Após pressão de Belém por mapa do caminho, entenda quais são os desafios e o que esperar da COP31
08/11/2026
(Foto: Reprodução) Um ano depois da COP30, realizada em Belém, no Pará, a conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) volta a reunir representantes de quase 200 países, desta vez em Antália, na Turquia.
A COP31 começa na próxima segunda-feira (9) e segue até o dia 20 de novembro, tendo como um dos principais desafios transformar em ações concretas os compromissos assumidos pelos países para enfrentar o aquecimento global.
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Uma das maiores expectativas está justamente no futuro do chamado "mapa do caminho" para a transição para longe dos combustíveis fósseis, defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por dezenas de países durante a COP de Belém.
A proposta, que busca estabelecer caminhos para reduzir a dependência mundial de petróleo, gás e carvão, não conseguiu entrar no acordo final da COP30, diante da resistência de países que dependem economicamente desses combustíveis.
Apesar disso, a presidência brasileira da conferência assumiu o compromisso de elaborar o documento por conta própria e apresentou, na última terça-feira (3), dois roteiros internacionais: um para a transição energética e outro para interromper e reverter o desmatamento até 2030.
Agora, a dúvida é se essas propostas conseguirão apoio político na Turquia e serão incorporadas às próximas negociações climáticas ou se permanecerão apenas como iniciativas voluntárias.
O desafio ocorre em um momento especialmente difícil para a diplomacia internacional, marcado por conflitos geopolíticos, pela crise energética mundial e pela necessidade de ampliar os recursos destinados aos países mais vulneráveis às mudanças climáticas.
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Por isso, para ambientalistas, o resultado da COP31 dependerá principalmente da capacidade dos países de transformar os compromissos já existentes em políticas públicas, investimentos e medidas capazes de reduzir efetivamente as emissões.
"Os mapas do caminho para essas duas agendas precisam sair do campo das intenções e se transformar em políticas, investimentos e compromissos verificáveis", afirma Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas do WWF-Brasil.
Já Stela Herschmann, líder de política internacional do Observatório do Clima (OC), avalia que a conferência será um teste para a disposição dos governos de colocar em prática as medidas propostas pelo Brasil.
"A COP31 começa com um mapa dizendo como fazer isso e mais, que todos já podem e devem começar. Resta saber se os líderes terão a coragem de fazê-lo", afirma.
Mas o que é a COP31, qual é a importância do mapa do caminho apresentado pelo Brasil e quais serão os principais desafios das negociações?
Abaixo, nesta reportagem, você vai ver:
O que é a COP31 e quem vai comandar a conferência?
O que ficou da COP30 em Belém?
O que é o mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis?
O que deve ser discutido na COP31?
O que esperar da participação do Brasil?
Estrutura da COP31, conferência do clima da ONU que será realizada entre 9 e 20 de novembro de 2026, em Antalya, na Turquia.
UN Climate Change/Kiara Worth
O que é a COP31 e quem vai comandar a conferência?
A COP31 é a 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, principal encontro internacional para discutir medidas de enfrentamento à crise climática.
Realizada anualmente desde 1995, com exceção de 2020 por causa da pandemia, a conferência reúne representantes de governos, cientistas, organizações ambientais, empresas, povos indígenas e integrantes da sociedade civil.
É nesse encontro que os países discutem como reduzir as emissões de gases de efeito estufa, financiar ações climáticas e se preparar para os impactos do aquecimento global.
A COP31, porém, terá uma característica inédita: pela primeira vez, dois países dividirão as responsabilidades de condução da conferência.
A Turquia será responsável pela presidência oficial e pela organização do encontro, sob o comando do ministro do Meio Ambiente, Urbanização e Mudança do Clima, Murat Kurum.
Já a Austrália, representada pelo ministro de Mudança Climática e Energia, Chris Bowen, ficará responsável pelas negociações entre os países.
A divisão foi resultado de um acordo alcançado durante a COP30, depois de uma disputa entre os dois governos para sediar a conferência.
Na prática, o arranjo significa que a Austrália terá a tarefa de buscar consensos entre quase 200 países, ao passo que a Turquia ficará responsável pela presidência formal e pela chamada Agenda de Ação, que reúne iniciativas e compromissos voluntários.
Essa divisão também será um teste político para a conferência, já que as duas nações terão de trabalhar juntas para alcançar um resultado final.
Os anfitriões enfrentam, ainda, questionamentos sobre suas próprias políticas energéticas. A Turquia mantém uma forte dependência do carvão para gerar eletricidade, e a Austrália está entre os grandes exportadores mundiais desse combustível.
Para Mine Doğan, gerente de conservação do WWF-Turquia para clima, energia e biodiversidade, a conferência representa uma oportunidade de o país demonstrar liderança internacional.
"Essa liderança se constrói com credibilidade, e políticas nacionais plenamente alinhadas à meta de 1,5°C podem oferecer uma base sólida para isso", afirma.
Bandeiras da Turquia e da ONU na sede da COP31, conferência do clima que será realizada de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antalya, na Turquia.
UN Climate Change/Kiara Worth
O que é o mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis?
O mapa do caminho é um documento elaborado pela presidência brasileira da COP30 para orientar os países na redução gradual da dependência de petróleo, gás natural e carvão.
A proposta considera que cada país tem uma realidade diferente e prevê três frentes principais:
Consumo: reduzir o uso de combustíveis fósseis nos transportes, nas indústrias e nos edifícios.
Produção: diminuir gradualmente a extração de petróleo, gás e carvão e ampliar o uso de fontes renováveis.
Economia: avaliar os impactos da transição sobre empregos, investimentos e arrecadação.
O documento também defende que a redução da produção acompanhe a queda do consumo, para evitar problemas de abastecimento e oscilações de preços.
Apesar de reconhecerem a importância da iniciativa, organizações ambientalistas apontam a falta de metas e prazos claros.
O Greenpeace também critica a ausência de uma recomendação para interromper a abertura de novas áreas de exploração de petróleo.
Ativista protesta com um cartaz com os dizeres "chega de combustíveis fósseis" na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Dubai, a COP 28.
REUTERS/Thaier Al-Sudani
O que ficou da COP30 em Belém?
A COP30, realizada em novembro de 2025, terminou com avanços em áreas como adaptação e financiamento climático, mas deixou pendente uma das principais discussões defendidas pelo governo brasileiro: a criação de um plano internacional para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
Durante o encontro, Lula defendeu que os países estabelecessem um roteiro para colocar em prática uma decisão histórica tomada na COP28, em Dubai, em 2023.
Na ocasião, pela primeira vez, os governos reconheceram em um acordo climático da ONU a necessidade de realizar uma transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos.
O compromisso, porém, não estabeleceu prazos obrigatórios nem definiu como essa transição deveria acontecer.
Por isso, em Belém, o Brasil tentou avançar na construção de um "mapa do caminho", expressão utilizada para descrever um plano com etapas, medidas e orientações que ajudassem os países a abandonar gradualmente esses combustíveis.
A proposta recebeu o apoio de mais de 80 países, mas enfrentou resistência durante as negociações e acabou ficando de fora da decisão final.
Diante do impasse, o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, anunciou que a presidência brasileira elaboraria os documentos voluntariamente, sem a necessidade de aprovação dos demais governos.
Os dois roteiros foram apresentados em Brasília na última terça-feira (3), poucos dias antes da abertura da COP31.
Segundo a presidência brasileira, os documentos foram construídos a partir de consultas internacionais e procuram oferecer caminhos diferentes, levando em consideração as condições econômicas e energéticas de cada país.
Mas há uma limitação importante: os mapas do caminho não são acordos internacionais e não obrigam os governos a adotar suas recomendações.
Para o Observatório do Clima, a prioridade em Antália será garantir que os documentos sejam reconhecidos politicamente e que os países assumam o compromisso de desenvolver seus próprios planos nacionais.
O Greenpeace também defende que a conferência faça esse chamado, começando pelos países desenvolvidos, que têm maior responsabilidade histórica pelas emissões e mais recursos para financiar a transição.
"Esperamos que seja recepcionado o Mapa do Caminho global, lançado pelo Brasil, e que a COP31 faça um chamado para que todos os países desenvolvam seus próprios roteiros nacionais", afirma Anna Cárcamo, especialista em política climática do Greenpeace Brasil.
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Vista aérea mostra área desmatada da Floresta Amazônica em Humaitá, no Amazonas, em 7 de agosto de 2024.
REUTERS/Adriano Machado
O que deve ser discutido na COP31?
Embora diversos assuntos estejam previstos na agenda da conferência, especialistas e organizações ambientais apontam cinco grandes temas que devem concentrar as discussões:
Transição energética e combustíveis fósseis;
Financiamento climático;
Transição justa;
Adaptação às mudanças climáticas;
Desmatamento, florestas e oceanos.
Veja a seguir o que está em jogo em cada um deles.
1 - Transição energética e combustíveis fósseis
Um dos principais desafios da COP31 será definir como dar continuidade à discussão sobre a redução do uso de petróleo, gás e carvão.
Apesar do lançamento do mapa do caminho brasileiro, ainda não está claro se os governos aceitarão incorporar o documento às decisões oficiais da conferência.
A principal aposta da presidência turca para a área de energia é uma proposta conhecida como "35 até 35", que pretende aumentar para 35% até 2035 a participação da eletricidade no consumo final de energia mundial.
Na prática, a ideia é ampliar o uso da eletricidade em atividades que hoje dependem diretamente de combustíveis fósseis, como os transportes, a indústria e o aquecimento de edifícios.
Isso inclui, por exemplo, substituir veículos movidos a gasolina ou diesel por modelos elétricos e ampliar a utilização de equipamentos industriais alimentados por eletricidade.
A proposta foi apresentada pela presidência turca como um compromisso voluntário que os países poderão apoiar.
O problema, segundo ambientalistas, é que aumentar o consumo de eletricidade não significa necessariamente reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Isso porque a eletricidade também pode ser produzida pela queima de carvão, petróleo e gás natural.
Por isso, organizações como o Greenpeace e o Observatório do Clima defendem que a meta esteja diretamente vinculada à ampliação das energias renováveis e à substituição efetiva dos combustíveis fósseis.
O Observatório do Clima também alerta que a eletrificação não pode substituir a discussão mais ampla sobre o abandono dos fósseis, especialmente porque a proposta turca não estabelece, por si só, limites à produção desses combustíveis.
Para o WWF-Brasil, o sucesso dependerá da capacidade dos países de transformar as metas de redução de emissões em políticas públicas e investimentos.
"Não há mais espaço para metas climáticas que não se traduzam em redução efetiva de emissões", afirma Alexandre Prado.
2 - Financiamento climático
Outro tema central será o financiamento climático, ou seja, os recursos destinados a ajudar os países a reduzir suas emissões e enfrentar os impactos do aquecimento global.
Essa é uma das discussões mais difíceis das conferências da ONU porque envolve divergências sobre quanto dinheiro deve ser oferecido, quem deve pagar e quais países devem receber os recursos.
Na COP29, realizada no Azerbaijão, os governos concordaram com uma nova meta de mobilizar pelo menos US$ 300 bilhões por ano para os países em desenvolvimento até 2035, sob liderança das nações desenvolvidas.
Também foi estabelecido o objetivo mais amplo de alcançar US$ 1,3 trilhão anuais até o mesmo período, considerando diferentes fontes públicas e privadas.
Em Belém, a presidência brasileira procurou avançar nessa discussão por meio de um roteiro internacional elaborado em parceria com o Azerbaijão.
Na COP31, a expectativa é que o Brasil apresente uma atualização desse documento, indicando caminhos para ampliar a mobilização dos recursos.
Mas uma das principais divergências permanece: os países em desenvolvimento querem garantias de que receberão mais dinheiro público, sem depender principalmente de empréstimos que possam aumentar suas dívidas.
Para Tatiana Oliveira, líder da estratégia internacional do WWF-Brasil, os governos precisam demonstrar que os compromissos financeiros podem se transformar em recursos efetivamente disponíveis.
"Sem financiamento justo não haverá transição possível – e os países e as populações que menos contribuíram para a crise continuarão pagando a conta mais alta", afirma.
O tema também envolve uma promessa feita na COP30: triplicar o financiamento destinado à adaptação às mudanças climáticas até 2035.
O problema é que o acordo de Belém não estabeleceu claramente qual valor deverá servir de referência para esse aumento.
Por isso, os ambientalistas pedem que a COP31 avance na definição de uma meta de pelo menos US$ 120 bilhões anuais para adaptação, além de mecanismos para acompanhar o cumprimento do compromisso.
Trabalhador caminha atrás de painéis solares instalados no telhado de uma fábrica da Yingli Solar, em Baoding, na China, em junho de 2011.
REUTERS/David Gray
3 - Transição justa
Outro resultado importante esperado para a COP31 é um acordo sobre o funcionamento do chamado Mecanismo de Transição Justa.
A criação desse mecanismo foi aprovada durante a COP30, em Belém, mas ainda é necessário estabelecer como ele funcionará, quais serão suas responsabilidades e de onde virão os recursos para colocá-lo em prática.
A ideia é ajudar os países a realizar mudanças em suas economias sem deixar trabalhadores e comunidades para trás.
Na prática, isso significa, por exemplo, garantir que trabalhadores de regiões dependentes da mineração de carvão tenham acesso a oportunidades de emprego, qualificação profissional e proteção social à medida que essas atividades forem substituídas por alternativas menos poluentes.
O mecanismo também deverá considerar as necessidades dos países em desenvolvimento, que muitas vezes enfrentam maiores dificuldades para financiar essas transformações.
Durante uma apresentação sobre os preparativos brasileiros para a conferência, a embaixadora Liliam Chagas, diretora do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), destacou que a definição do mecanismo será uma das principais tarefas dos negociadores.
"O lançamento do mecanismo de transição justa é talvez a grande prioridade da negociação", afirmou.
O Observatório do Clima também considera esse um dos resultados mais importantes esperados para Antália.
Ainda existem, porém, divergências sobre o financiamento e a estrutura do mecanismo.
Países desenvolvidos resistem à criação de novas obrigações financeiras, ao passo que países em desenvolvimento defendem que a iniciativa precisa contar com recursos suficientes para funcionar.
4 - Adaptação às mudanças climáticas
A adaptação também deverá ocupar uma parte importante das negociações da COP31.
Diferentemente das medidas de redução de emissões, que buscam combater as causas do aquecimento global, a adaptação envolve ações para diminuir os danos provocados pelas mudanças climáticas.
Isso inclui, por exemplo, ampliar sistemas de alerta para eventos extremos, preparar cidades para enchentes, melhorar o abastecimento de água em regiões atingidas por secas e adaptar a produção agrícola às novas condições do clima.
Durante a COP30, os países aprovaram 59 indicadores internacionais para acompanhar os avanços nessa área.
Esses indicadores deverão ajudar a avaliar se os governos estão conseguindo proteger suas populações e reduzir os riscos associados às mudanças climáticas.
Mas ainda falta definir como essas ferramentas serão utilizadas e aperfeiçoadas.
Por isso, um dos objetivos em Antália será estabelecer uma força-tarefa de especialistas responsável por desenvolver esse trabalho, que deverá continuar até a COP32, em Adis Abeba, na Etiópia, em 2027.
O WWF-Brasil defende que os indicadores considerem as diferentes realidades dos países e incluam a participação das comunidades mais afetadas pela crise climática.
"Quem está na linha de frente da crise climática não pode continuar na linha de trás das decisões", afirma Flávia Martinelli, especialista em mudanças climáticas da organização.
O Instituto Clima e Sociedade (iCS) também destaca a necessidade de ampliar a produção e a integração de dados climáticos para orientar decisões de governos, empresas e instituições financeiras.
Segundo a entidade, informações acessíveis e organizadas são fundamentais para que medidas de adaptação possam ser acompanhadas e aperfeiçoadas ao longo do tempo.
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, acompanha a sessão plenária de encerramento da cúpula enquanto o chefe do clima da ONU, Simon Stiell (à esquerda), conversa com outros representantes das Nações Unidas.
AP Photo/Andre Penner
5 - Desmatamento, florestas e oceanos
Além da transição energética, a COP31 também terá o desafio de dar continuidade ao compromisso global de interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.
Esse é o objetivo do segundo mapa do caminho apresentado pela presidência brasileira da COP30.
O documento reúne recomendações para ampliar a conservação e a restauração das florestas, melhorar as políticas de combate ao desmatamento e fortalecer a cooperação internacional.
Outro tema que deverá ganhar destaque é a proteção dos oceanos.
A presidência da COP31 pretende ampliar o espaço dedicado aos ecossistemas marinhos e costeiros, considerados fundamentais para a regulação do clima.
Os oceanos absorvem parte do gás carbônico emitido pelas atividades humanas e mais de 90% do excesso de calor acumulado pelo planeta em consequência do aquecimento global.
O que esperar da participação do Brasil?
O Brasil chegará à COP31 depois de sediar a conferência anterior e liderar as negociações climáticas ao longo de 2026. O presidente Lula deverá participar da Cúpula de Líderes, nos dias 11 e 12 de novembro, na Turquia.
Entre as prioridades brasileiras estão dar continuidade aos dois mapas do caminho lançados em Belém, avançar no financiamento climático e ampliar o apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), criado para financiar a conservação das florestas.
O país também deverá enfrentar questionamentos sobre sua política energética.
Na sexta-feira (6), o governo aprovou 18 diretrizes para elaborar um plano de redução da dependência dos combustíveis fósseis, mas ainda não definiu metas nem prazos para essa transição.
O Greenpeace considera a medida um avanço, mas critica a falta de compromissos concretos e a expansão da exploração de petróleo.
Já o Observatório do Clima defende que o Brasil use sua influência para incentivar outros países a elaborar planos semelhantes.