Artista transforma haras de 1,2 milhão de m² em parque de esculturas e natureza: 'Quero instigar'
10/10/2026
(Foto: Reprodução) Artista transforma haras de 1,2 milhão de m² em parque de esculturas e natureza
A palavra arte é curta, tem apenas duas sílabas, mas carrega um significado enorme. Derivada do latim ars, que significa técnica ou habilidade, ela permite que os humanos expressem ideias, sentimentos e mensagens por meio de formas, sons, palavras e imagens. Ao longo da história, a arte também teve um papel importante na transformação das formas de comunicação.
Victor Foroni, nascido em São Roque (SP), optou por utilizar as características visuais da arte para poder se expressar. Artista renomado há mais de quatro décadas, ele inaugurou um parque de esculturas em um antigo haras de Boituva (SP), em um espaço de 1,2 milhão de metros quadrados.
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Ao g1, Victor, que é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), conta que o haras não é totalmente utilizado para abrigar suas esculturas. O local já era de propriedade dele, que também foi criador de cavalos.
"Eu era criador de cavalos de hipismo e, inclusive, participava de competições. Era uma tradição familiar nossa. O local que eu usava em São Roque ficou pequeno e comprei essa terra em Boituva para transformá-la em um haras. Tinha uma área grande, com plantas de diversas espécies que foram cultivadas nas últimas quatro décadas", relata.
Victor é artista há quatro décadas
Divulgação
Paralelo à vida de empresário e competidor de hipismo, Victor sempre teve uma paixão pela arte. Desde cedo, frequentava o ateliê do pintor Alfredo Volpi, na capital paulista, devido à proximidade de um tio artista que o levava para conhecer as produções de perto, ainda na infância.
"Já faz uns 20 anos que me afastei da carreira de empresário, e eu fui tendo mais tempo para me dedicar à arte. Fui produzindo mais, até que chegou o momento que tive que colocar todas as obras em algum lugar. Então, pensei no haras e assim foi feito", pontua.
Atualmente, o parque artístico é composto inteiramente por obras de Victor, que não estão à venda. Para 2027, o artista pretende fundar no local o Instituto Victor Foroni, que ele quer consolidar como o maior voltado às artes visuais do estado de São Paulo.
"Além das esculturas, também há pinturas, que ocupam uma parte daquilo que foi o haras. Para ter uma personalidade jurídica própria, está sendo fundado um instituto dedicado à arte. A ideia é juntar a arte, a natureza, as plantas que cresceram durante quatro décadas. É realmente agradável, bonito, botânico e impactante", descreve.
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Paulo Toledo Piza/G1
Durante a carreira, Victor chegou a trabalhar com grandes arquitetos brasileiros do século XX, como Paulo Mendes da Rocha e Ruy Ohtake. Ele, inclusive, é um dos co-responsáveis pela obra do Sesc Pompeia, importante estrutura assinada pela ítalo-brasileira Lina Bo Bardi.
"Eu tive, também, relacionamento com outros artistas. Foi uma coisa de berço. Como presidente da Método Engenharia, tive contatos com arquitetos muito especiais. Fiz o Hotel Unique, o Centro Tomie Ohtake e uma lista enorme", diz, com orgulho
Victor reforça sua parceria com Bo Bardi durante a construção do Sesc Pompeia, concluído em 1986. O espaço funcionava em uma antiga fábrica, completamente remodelada para abrigar um dos centros culturais mais importantes de São Paulo, hoje tombado como patrimônio cultural.
Ele relata como foi o processo de criação do projeto arquitetônico ao lado de Lina.
"Todas as janelas irregulares, desenhadas na fachada, ela fazia com giz na parede de concreto. Eu ia atrás, acertando as ferragens e os detalhes para poder fazer aquela inserção. Fomos muito próximos por cerca de três anos", lembra.
Hotel Unique
Divulgação
Na opinião do escultor, o relacionamento com a arquitetura e o urbanismo foram importantes para organizar a visão artística para a produção de obras. Para ele, trabalhar com nomes renomados foi o equivalente a "estudar em uma escola".
"Isso organizou minha cabeça do ponto de vista estética e volumétrico. Nisso, comecei a produzir as minhas esculturas. Usei madeira, aço, concreto, os materiais que eu dispunha. Pintar foi apenas uma consequência. Fazia à mão livre, desde a escola. Tenho influências diretas", comenta.
Expectativas futuras
O parque artístico de Victor foi inaugurado no início de outubro e, desde então, a expectativa é de que o local receba cada vez mais visitantes. A região de Boituva, segundo ele, é um "ponto focal" na carreira como escultor e pintor.
"Espero que a exposição seja visitada, primeiro, pelos meus amigos, familiares e pessoas próximas a mim. Em segundo lugar, pelas pessoas da região. Tenho uma relação muito legal com a região e espero que as pessoas possam desfrutar disso."
Além disso, Foroni também faz um apelo à preservação da natureza. Ele afirma que o espaço, além de contar com as obras de arte, serve como resistência ao desmatamento, que tem tomado proporções cada vez maiores em comparação às últimas quatro décadas.
"A natureza tem sido massacrada pelo homem, que destrói a natureza com tranquilidade, e eu tenho visto pouca resistência quanto a isso. É impensável e me surpreende muito que não há clamor popular contra isso. Minha pretensão, vendo o espaço que levou quatro décadas para ser construído, é que as pessoas possam perceber que a Terra é uma só e não tem plano B", desabafa.
Exposição fica em um antigo haras de Victor
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"Se matarmos a Terra, estamos matando nossa casa. Quero instigar as pessoas a amarem mais a natureza e defendê-la quando for atacada. Se só tiver o ataque da especulação, dos fazendeiros gananciosos, sem resistência, eles ganharão em breve", finaliza.
A exposição está aberta todos os dias, das 14h às 18h, até fevereiro de 2027. O Instituto Victor Foroni fica na Rodovia Boituva-Quarenta, 2337, na Fazenda Santo Antônio.
Local também conta com exposição de pinturas feitas por Victor
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