Avião abortou decolagem em Guarulhos após indicativo de motor com temperatura acima do limite, diz documento do Cenipa

  • 20/02/2026
(Foto: Reprodução)
Avião da Latam aborta decolagem em Guarulhos Reprodução/Aviação Guarulhos JPD A decolagem de um avião Boeing 777-300 da Latam no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, foi abortada após a aeronave apresentar indicação de temperatura acima do limite no motor 2. É o que aponta o histórico da ocorrência registrado no Painel SIPAER do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O caso foi registrado no último domingo (15) e causou pânico entre passageiros que tinham como destino Lisboa, Portugal. Ninguem ficou ferido. Um vídeo divulgado pelo canal do Youtube Aviação Guarulhos registrou o momento. (Assista abaixo.) O histórico da ocorrência ainda aponta que "os procedimentos previstos foram executados e a decolagem foi abortada". Também ressalta que a aeronave "livrou a pista por meios próprios e, posteriormente foi entregue para a equipe de manutenção". 🔍Painel SIPAER é um sistema de consulta pública mantido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira. A plataforma reúne registros oficiais e informações técnicas sobre acidentes e incidentes aeronáuticos no país e tem caráter informativo e preventivo. Em nota, o Cenipa disse ao g1 que os dados do caso foram coletados e, após análise técnica dos investigadores, a ocorrência foi classificada como incidente aeronáutico, que é quando uma ocorrência afetou ou poderia afetar a segurança de um voo, mas sem causar acidente, como feridos ou danos graves à aeronave. O órgão informou ainda que o episódio foi tratado "conforme o Anexo 19 à Convenção sobre Aviação Civil Internacional, que estabelece os protocolos de gestão da segurança operacional". Na prática, significa que o caso entrou nos sistemas de monitoramento de segurança da aviação e pode ser analisado pelo operador da aeronave dentro de seus procedimentos internos, com foco na prevenção. O Painel SIPAER aponta que a ocorrência foi registrada em um Reporte Final, documento do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) que reúne as informações disponíveis sobre o caso, sem a emissão de um relatório final de investigação. Em nota ao g1, a Latam informou que colabora integralmente com o Cenipa na investigação sobre o evento ocorrido com o voo e reforçou "que a segurança é um valor inegociável e que todas as suas operações seguem rigorosamente os mais elevados padrões técnicos e regulatórios". Vídeo mostra avião da Latam interrompendo decolagem Um vídeo divulgado pelo canal do Youtube Aviação Guarulhos registrou o momento em que o avião da Latam abortou a decolagem. Nas imagens, é possível ver o avião na pista com a decolagem autorizada por volta das 19h, quando o piloto informa: "abortar decolagem". Na sequência, o avião vai para a área chamada taxiway, que é a pista de rolagem onde a aeronave pode rolar (taxiar) de ou para um hangar. Na segunda-feira (16), o avião foi retirado da pista de rolagem do aeroporto. O canal Aviação Guarulhos também registrou esse momento e quando os pneus foram substituídos. Nas redes sociais, circula um vídeo feito por um passageiro que mostra o momento em que o piloto avisa que houve superaquecimento de um dos motores. "Após rejeição, freios se esquentaram. Estamos aguardando liberação dos bombeiros", diz o comandante. Um casal de passageiros que estava no avião relatou momentos de pânico dentro da aeronave, com pessoas chorando e desesperadas. "A gente sentiu o avião subir. Sabe quando o trem de pouso sobe e a gente sente aquela pressão? Nesse instante em que subiu, na hora, deu uma descida, caiu. Pra gente que estava ali dentro, era como se tivesse despencado um prédio inteiro de altura, mas, quando a gente vê os vídeos, não foi tanto", afirmou Bruna Pedrazzi, analista de planejamento financeiro. O que é abortar decolagem? Avião da Latam aborta decolagem neste domingo (15) no Aeroporto Internacional de Guarulhos Reprodução/Aviação Guarulhos JPD Especialistas ouvidos pelo g1 explicaram que interromper uma decolagem é um procedimento normal e seguro. Essa decisão, no entanto, não é tomada de forma improvisada. Ela envolve cálculos técnicos e protocolos rígidos de segurança definidos antes mesmo de a aeronave entrar na pista. Limites são previamente estabelecidos, que variam de acordo com as condições reais do avião e do aeroporto. 👉 Como funciona: Pelo Regulamento Brasileiro da Aviação Civil, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), toda decolagem deve ser planejada a partir de uma velocidade específica, chamada de velocidade de decisão. Esse parâmetro define até que ponto é seguro abortar e a partir de qual momento a aeronave deve necessariamente continuar o procedimento, mesmo diante de uma falha. (leia mais abaixo). Segundo a Anac, uma interrupção pode acontecer em qualquer ponto a partir do início da contagem regressiva ou decolagem. Os motivos vão de erros humanos, técnicos ou de cálculo a problemas meteorológicos ou falhas de funcionamento. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Protocolos de segurança No caso do voo da Latam, a companhia aérea não informou o motivo de a decolagem ter sido abortada. Passageiros que estavam na aeronave, porém, relataram que o piloto informou que o motor havia superaquecido. O avião já estava em alta velocidade e tinha começado a deixar o solo quando freou bruscamente. Bombeiros foram chamados para resfriar os pneus. Segundo o comandante Décio Correa, presidente do Fórum Brasileiro para o Desenvolvimento da Aviação Civil, em relação ao Boeing da Latam, como havia a indicação de superaquecimento, não se podia arriscar. No caso do Boeing 777-300, como é um avião bimotor, de maneira nenhuma pode-se arriscar uma decolagem se você tem, por exemplo, alguma indicação de temperatura alta que possa comprometer. Com isso, razão total para que aborte a decolagem se há condições de abortar. Ele ressalta que abortar é um procedimento normal e qualquer aviador faria isso. "Assusta um pouco, mas é pela segurança tanto abortar quanto arremeter. Qualquer indicativo [de problema] que se tenha no avião, você deve arremeter ou abortar. Isso é o que manda o manual", afirmou. Correa explica que o piloto só pode tomar essa decisão após analisar uma série de fatores, como o comprimento da pista, a temperatura ambiente e o peso da aeronave. A partir desses dados, é definida uma velocidade que garante que a aeronave consiga parar com segurança. "Para abortar uma decolagem vai depender de uma série de fatores e há uma determinada velocidade que você deve atingir para se ter uma abortagem segura, caso contrário, o avião sai da pista", diz. De acordo com ele, essa é a velocidade número 1, a V1, "que é aquela que você pode abortar a decolagem porque vai estar seguro e os freios vão funcionar". "Quando você tem uma freada enérgica, por exemplo, isso faz com que aqueça os freios. E, se o piloto retardar a decisão de 'abortagem', vai ter que aplicar os freios com mais energia e aí eles podem superarquecer", diz. Qual é a velocidade ideal? Avião da Latam aborta decolagem neste domingo (15) no Aeroporto Internacional de Guarulhos Reprodução/Aviação Guarulhos JPD A definição dessa velocidade não é fixa. De acordo com Geraldo Portela, especialista em gerenciamento de risco, ela é calculada pelo computador de bordo da aeronave e varia de voo para voo. Alguns dos critérios levados em conta são: Peso da aeronave: "Quanto mais pesada estiver, mais velocidade ela tem que ter. Então, o limite de velocidade é maior se ela estiver muito cheia e muito pesada". Condições da pista: se é uma pista curta, mais longa, se ela é inclinada, se está seca, se está molhada ou se tem alguma contaminação. Altitude e condições atmosféricas do aeroporto: "Se o ar está menos denso, você exige velocidades maiores para poder gerar sustentação e fazer uma decolagem segura, e a configuração de flaps, que são elementos das asas que determinam a sustentação e o arrasto durante a corrida". Segundo ele, o computador busca um equilíbrio matemático entre todas essas variáveis e define qual é a velocidade V1 para aquela condição específica. Essas condições variam de voo para voo e de aeroporto para aeroporto. Por isso, não existe uma velocidade exata para um avião: ela depende da configuração, da carga, do aeroporto e da temperatura. O computador define essa velocidade, e o piloto trabalha com ela. Até esse limite, ele tem a chance de abortar a decolagem. Ele ainda afirma que, para leigos, o limite pode parecer o mesmo, mas o cálculo é sempre feito caso a caso. “A aeronave é ajustada para a sua condição real naquele aeroporto, com aquela carga, naquele dia específico”, conclui. O piloto Francisco Carlos Miralles também ressalta que abortar um voo antes da V1 é um procedimento normal, mas que, depois dessa fase, corre o risco de avião sair da pista, caso ela seja mais curta. "Qualquer parâmetro antes da V1 devemos abortar pela segurança. Acima da V1, devemos voar, pois não seria mais possível ficar sobre a pista. Se passar da V1, possivelmente não ia parar em cima da pista. Às vezes, o avião levanta um pouco em função dos amortecedores, mas não deve ter saído do chão. No caso do avião da Latam, tudo deu certo e o avião conseguiu voltar graças ao cuidado do comandante". Regras da Anac O Regulamento Brasileiro da Aviação Civil estabelece que, se a falha de motor ocorrer antes de a aeronave atingir a velocidade de decisão, o procedimento correto é abortar a decolagem. Nessa condição, o avião ainda consegue parar dentro da distância de aceleração-parada disponível. Isso ocorre porque a velocidade é menor e, apesar da perda de potência, não há dificuldade em interromper a corrida de decolagem, desde que a ação seja imediata. Por outro lado, se a falha de motor acontecer após a velocidade de decisão ser atingida, o regulamento aponta que a aeronave já dispõe de velocidade e potência suficientes para concluir a decolagem com segurança dentro da distância disponível remanescente. Nessa situação, tentar parar a aeronave seria inadequado, pois, devido à alta velocidade, não haveria distância suficiente para uma frenagem segura. O que diz a Latam sobre o incidente "A LATAM Airlines Brasil esclarece que a aeronave que realizava o voo LA8146 (Guarulhos-Lisboa) deste domingo (15 de fevereiro) interrompeu a sua decolagem. O procedimento foi efetuado em total segurança e é o protocolo previsto para esse tipo de situação. A LATAM ofereceu assistência a todos os clientes, "que foram desembarcados e reacomodados em hotéis e outros voos. A companhia reforça que a segurança é prioridade em todas as suas operações". O que diz a GRU Airport Procurada, a GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto, informou que a decolagem do voo 8146, com destino a Lisboa, foi abortada "em procedimento padrão de segurança". Disse ainda que, "conforme protocolo, a equipe de combate a incêndio da concessionária foi acionada. A aeronave deslocou-se por meios próprios até uma área segura, onde os procedimentos tiveram continuidade. Não houve feridos". Afirmou que o atendimento aos passageiros foi realizado pela companhia aérea responsável pelo voo, e que a operação do aeroporto seguiu sem interrupções. Initial plugin text Initial plugin text

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/02/20/aviao-abortou-decolagem-em-guarulhos-apos-indicativo-de-motor-com-temperatura-acima-do-limite-diz-documento-do-cenipa.ghtml


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