Aulas de defesa pessoal resgatam confiança de vítimas de violência em academia de Sorocaba: 'Cansei de contar com a sorte', diz aluna

  • 19/08/2026
(Foto: Reprodução)
Krav Maga: defesa pessoal israelense vira alternativa para mulheres contra violência Os casos de violência contra as mulheres continuam crescendo em todo o estado de São Paulo, e Sorocaba (SP) não é exceção. De janeiro a julho de 2026, a cidade registrou cerca de 1,5 mil violações, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Em meio ao aumento dos casos, o Krav Maga, sistema de defesa pessoal criado em Israel, é uma das formas utilizadas para ensinar mulheres a reconhecer situações de risco e saber como reagir diante de possíveis agressões, sejam elas em casa ou na rua. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Aluna Daniela Hiromhi Doi treina técnicas de defesa pessoal durante aula de Krav Maga em Sorocaba (SP) Arquivo Pessoal ♀️💜 Neste Agosto Lilás, mês de conscientização pelo fim da violência doméstica e familiar contra a mulher, o g1 conversou com o instrutor Rodrigo Maia, de Sorocaba, que comanda uma academia da modalidade e está disponibilizando aulas gratuitas para mulheres durante a campanha. "O Krav Maga não depende de força, já que os golpes são curtos, rápidos e objetivos, além de direcionados a pontos sensíveis. Cerca de 30% dos alunos das turmas são mulheres, algumas que já foram vítimas de violência e não querem passar por isso novamente, e outras que buscam se preparar para evitar uma possível agressão", diz. Rodrigo reforça que, além da segurança, as técnicas de defesa pessoal também ajudam mulheres a superar o medo da violência. "A violência, especialmente contra a mulher, é inadmissível. Nosso objetivo é que elas aprendam a se proteger, recuperem a autoestima e a autoconfiança", complementa. LEIA TAMBÉM Sorocaba terá aulas grátis de defesa pessoal para mulheres; mulheres com medida protetiva terão prioridade Vítima de violência doméstica, mulher relembra agressões e fala sobre processo de auto perdão: 'Superei muita coisa' Daniela Hiromhi Doi, que frequenta as aulas da instituição, conta que começou a praticar depois de já ter sido vítima de assédio, assaltos e tentativas de violência sexual. "Muita coisa já aconteceu comigo, e eu cansei de contar apenas com a sorte para que nada mais grave acontecesse, porque eu não sabia como me defender. Conheço uma amiga que sofreu agressão em casa e ela conseguiu se defender. Coisa que ela jamais teria conseguido se ela não estivesse treinando o Krav Maga", relata. Daniela começou a treinar há sete anos e afirma que a modalidade mudou a forma como se comporta na rua. Segundo ela, as aulas não ensinam apenas técnicas para reagir a uma agressão, mas também ajudam a identificar situações de risco e evitá-las. "Aprendemos não só a nos defender no momento da agressão, mas também a identificar uma situação de risco antes que ela aconteça. Se estou andando na rua, por exemplo, fico atenta a quem está atrás de mim, quem está por perto e quem pode oferecer algum tipo de perigo", explica. Sistema de defesa pessoal "Krav Maga" ajuda mulheres a recuperarem a confiança Arquivo Pessoal Segundo o instrutor, as mulheres interessadas podem participar das aulas mesmo que nunca tenham praticado uma arte marcial. As vagas são limitadas e, para se inscrever, é necessário entrar em contato com a central de atendimento pelo número (11) 97041-9797. Mais informações podem ser obtidas no site. "Faço o convite para que todas as mulheres participem da campanha, aprendam a se defender e percebam que são capazes de reagir mesmo diante de um agressor mais forte. É uma grande oportunidade", finaliza o instrutor. A psicóloga Thais Mazzoti, de Sorocaba, reforça que reconhecer os sinais de violência também é uma forma de proteção. Segundo ela, os episódios podem começar de maneira gradual, com comportamentos que nem sempre são percebidos como agressivos, e evoluir para situações mais graves. "Começa com chantagens, mentiras, ciúme excessivo, ofensas, passando para controle e proibições, destruição de bens pessoais, confinamento, agressões físicas, abuso sexual e, por fim, feminicídio. Assim, reconhecer essas violências e tomar uma atitude o quanto antes é fundamental", explica. Daniela Hiromhi Doi durante treino de Krav Maga em Sorocaba (SP) Arquivo Pessoal ⚖️ Medidas protetivas e direitos Além da defesa pessoal, as mulheres vítimas de violência física ou psicológica têm direito a uma série de medidas de proteção, segundo Taciana Cristina da Costa Cruz, coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera de Sorocaba. "A denúncia pode ser feita sem que a vítima tenha, inicialmente, todas as provas da violência. A autoridade policial é responsável por apurar o caso, e o relato da mulher tem peso durante a investigação", reforça. De acordo com a especialista, entre os principais direitos e medidas de proteção estão: Medida protetiva: pode determinar que o agressor mantenha distância da vítima e proibir qualquer tipo de contato. A restrição pode incluir ligações telefônicas, mensagens, e-mails e contatos por aplicativos; Afastamento do agressor: quando a medida protetiva determina que o homem deixe a residência, ele pode ser retirado do lar com apoio da força policial, caso seja necessário; Acolhimento e abrigo: em situações em que há risco à vida, a mulher pode ser encaminhada para serviços de acolhimento. Em Jundiaí (SP), a Casa Sol oferece proteção, acompanhamento psicológico e assistência social a mulheres em situação de violência; Afastamento do trabalho: dependendo das circunstâncias do caso, a mulher pode ter direito ao afastamento do trabalho para preservar sua segurança. A legislação prevê a manutenção do vínculo trabalhista por até seis meses, mediante determinação judicial; Proteção aos filhos: as medidas também podem alcançar os filhos quando houver risco de violência. Se não houver risco às crianças, o pai pode manter o direito de convivência. Em determinadas situações, porém, a retirada dos filhos pode ser feita por outra pessoa, para evitar o contato direto entre o agressor e a vítima. A coordenadora ressalta ainda que a mulher não precisa necessariamente procurar uma delegacia para buscar orientação. Ela também pode recorrer à Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. "É muito difícil a gente orientar porque cada mulher tem uma realidade diferente. Muitas vezes, esse controle, essa violência, não começa com a agressão. (...) Orientamos ficar atentas a esses sinais, mesmo que a violência seja psicológica, procure a orientação da autoridade policial, para fazer essa denúncia e sair disso o quanto antes", afirma. Violência contra a mulher Divulgação/CGJ-MA 👮🏾‍♀️ Atendimento especializado Além disso, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), em Sorocaba e Jundiaí, mulheres vítimas de violência contam com serviços especializados para registrar denúncias e buscar proteção. Entre os serviços disponíveis estão as Salas da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) 24 horas, instaladas em unidades policiais. Os espaços permitem que mulheres vítimas de violência sejam atendidas pela DDM Online mesmo fora do horário de funcionamento das delegacias especializadas. Em Sorocaba, duas novas Salas DDM foram anunciadas para funcionar no 1º Distrito Policial e no plantão policial. A região também passou a contar com novas estruturas em Cesário Lange e Salto. Já em Jundiaí, o atendimento especializado por meio de Sala DDM 24 horas funciona na Central de Polícia Judiciária (CPJ), estrutura que integra a rede estadual de atendimento. Segundo a SSP, a mulher pode procurar uma unidade policial que tenha o serviço e ser encaminhada para atendimento reservado com uma equipe da DDM Online. O sistema permite o registro da ocorrência e a solicitação de medidas protetivas. Em casos de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. A mulher também pode buscar orientação e registrar denúncias pelos canais especializados de atendimento à violência contra a mulher. Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba (SP) Google Street View/Reprodução *Colaborou sob supervisão de Júlia Martins Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/08/19/aulas-de-defesa-pessoal-resgatam-confianca-de-vitimas-de-violencia-em-academia-de-sorocaba-cansei-de-contar-com-a-sorte-diz-aluna.ghtml


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