cultura da empresa ou com o comportamento esperado".
A imagem construída nas redes, no entanto, é apenas uma parte desse cenário. Atitudes fora do trabalho também têm impacto direto na reputação profissional.
Faltas injustificadas, atrasos recorrentes, ressaca no expediente, comentários inadequados e comportamentos vistos como impróprios em espaços públicos são exemplos de situações que podem comprometer a credibilidade de um colaborador.
Em casos mais graves, como a apresentação de atestado falso, as consequências podem incluir demissão por justa causa e implicações legais.
O que as empresas observam?
Para Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), a discussão não deve partir da ideia de que o profissional não pode se divertir, mas da necessidade de equilíbrio.
“A ideia não é criar pânico ou dizer para as pessoas não se divertirem. O objetivo é trazer clareza e bom senso, para que todo mundo possa aproveitar a folia com tranquilidade, sabendo que a carreira está segura”, explica.
Segundo ela, o que pesa na avaliação de um profissional não é um episódio isolado, mas o conjunto de comportamentos ao longo do tempo.
Na prática, isso significa que responsabilidade, compromisso e ética continuam sendo os principais pilares da reputação profissional.
Foliões curtem o Bloco da Gold
Alex Ferro/Riotur
Redes sociais e comportamento profissional
As redes sociais funcionam como um amplificador dessas atitudes.
"Uma postagem infeliz pode gerar uma crise, mas geralmente é superada quando o profissional tem um histórico sólido. Já um padrão de atrasos, entregas ruins e desrespeito é muito mais difícil de reverter”, afirma.
A especialista destaca que as empresas passaram a avaliar o comportamento dos profissionais de forma mais ampla, considerando tanto o ambiente online quanto o offline.
“A avaliação é cada vez mais 360 graus, mas existem limites legais e éticos. A vida privada é protegida por lei. O que as empresas observam são comportamentos que impactam diretamente a organização, como condutas que ferem valores, quebram o código de ética ou expõem a marca a riscos”, ressalta.
Nesse contexto, nem todas as situações têm o mesmo peso. O atestado falso, por exemplo, representa uma quebra grave de confiança.
"O problema nunca é a festa, mas a incoerência. Se alguém diz estar doente para não trabalhar e, no mesmo dia, posta fotos pulando no bloco, o problema não é a folia, é a mentira. É essa contradição que arranha a reputação profissional", diz Eliane.
Para a especialista, atitudes consideradas normais no lazer podem ser interpretadas de forma diferente pelas empresas porque a fronteira entre o público e o privado está cada vez menos definida.
Nesse contexto, muitos profissionais acreditam que basta bloquear o chefe ou colegas de trabalho nas redes sociais para evitar problemas. No entanto, essa estratégia não garante proteção.
Mesmo em perfis fechados, fotos e vídeos podem ser vistos por amigos, familiares ou conhecidos e, em poucos cliques, compartilhados fora do círculo privado.
"Uma foto postada em um perfil fechado pode vazar e viralizar em minutos. Quando um comportamento é associado a excessos, ele pode gerar dúvidas sobre o discernimento daquele profissional, especialmente em cargos de liderança ou de visibilidade", pontua.
Ela ressaltou ainda que, do ponto de vista da carreira, um comportamento recorrente é mais prejudicial do que um episódio isolado.
"Um padrão de atrasos, baixa produtividade e indisciplina vai minando a credibilidade dia após dia. Isso destrói a confiança e fecha portas para promoções e oportunidades", completa.
Para Brehmer, uma regra prática pode ajudar profissionais a evitar problemas.
"Antes de postar algo ou tomar uma atitude, vale se perguntar: ‘Se meu gestor, meus colegas ou um cliente vissem isso, eu me sentiria confortável? Isso fortalece ou enfraquece minha reputação?’. Se houver dúvida, é melhor repensar. Toda atitude comunica algo — dentro ou fora das redes sociais".
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