Após Bachelet desistir de concorrer à ONU, Brasil defende que região tem mulheres 'à altura do cargo'
21/09/2026
(Foto: Reprodução) Lula e Michelle Bachelet em imagem de 2024
Ricardo Stuckert/Presidência da República
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) divulgou uma nota na qual reforçou que a região tem mulheres “à altura” de assumir o comando da Organização das Nações Unidas (ONU).
A nota foi divulgada após a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet ter anunciado a retirada de sua candidatura, que contava com o apoio do governo brasileiro.
Bachelet retirou sua candidatura no sábado (19), semanas depois da publicação de uma pesquisa que a situava em penúltimo lugar entre oito candidatos.
O Brasil vem defendendo que, pelo critério de rotatividade, cabe à América Latina indicar o próximo secretário-geral da entidade, sucedendo o português Antonio Guterres, cujo mandato acaba neste ano. E, além disso, que seja uma mulher.
Agora no g1
A ex-presidente socialista foi inicialmente indicada em fevereiro passado pelo governo do ex-presidente chileno Gabriel Boric, com o apoio de Brasil e México. Mas sua candidatura perdeu força depois que o novo chefe de Estado chileno, o ultradireitista José Antonio Kast, lhe retirou seu apoio.
"Duas vezes Chefe de Estado de seu país, ex-Ministra da Saúde e ex-Ministra da Defesa, primeira Diretora da ONU Mulheres e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet é uma prova de que nossa região conta com mulheres à altura do cargo e plenamente comprometidas com a Carta das Nações Unidas e com a promoção do diálogo e do entendimento entre os Estados Membros da Organização", afirmou o Itamaraty.
A nota não cita quem o Brasil apoiará com a desistência de Bachelet. De acordo com integrantes da diplomacia brasileira, ainda não há definição desse nome.
Conforme a nota, contudo, o perfil a ser apoiado pelo Brasil na eleição da ONU deve ser o de alguém comprometido com os princípios da ONU, entre os quais, a paz e a segurança.
“O governo brasileiro manifesta seu agradecimento ao governo mexicano pela inédita coordenação conjunta no desenvolvimento da campanha e reitera seu compromisso com a seleção transparente e inclusiva de um(a) Secretário(a)-Geral comprometido(a) com um multilateralismo baseado no direito internacional e com os três pilares da Carta da ONU: paz e segurança, direitos humanos e desenvolvimento sustentável”, acrescentou o governo.
Comando da ONU
O secretário-geral da ONU é eleito pela Assembleia Geral após recomendação do Conselho de Segurança para um mandato de cinco anos com possibilidade de uma reeleição.
O atual líder da organização, António Guterres, deixa o cargo neste 31 de dezembro, após exercer dois mandatos consecutivos.
Qual o papel do cargo? O secretário-geral da ONU é o principal representante da organização e atua como uma espécie de chefe administrativo e diplomata-chefe.
Ele coordena o trabalho da ONU, participa de negociações internacionais, pode mediar conflitos e chamar a atenção do Conselho de Segurança para crises que ameaçam a paz.
Apesar de sua influência diplomática, não tem poder para impor decisões aos países por conta própria.
A votação do Conselho de Segurança realizada em agosto situou como favorita a ex-chanceler da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, com oito votos favoráveis.