Aos 71 anos, aluna diagnosticada com Alzheimer cola grau em Pedagogia pela UFMA: 'Busquei o melhor pra mim'
27/08/2026
(Foto: Reprodução) Aos 71 anos, aluna com Alzheimer cola grau em Pedagogia pela UFMA
Conceição de Maria Sousa Soares viveu o momento que aguardou por oito anos: com a beca no corpo e cercada pela família e professores, ela recebeu o diploma de Pedagogia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em Imperatriz (Veja o vídeo acima).
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“Eu estava ali pensando e digo: ‘Meu Deus, eu busquei o melhor para mim. Não fico pensando em doença, não fico pensando em tristeza, não fico pensando em nada. Só sinto muito orgulho.” disse a pedagoga.
A formatura, realizada na noite do dia 20 de agosto, marcou não apenas o fim da graduação, mas também a realização do sonho de uma mulher que, aos 71 anos, decidiu continuar estudando mesmo após o diagnóstico de Alzheimer. A trajetória que chegou ao diploma foi registrada no próprio trabalho de conclusão de curso, intitulado “Relatos e memórias da escolarização de uma mulher piauiense”.
Apresentado no formato de Portfólio de Experiências, o TCC reuniu memórias e relatos da caminhada educacional de Dona Conceição e foi desenvolvido sob orientação do professor José Edilmar de Sousa. O processo também contou com o acompanhamento da coordenadora do curso de Pedagogia, professora Francisca Melo Agapito.
No Auditório da Igreja Assembleia de Deus de Imperatriz, a cerimônia reuniu 21 formandos do curso de Pedagogia. A solenidade começou por volta das 18h e terminou às 21h. Também participaram da colação estudantes dos cursos de Ciências Contábeis, Enfermagem e Engenharia de Alimentos.
O momento de homenagem veio durante o discurso da professora oradora do curso de Pedagogia, Catiane Cinelli, sorteada para representar os docentes. Ela destacou a trajetória da estudante, que enfrentou desafios durante a graduação e se tornou símbolo de persistência dentro da universidade.
Aos 71 anos, aluna diagnosticada com Alzheimer cola grau em Pedagogia pela UFMA
Divulgação/ArquivoPessoal
Segundo o professor José Edilmar de Sousa, orientador de Dona Conceição no trabalho de conclusão de curso, a docente interrompeu o discurso para pedir aplausos e reconhecer a importância daquela conquista.
“A professora fez uma pausa, pediu palmas e homenageou e destacou que, na luta das mulheres e de diversos grupos que são excluídos muitas vezes da universidade, dos espaços de formação universitária, a Dona Conceição então se sobressai como alguém que vence essas lutas”, relatou.
Natural do estado do Piauí, Dona Conceição sempre teve o desejo de ser professora. Durante os oito anos de graduação, construiu uma história marcada por desafios e adaptações, principalmente após receber o diagnóstico de Alzheimer, em 2022.
Aos 71 anos, aluna com Alzheimer transforma memórias da infância em TCC de Pedagogia na UFMA
Divulgação/ArquivoPessoal
A doença tornou o acompanhamento das atividades acadêmicas mais difícil, mas ela continuou frequentando a universidade com apoio de professores, familiares e adaptações na rotina de estudos.
Para o orientador José Edilmar, acompanhar a estudante durante a formação foi uma experiência de aprendizado.
“Foi exercício de algo que eu tenho dito e defendido, que eu chamo de pedagogia da ausculta, que é algo para além de ouvir no sentido literal ou de ver. Poder interagir com a Dona Conceição nas várias disciplinas e depois no processo de orientação do TCC foi algo desafiador, mas ao mesmo tempo de muito aprendizado”, afirmou.
A coordenadora do curso de Pedagogia da UFMA em Imperatriz, Francisca Melo Agapito, destacou o significado da trajetória da estudante para a universidade.
“A gente vem lutando para proporcionar a formação de cada um. Antes mesmo de vestir a beca, Dona Conceição já carregava o orgulho de estudar Pedagogia”, disse.
Antes de chegar à UFMA, Dona Conceição também passou pela Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL). Agora formada, ela já pensa no próximo objetivo: trabalhar em uma escola e colocar em prática o sonho que acompanhou toda a trajetória acadêmica. “Eu quero trabalhar, eu vou buscar.”, afirmou.
*Estagiária sob supervisão de Liliane Cutrim e Marcus Cidreira.