Após operação da PF, líder do PL nega irregularidades em venda de imóvel com dinheiro vivo

  • 02/07/2026
(Foto: Reprodução)
PF faz nova operação contra desvio em cotas parlamentares O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, afirmou que é alvo de "perseguição" da Polícia Federal (PF) e negou qualquer irregularidade no contrato de compra e venda de um imóvel pago em dinheiro em espécie, e no aluguel de veículos bancados por cota parlamentar. "Seis meses atrás, fizeram uma busca e apreensão contra mim. Eu tinha vendido um imóvel meu — declarado no meu Imposto de Renda —, vendi para uma pessoa que comprou e pagou em espécie, a pessoa tem lastro para comprar em espécie, eu recebi o dinheiro”, afirmou o parlamentar. Sóstenes deu a declaração em vídeo enviado à GloboNews nesta quinta-feira (2). A PF realizou uma operação nessa quarta-feira (1º) para investigar se aliados do deputado forjaram a escritura pública de um imóvel para tentar justificar a origem de R$ 470 mil em espécie apreendidos em um endereço do parlamentar durante uma operação, em dezembro do ano passado. Ao autorizar a operação, o relator, ministro Flávio Dino, também afirmou que a investigação indica que parte de R$ 15 milhões movimentados por empresas possam ter origem em recursos públicos ligados a Sóstenes (veja no vídeo acima). LEIA TAMBÉM: PF investiga se aliados de Sóstenes forjaram escritura de imóvel para justificar R$ 470 mil apreendidos PF mira pessoas ligadas a líder do PL em operação sobre suspeita de desvios de cota parlamentar Segundo o líder do PL, a venda do imóvel ocorreu de fato, dentro dos procedimentos corretos, e está registrada na declaração dele de Imposto de Renda (IR) referente ao ano passado. “Eu recebi dinheiro lícito, legal, de uma venda de um imóvel declarado e também declarei, está no imposto deste ano, então, é tudo transparente, tudo legal. Sabe por quê? Enquanto eu estiver aqui, vai haver satisfação e transparência às pessoas que acompanham meu trabalho”, concluiu Sóstenes. Sóstenes não está entre os alvos da operação dessa quarta-feira, mas sim advogados e empresários que, segundo a PF, seriam aliados dele. O parlamentar, no entanto, nega relação com os alvos da operação. Diz que não são advogados dele, mas, sim, pessoas que ele não conhece — e o comprador do imóvel, que também é advogado. Entenda o caso Em dezembro do ano passado, o líder do PL na Câmara foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga suspeitas de desvios de cotas parlamentares ligadas a supostos contratos falsos de aluguel de automóveis (relembre aqui). Segundo as investigações, os deputados teriam utilizado empresas de fachada, entre elas, uma locadora de veículos, para justificar despesas custeadas com dinheiro público. A principal suspeita da PF é que contratos de aluguel de veículos eram usados para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos da verba parlamentar. Sóstenes também negou qualquer irregularidade neste processo. “Eu estou aqui para provar que isso é falácia, não é verdade. Se este carro não existisse, eu não teria aqui em mãos o contrato deste carro para provar que eu pago o menor valor da Câmara. Quatro mil e quinhentos reais de aluguel […]". Durante a operação que mirou Sóstenes e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), sobre o caso do aluguel dos veículos, agentes encontraram R$ 470 mil em dinheiro vivo dentro de sacolas plásticas, em um flat usado pelo líder do PL em Brasília. Horas depois, ele deu uma coletiva de imprensa na qual afirmou que o dinheiro tinha origem na venda de um imóvel, em Minas Gerais. No entanto, segundo a PF, o imóvel só foi transferido oficialmente cerca de um mês após a apreensão do dinheiro. A informação consta no relatório incluído na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a operação. Para os investigadores, a diferença entre as datas reforça a suspeita de que o documento tenha sido produzido posteriormente para conferir aparência formal a uma transação alegadamente anterior. "Em outras palavras, os interessados somente levaram a registro cartorário, após a apreensão do numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita (feita anteriormente)", diz o relatório da PF. Outro ponto apontado pela investigação é que não foram encontrados indícios de movimentação bancária compatíveis com o pagamento declarado na escritura. De acordo com a PF, um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) “não identificou saque de valores contemporâneos à data da compra” por parte do comprador, apesar de o documento afirmar que a negociação foi quitada integralmente em dinheiro vivo. Veja a manifestação do parlamentar na íntegra: "Há um ano e meio, eu fui anunciado que seria líder do PL. Desde então, passei a ser alvo de perseguição do Supremo Tribunal Federal. Abriram uma investigação de um carro alugado, que eu uso desde o meu primeiro mandato, e pago o menor valor na Câmara dos Deputados. Pago um aluguel de R$ 4,5 mil. E o Supremo Tribunal Federal abriu investigação dizendo que este carro não existia, a Polícia Federal fez uma acusação de que eu e meus assessores lavávamos dinheiro. Eu estou aqui para provar que isso é falácia, não é verdade. Se este carro não existisse, eu não teria aqui em mãos o que eu tenho agora, que é o contrato deste carro para provar que eu pago o menor valor da Câmara. Quatro mil e quinhentos reais de aluguel por um Corolla aqui em Brasília. Se este carro também não existisse, eu não teria tido aqui um assalto. E aqui está o boletim de ocorrência que prova que este carro foi assaltado com meu motorista minha ex-chefe de gabinete presentes. E aqui está o boletim de ocorrência. Esta é a prova da existência, está aqui a placa do carro, do boletim de ocorrência e do contrato. Quer saber mais? Infelizmente eu tive um acidente com este carro. Eu mesmo dirigindo, um acidente vindo de Minas Gerais para Brasília, uma acidente na cidade de Cristalina, no estado de Goiás e aqui está o boletim de ocorrência do acidente. Essas são provas cabais de que eu sempre utilizei este carro. E se você usa o carro você não tem como lavar dinheiro de um contrato tão baixo e o carro sendo utilizado. Hoje, em mais um desdobramento, porque há seis meses atrás, fizeram uma busca e apreensão contra mim. Eu tinha vendido um imóvel meu - declarado no meu Imposto de Renda -, vendi para uma pessoa que comprou e pagou em espécie, a pessoa tem lastro para comprar em espécie, eu recebi o dinheiro, e hoje fizeram uma operação não contra os meus advogados, contra este comprador. Ele é pecuarista e advogado, por isso tem uma confusão dizendo que são meus advogados. Não são. Além da operação contra eles, foi feita uma operação contra outros advogados e pessoas jurídicas que supostamente fizeram o saque do dinheiro. Ora, eu recebi dinheiro lícito, legal, de uma venda de um imóvel declarado e também declarei esta vendo no imposto deste ano, então, é tudo transparente, tudo legal. Sabe por quê? Enquanto eu estiver aqui, vai haver satisfação e transparência às pessoas que acompanham meu trabalho e que me admiram. A vocês, eu devo satisfação."

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/02/sostenes-pf.ghtml


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