Áudios revelam esquema de bebidas com metanol ligado a mortes em SP

  • 25/01/2026
Exclusivo: o esquema de falsificação comandado por uma mulher e que distribuia bebida batizada por toda a Grande São Paulo A polícia de São Paulo investiga novos desdobramentos dos casos de intoxicação por metanol registrados no estado. O "Fantástico" obteve áudios extraídos do celular de Vanessa Maria da Silva, presa e condenada por falsificação de bebidas e que também é investigada por homicídio. As mensagens dão pistas de como funcionava o esquema de adulteração. Segundo a polícia, Vanessa foi responsável pela morte de pelo menos duas pessoas. Ela está no centro da investigação sobre intoxicação causada pelo consumo de bebida adulterada. De acordo com a polícia, os criminosos normalmente usavam etanol na produção das bebidas falsas — o que já é proibido —, mas acabaram traídos por uma outra adulteração. Segundo a delegada responsável pelo caso, na fabricação das bebidas os envolvidos utilizavam álcool de posto. A polícia acredita que esse álcool, naquela ocasião, estava batizado com metanol, o que provocou os diversos casos de intoxicação. O metanol é altamente tóxico e pode ser fatal. As duas mortes confirmadas são de homens que beberam no mesmo local: um bar na Zona Leste de São Paulo, que foi interditado em outubro. O dono do estabelecimento confessou à polícia que havia comprado bebida adulterada de um revendedor. A polícia identificou esse distribuidor, que apontou Vanessa como sua fornecedora. Vanessa foi presa em flagrante em uma fábrica clandestina de bebidas em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. No local, a polícia encontrou recipientes de plástico com metanol. Durante a operação, foram apreendidos documentos e o celular da falsificadora. A partir desse material, foi possível desvendar como funcionava a distribuição clandestina. Vanessa trabalhava com uma série de revendedores, e as bebidas fabricadas por ela estavam espalhadas por toda a Região Metropolitana de São Paulo. Com o material recolhido pela polícia, foi possível montar um mapa e identificar os estabelecimentos que compraram bebidas da fábrica clandestina. Todos faziam os pedidos por meio de intermediários que trabalhavam para Vanessa. Em uma das mensagens, uma revendedora relatou à Vanessa a reclamação de uma comerciante: “Ela falou: eu cheirei aqui, é puro álcool. Então, numa dessas, já pensou se dá um problema e a pessoa vai parar no hospital? A pessoa está pensando que está tomando vodca e está tomando álcool?” Quando surgiram os casos de intoxicação por metanol, alguns comerciantes ficaram preocupados com a repercussão. Em outubro, Vanessa enviou uma mensagem para tranquilizar o dono de um bar, garantindo que a mercadoria não tinha problema. Na resposta, ele disse que achou melhor recolher o produto. Vanessa foi presa em outubro e julgada em dezembro. Ela foi condenada em primeira instância a sete anos de prisão, em regime fechado, pelo crime de falsificação de bebidas. O Fantástico teve acesso às imagens do julgamento. Questionada pela juíza, Vanessa negou que vendesse bebida falsificada. Disse que o local onde a polícia encontrou a fábrica era uma garagem de uso comum dos moradores, mas reconheceu que sabia que ali havia materiais usados para a fabricação de bebidas. Os investigados no entorno de Vanessa são o cunhado, o ex-companheiro e o pai dela. Em depoimento, o ex-cunhado, Gilmar Silva dos Santos, confessou que falsificava vodcas, mas com bebidas mais baratas. Ele negou o uso de metanol e confirmou que Vanessa manipulava bebidas. O Fantástico não conseguiu localizar as defesas do pai, João Antônio da Silva, e do ex-marido, Renan Felizardo Martins. O advogado de Vanessa questiona a forma como a polícia teve acesso aos dados do celular dela. Segundo a investigação, as bebidas falsificadas de Vanessa provocaram as duas mortes de clientes do bar da Zona Leste de São Paulo e deixaram outro homem cego. A polícia acredita que pode haver mais vítimas, especialmente em São Bernardo do Campo, onde ficava a fábrica clandestina. De acordo com o Ministério da Saúde, até a última sexta-feira, foram registrados 25 casos fatais no país, em um total de 76 pessoas intoxicadas após ingerirem bebidas com a substância. Houve um crescimento de mais de 400% no número de casos de adulteração no país de 2024 para 2025, o que aumenta os cuidados que comerciantes devem ter. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/01/25/audios-revelam-esquema-de-bebidas-com-metanol-ligado-a-mortes-em-sp.ghtml


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