Auditoria aponta 583 mil atendimentos a mais em contrato do Poupatempo no RJ
11/09/2026
(Foto: Reprodução) Palácio Guanabara
Reprodução/TV Globo
Uma auditoria do Governo do Rio identificou irregularidades na contabilização e no pagamento de serviços prestados pelo consórcio que administra três unidades do Poupatempo RJ. O contrato, firmado em 2023 com o Consórcio Central da Cidadania, é responsável pelas unidades de Bangu, na Zona Oeste do Rio, em Duque de Caxias e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Segundo o relatório, houve divergências entre a quantidade de atendimentos informada pelo consórcio e os números comprovados pelos órgãos parceiros do programa, como Detran, secretarias de Educação, Transporte e Mobilidade Urbana e Defesa do Consumidor.
Em junho, o consórcio informou 845 mil atendimentos, mas os órgãos estaduais validaram 261,8 mil, uma diferença (583 mil) que representa cerca de R$ 15 milhões.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça
Agora no g1
A auditoria também apontou a inclusão, nas cobranças, de serviços que não podem ser contabilizados para pagamento, como triagem, orientações informais, cópias de documentos, fotografias e consultas que não geram registro nos sistemas.
Também foram encontradas divergências em serviços que dependem de confirmação dos órgãos parceiros, como a entrega de carteiras de identidade e de habilitação. Segundo o relatório, esses serviços devem ser contabilizados pela efetiva retirada do documento pelo cidadão, e não apenas pela emissão.
O governo afirma ainda que, até maio de 2026, os relatórios do consórcio não identificavam nominalmente os cidadãos atendidos nem informavam o CPF. A exigência para que esses dados passassem a constar nos relatórios foi feita pelo governo naquele mês.
Após a conclusão da auditoria, o governo pagou nesta semana R$ 14 milhões ao consórcio. O valor corresponde a dois terços dos valores mínimos contratuais em aberto de maio e junho, nas três unidades, além dos valores de abril referentes à unidade de Duque de Caxias.
O outro terço foi retido pelo governo para descontar o prejuízo apontado na auditoria e o valor considerado como lucro do consórcio.
Notificação
Na quinta-feira (10), o Consórcio Central da Cidadania notificou o governo e exigiu o pagamento dos valores que afirma ter direito em até cinco dias. A empresa ameaçou paralisar os serviços caso o pagamento não seja feito.
O governo informou que vai encaminhar o relatório da auditoria ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) também pretende recorrer à Justiça para impedir uma eventual paralisação dos serviços.
A PGE ainda vai analisar a cobrança de valores que teriam sido pagos indevidamente pelo Estado durante a vigência do contrato.
🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.