Após mais de 9 anos, acusado de ordenar ataque que terminou com bebê morto deve ir a júri no Acre
11/04/2026
(Foto: Reprodução) Thayson Júnior de Holanda foi morto por uma bala perdida enquanto dormia na rede
Reprodução
Após mais de nove anos, a Justiça do Acre pronunciou Alexandre da Costa Lima a júri popular pela morte do bebê Thayson Júnior Holanda da Silva, de 1 ano e 8 meses, que ocorreu em fevereiro de 2017, em uma residência na Rua Progresso, Bairro Cadeia Velha em Rio Branco.
Com a pronúncia, a Justiça abriu prazo para que a defesa de Alexandre e o Ministério Público do Acre (MP-AC) se manifeste. A defesa do acusado é feita pela Defensoria Pública Estadual (DPE-AC), que não costuma se manifestar sobre os casos que defende.
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O crime ocorreu no dia 25 de fevereiro de 2017. Segundo a Justiça, na época, Jonatas Barrozo da Silva, David do Nascimento dos Santos e Talisson de Souza Teixeira foram até a residência tentar matar Willian da Silva Mendonça e Gleison Lima da Silva, pai do bebê, que seriam de uma facção rival.
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Com a troca de tiros, o bebê foi atingido na cabeça e morreu no local. Além da criança, um rapaz de 19 anos foi baleado na perna, mas sobreviveu. A criança dormia em uma rede no quarto da frente da casa.
Segundo a Justiça, o crime foi ordenador por Alexandre e Gabriel Oliveira Gomes dos Santos. Em junho de 2018, Talisson de Souza Teixeira foi condenado a 50 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado pelo crime.
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Em agosto do ano passado, a Justiça pronunciou a júri popular Jonatas Barrozo da Silva e Gabriel Oliveira Gomes dos Santos, também acusados do crime. Já Alexandre foi impronunciado por falta de provas, contudo, o Ministério Público Estadual (MP-AC) recorreu da sentença.
Em março deste ano, a Câmara Criminal acolheu o recurso do MP-AC e decidiu pronunciar Alexandre. Na decisão, o grupo de quatro magistrado entendeu de forma unânime que o crime ocorreu por motivo torpe, recurso que impediu a defesa da vítima e corrupção de menor.
Ainda não há data marcada para o júri. O caso teve como relator, o desembargador Samoel Evangelista.
Ficha criminal extensa
Durante a apuração do caso, a Polícia Civil descobriu que Alexandre da Costa Lima já havia sido condenado a 21 anos de prisão pela morte de Cristovão Nascimento, de 26 anos, em abril de 2017.
O homem foi preso com mais três homens, que tiveram mais de 50 anos em penas somadas. À época, a Polícia Militar (PM-AC) informou que Nascimento pode ter sido morto na parte de trás de uma igreja evangélica e em seguida, a vítima foi arrastada e jogada em um açude.
Contudo, a ficha criminal mostra que Alexandre também praticou outro crime, ainda em 2017. Ele é um dos cinco acusados de participação na morte do agente penitenciário Romario Cavalcante Alexandrino, de 28 anos, em fevereiro daquele ano.
O agente penitenciário sofreu uma emboscada dentro da própria casa na Vila do V, em Porto Acre. Estavam na casa, a mulher dele e o cunhado, que também foi atingido pelos tiros. O agente chegou a ser socorrido, mas não resistiu. À época, a Associação do Sistema Penitenciário do Acre (Asspen-AC) chegou a dizer que a morte do agente tinha sido planejada pelas facções.
Por fim, em 2012, Alexandre foi condenado por homicídio qualificado ao matar Raimundo de Araújo Lima, junto com mais um homem em Porto Acre, no interior do estado. Conforme a Justiça, o suspeito exercia o papel de liderança de facção no município.
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