Após apontar irregularidades, prefeitura cobra prejuízo em contrato de R$ 4,5 milhões do Aedes do Bem

  • 10/02/2026
(Foto: Reprodução)
Aedes do Bem: CGU aponta prejuízo de R$ 4,5 mi em contrato da Prefeitura de Rio Branco Após constatar irregularidades na execução do contrato do 'Aedes do Bem', a Prefeitura de Rio Branco decidiu aplicar sanções administrativas, determinar o ressarcimento integral de R$ 4.536.000 aos cofres públicos e declarar inidôneas as empresas responsáveis pelo fornecimento do produto usado no combate ao mosquito transmissor da dengue. A decisão foi tomada com base no relatório final do Procedimento Administrativo de Apuração de Infração de Fornecedores (PAAIF), instaurado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), e foi publicada nesta terça-feira (10) no Diário Oficial do Estado (DOE). 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp 👉 Contexto: A Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou um relatório que identificou prejuízo milionário com a compra dos kits adquiridos pelo Executivo municipal em 2024. O relatório foi concluído em setembro do ano passado, mas divulgado apenas na última sexta-feira (6). A contratação, firmada sem licitação com a Empresa Estação da Limpeza Ltda., gerou a perda de 16 mil kits porque parte destes chegou à capital acreana vencida ou prestes a vencer. Após o trânsito em julgado administrativo, o débito será inscrito na dívida ativa do município e encaminhado à Procuradoria-Geral do Município para execução judicial. Ao g1, o advogado da Estação da Limpeza informou que a empresa deve ser posicionar quando for notificada. Entre as medidas determinadas pela prefeitura estão: aplicação de multa de 30% sobre o valor do contrato; declaração de inidoneidade, que impede as empresas de licitar ou contratar com a administração pública em todos os entes federativos por cinco anos; adoção imediata de medidas administrativas e judiciais para garantir o ressarcimento integral do dano ao erário; comunicação aos órgãos de controle e inscrição das sanções nos cadastros oficiais, como o Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) e o Cadastro Nacional de Empresas Punidas (CNEP). LEIA TAMBÉM: Aedes do Bem: Vereadores querem CPI para apurar supostas irregularidades em compra de 16,2 mil kits de mosquitos Secretário de Saúde de Rio Branco culpa fornecedor pela perda de kits Aedes do Bem; vereadores querem CPI Kits do Aedes do Bem teriam sido entregues em julho do ano passado à prefeitura Andryo Amaral/Rede Amazônica Acre Irregularidades Segundo o relatório da prefeitura, as irregularidades foram constatadas durante a execução e fiscalização do contrato, após a entrega dos produtos. A comissão apontou que parte do material estava vencida ou próxima do vencimento, o que comprometeu a eficácia da solução biológica e inviabilizou seu uso. Durante oitivas, representantes das empresas reconheceram problemas relacionados à validade dos insumos. A distribuidora chegou a prometer a substituição dos produtos, o que não ocorreu, segundo a prefeitura. "Os fatos apresentados nos autos dos processos administrativos são consistentes e, ainda que apresentada defesa, não foram desconstituídos pelas empresas", complementou. A empresa Estação da Limpeza Comércio Atacadista e Varejo Ltda., distribuidora exclusiva do produto, foi apontada como responsável direta pelas irregularidades. Já a Oxitec do Brasil Tecnologia de Insetos Ltda., fabricante do Aedes do Bem, foi responsabilizada solidariamente, uma vez que ela fornece exclusivamente à empresa que selou contrato com a prefeitura. O relatório destaca que a exclusividade concedida pela Oxitec fundamentou a contratação sem licitação e que a ausência de informações claras sobre validade em embalagens secundárias e terciárias dificultou a fiscalização e abriu margem para fraude. De acordo com a comissão, mesmo após a apresentação de defesa, as empresas não conseguiram afastar as irregularidades comprovadas, levando à adoção das sanções consideradas compatíveis com a gravidade dos fatos. Projeto 'Aedes do Bem' deve ser pauta na Câmara de Vereadores de Rio Branco Relatório da CGU Segundo a CGU, a prefeitura adquiriu os kits entre os meses de julho e agosto de 2024, período de verão no Acre. Contudo, o kit foi projetado para ser utilizado durante as chuvas, que no estado acreano inicia em novembro, e não poderia ser aplicado de imediato. Ainda segundo a controladoria, o contrato previa uma entrega parcelada em seis meses, mas a prefeitura autorizou uma entrega de 100% do quantitativo. "Sem uma justificativa técnica que embasasse, num tempo errado porque aqueles meses não eram chuvosos, eram de seca e inviabilizava a aplicação do produto. Os produtos chegaram em Rio Branco, mas 206 potes chegaram vencidos, outros quatro potes venceram no dia seguinte a entrega e 15 mil caixas venceram entre 15 e 27 de setembro de 2024", relatou o superintendente da CGU, Nilo Lima. Ele frisou ainda que os produtos foram recebidos pela prefeitura em 10 de julho de 2024, sem a devida verificação do prazo de validade, e armazenados na Semsa por quatro meses sem utilização. "Quatro meses depois, sem nenhuma utilização, descobriram que todos os produtos estavam vencidos e que alguns já tinham até chegado vencidos. A empresa foi comunicada e, a partir disso, uma equipe foi ao depósito da Semsa e recolheu os produtos. Mas, recolheu o material biológico e deixou lá na Semsa as 16 mil caixas de papelão vazias e os sachês de conservantes, sem o material biológico. Os ovos foram todos recolhidos e isso consolida o prejuízo", destacou. Saiba como funciona o aedes aegypti do bem JN Procedimentos Em maio de 2025, a Prefeitura de Rio Branco instaurou um procedimento administrativo para apurar possíveis irregularidades por parte da empresa goiana Estação da Limpeza Ltda. Na época, o processo foi aberto devido a um suposto descumprimento de acordo por parte da empresa após a constatação de que parte dos kits adquiridos passaram do prazo de validade antes de serem utilizados. Já a empresa Estação da Limpeza afirmou que a responsabilidade pelo uso era da prefeitura. No início daquele ano, vereadores denunciaram que a compra dos kits, sem licitação, no valor de quase R$ 5 milhões, que prefeitura nunca utilizou e nem apresentou o material que tem validade de menos de 60 dias. À época, a prefeitura negou irregularidades no contrato. O secretário de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths, rebateu as acusações, confirmou a compra e recebimento do produto, mas não falou sobre a validade dos mesmos. Os parlamentares chegaram a tentar abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a compra, porém, chegaram a apenas cinco das sete assinaturas responsáveis. VÍDEOS: g1

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/02/10/apos-apontar-irregularidades-prefeitura-cobra-prejuizo-em-contrato-de-r-45-milhoes-do-aedes-do-bem.ghtml


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