Apple aumenta preços de MacBooks e iPads após disparada no custo de memória

  • 25/06/2026
(Foto: Reprodução)
MacBook Neo exibido em evento da Apple em Nova York nesta quarta (04) Shannon Stapleton/Reuters A Apple aumentou nesta quinta-feira (25) os preços de iPads e MacBooks, afirmando que não consegue mais absorver a forte alta nos custos dos chips de memória e armazenamento, impulsionada pela expansão dos data centers voltados à inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A medida não afeta o iPhone, principal fonte de receita da empresa. No entanto, eleva o preço inicial do MacBook Neo, seu notebook mais barato, voltado para competir com laptops acessíveis com Windows e Chromebooks, de US$ 599 (cerca de R$ 3.115) para US$ 699 (cerca de R$ 3.635), apenas alguns meses após o lançamento. O reajuste mostra que nem mesmo a empresa de eletrônicos de consumo mais valiosa do mundo — conhecida por sua cadeia de suprimentos altamente eficiente — conseguiu escapar da disparada nos preços da memória, que já prejudica as perspectivas de vendas de smartphones e computadores. Fabricantes de memória, como a Micron, têm priorizado nos últimos meses os pedidos de empresas de chips para IA, como a Nvidia. A estratégia garantiu lucros recordes ao setor, mas reduziu a oferta para fabricantes de eletrônicos, que passaram a repassar parte dos custos aos consumidores. Agora no g1 "Nunca vimos um aumento no preço de um componente tão grande e tão rápido", afirmou a Apple em comunicado. "Até agora conseguimos absorver esses custos, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a reajustar os preços de diversos produtos, incluindo os iPads e Macs anunciados hoje." Segundo os novos preços publicados no site da empresa: O MacBook Air com 512 GB de armazenamento passou de US$ 1.099 (cerca de R$ 5.715) para US$ 1.299 (cerca de R$ 6.755); O MacBook Pro com 1 TB passou de US$ 1.699 (cerca de R$ 8.835) para US$ 1.999 (cerca de R$ 10.395); O iPad Air com 128 GB subiu de US$ 599 (cerca de R$ 3.115) para US$ 749 (cerca de R$ 3.895), entre outros reajustes. A Apple também aumentou os preços das duas versões do alto-falante inteligente HomePod e do dispositivo de streaming Apple TV, embora não tenha informado os novos valores. Os novos valores já aparecem no site da empresa. Após o anúncio, as ações da empresa caíam 0,7% nas negociações de pré-abertura da bolsa. Em abril, a Apple já havia informado que seus estoques existentes ajudaram a manter a margem de lucro acima das expectativas do mercado, mas alertou que o aumento dos custos da memória começaria a impactar os resultados a partir do fim de junho. "Esperamos custos significativamente mais altos com memória", afirmou o CEO Tim Cook durante conferência com analistas no fim de abril. "Embora não façamos previsões além do trimestre encerrado em junho, posso dizer que acreditamos que os custos de memória terão um impacto cada vez maior sobre nossos negócios", acrescentou. Tim Cook, CEO da Apple Reprodução Alta da memória pressiona fabricantes de eletrônicos A Apple não detalhou quais outras medidas, além do aumento de preços, está adotando para lidar com a alta dos custos de memória. A empresa afirmou apenas que "sabe que essa não é uma notícia bem-vinda" e que trabalha para encontrar soluções. Os preços da DRAM (memória dinâmica de acesso aleatório), utilizada em praticamente todos os dispositivos eletrônicos modernos, subiram até 98% no primeiro trimestre de 2026 e devem avançar mais 58% a 63% no trimestre atual, segundo a consultoria TrendForce. O fenômeno, apelidado por alguns especialistas de "RAMageddon", é resultado do boom na construção de data centers para inteligência artificial. Empresas como a Nvidia firmaram contratos de longo prazo com fabricantes de memória, que correm para ampliar sua capacidade de produção. Na quarta-feira (24), a Micron informou ter fechado US$ 22 bilhões (R$ 114,4 bilhões) em compromissos de longo prazo com clientes interessados em garantir o fornecimento desses componentes. Os custos mais elevados devem pressionar as vendas de dispositivos neste ano. A consultoria IDC estima que o mercado de smartphones registrará sua maior queda anual da história, de quase 14%, enquanto o mercado de PCs deverá encolher 11,3%. "O cenário para a memória é difícil e continuará estruturalmente desafiador no futuro próximo", afirmou Ben Bajarin, CEO da consultoria Creative Strategies. "Já havia sinais de que a Apple precisaria aumentar os preços. E, se uma empresa com uma cadeia de suprimentos tão eficiente quanto a da Apple precisou fazer isso, há preocupação de que o restante da indústria tenha de elevar os preços ainda mais." Um dos poucos destaques positivos vinha sendo justamente o MacBook Neo, lançado em março. O modelo ajudou a impulsionar as projeções de vendas da Apple para o trimestre encerrado em junho e levou analistas a revisar para cima suas estimativas para o mercado de computadores. Com o reajuste, o MacBook Neo passou a custar US$ 699 (cerca de R$ 3.656) e perdeu a vantagem de US$ 100 que tinha sobre o Dell XPS 13, lançado no mês passado também por US$ 699 (cerca de R$ 3.656) para competir diretamente com o notebook da Apple. Além disso, o Neo passa a custar mais do que alguns Chromebooks vendidos por Lenovo e Asus.

FONTE: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/06/25/apple-aumenta-precos-de-macbooks-e-ipads-apos-disparada-no-custo-de-memoria.ghtml


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