Apagão, furto em cofre de ouro e jovem em surto: relembre como imagem original de Aparecida foi quebrada em mais de 200 pedaços
12/10/2026
(Foto: Reprodução) Imagem de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, foi quebrada em mais de 200 pedaços durante atentado na Basílica; relembre
Foto 1: Thiago Leon/ Santuário Nacional de Aparecida | Foto 2: Arquivo Pessoal/ Maria Helena Chartuni
Em 16 de maio de 1978, durante uma missa na Basílica Histórica de Aparecida, no interior de São Paulo, um episódio chocou os devotos de Nossa Senhora Aparecida. Um jovem de 19 anos aproveitou um apagão para furtar a imagem de um cofre de ouro, fugiu com ela e, mesmo após ser alcançado por um segurança, a arremessou no chão. O impacto quebrou a escultura original da santa em mais de 200 pedaços.
Quase cinco décadas depois, a história segue marcada não apenas pela violência contra um dos símbolos mais importantes da fé católica no Brasil, mas também pelo trabalho de reconstrução que permitiu devolver a imagem aos fiéis.
O ataque aconteceu durante a celebração das 20h, na Basílica Histórica, conhecida como Basílica Velha. Em meio à movimentação causada pelo apagão elétrico de dois minutos, o jovem conseguiu chegar até o local onde a imagem era mantida protegida por um confre de ouro com a frente em estrutura de vidro.
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Segundo relatos da época, ele estava em surto, retirou a imagem e correu para a rua. Um segurança conseguiu alcançá-lo, mas, antes que a situação fosse contida, o rapaz lançou a escultura ao chão. A imagem se partiu em mais de 200 fragmentos.
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O caso provocou comoção entre os devotos. A imagem, encontrada por pescadores no Rio Paraíba do Sul em 1717, é venerada como santa Padroeira do Brasil.
Maria Helena Chartuni, que trabalhava no setor de restauração
Thiago Leon/Santuário Nacional de Aparecida
Reconstrução em 33 dias
Depois de ser recolhida, a imagem foi enviada ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde a reconstrução ficou sob responsabilidade de Maria Helena Chartuni, que trabalhava no setor de restauração da instituição.
Ao se deparar com os fragmentos, a restauradora ficou impressionada com a dimensão dos danos, principalmente na cabeça da imagem. O trabalho exigia mais do que unir os pedaços: também era necessário reconstruir partes que haviam sido perdidas.
Chartuni utilizou uma cola de secagem rápida e se dedicou intensamente ao serviço. A reconstrução foi concluída em 33 dias.
Na época, ela não era devota de Nossa Senhora Aparecida. Durante o trabalho, porém, passou a viver uma experiência que, segundo relatou posteriormente, marcou sua relação com a fé. A restauradora contou que rezava um Pai-Nosso e uma Ave-Maria e pedia ajuda à santa. Também relatou que peças que não conseguia encontrar apareciam sobre a mesa no dia seguinte.
A experiência transformou sua relação com a religião, e Chartuni se tornou devota de Nossa Senhora Aparecida.
Após restauro, imagem é levada de volta para Aparecida
Divulgação/ Portal A12
Retorno acompanhado por milhares de fiéis
Em 19 de agosto de 1978, a imagem reconstruída voltou a Aparecida. O transporte foi feito em um caminhão do Corpo de Bombeiros, acompanhado por uma grande manifestação de fé.
Milhares de pessoas foram às ruas para acompanhar o retorno. Os relatos da época descrevem fiéis emocionados, que choravam, rezavam e se ajoelhavam durante a passagem da imagem.
A volta marcou o reencontro dos devotos com a escultura que havia sido quebrada pouco mais de três meses antes.
Atualmente, a imagem original de Nossa Senhora Aparecida fica exposta no Santuário Nacional de Aparecida, em um nicho protegido por vidro blindado, a cerca de quatro metros do chão.
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