Amizade entre artesã e namorado de suspeita de envenenamento por mercúrio pode ter motivado crime, diz delegado

  • 20/07/2026
(Foto: Reprodução)
Saiba o que diz a polícia sobre investigação de envenenamento de artesã com mercúrio no Recife A artesã que denunciou ter sido envenenada com mercúrio pela própria aluna num curso de artes no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife, pode ter sido alvo de ciúmes por conta da amizade que tinha com o namorado da suspeita do crime. Segundo a Polícia Civil, a hipótese de tentativa de homicídio por motivo de ciúme é uma das linhas de investigação do caso (veja vídeo acima). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE A vítima filmou a aluna colocando uma substância dentro da garrafa de água em duas ocasiões em junho de 2025. De acordo com o delegado José Custódio, Maria Aparecida Rodrigues Araújo botou mercúrio na água da professora Denny Cardoso de maneira consciente e repetidamente. “Em determinado momento, por ter amizade com o namorado da investigada, ela passou a cobrar ciúmes da vítima. A partir daí, começa toda a trama delituosa. A gente trabalha com a linha de raciocínio de uma possível tentativa de homicídio, já que foram condutas repetidas por parte da investigada com a utilização de mercúrio de forma consciente”, afirmou o delegado à TV Globo. A artesã relatou que teve uma discussão com a aluna, que estava incomodada com a amizade que o namorado tem com a professora do curso. “Se você tem problema com ele, você resolva com ele, que ele é seu namorado. Mas, independente do que você está fazendo ou não, eu não vou deixar de ser amiga dele. Ele, para mim, era mais que um irmão”, contou Denny. As investigações do caso já duram mais de um ano. A suspeita é que a artesã tenha sido envenenada por mercúrio de seis meses a até um ano. O caso veio à tona após a própria vítima filmar com um celular escondido, em duas oportunidades, a aluna colocar uma substância em sua garrafa de água. Segundo a professora, foi a própria aluna quem a presenteou com uma garrafa de água, que passou a usar diariamente por cerca de dois meses. Nesse período, Denny percebeu bolhas na água e um gosto diferente, mas não desconfiou de um problema grave. A suspeita surgiu quando flagrou Maria Aparecida mexendo na garrafa durante uma aula. LEIA TAMBÉM Artesã sentiu ‘bolinha’ de mercúrio na garganta e chamou PM Dores, problemas motores e queda de cabelo: entenda sintomas Veja o que se sabe sobre o caso A defesa de Denny Cardoso pede maior celeridade na conclusão do caso. Maria Aparecida nega as acusações e relata não se lembrar de nada, segundo a advogada Ana Maristela Trajano, que representa a suspeita. Em nota, a defesa informou que ela tem transtornos mentais, está sob cuidados médicos e não divulgará informações que possam interferir na investigação. O delegado afirma, no entanto, que até o momento não foram apresentados documentos que comprovem esse diagnóstico de Maria Aparecida. Ele também disse que, embora as imagens e os depoimentos sejam relevantes, a investigação busca reunir mais elementos para comprovar a prática do crime. O delegado José Custódio investiga o caso de envenenamento de artesã com mercúrio no Recife Reprodução/TV Globo Entenda o caso As filmagens foram feitas em junho de 2025 depois que a artesã começou a ter sintomas de intoxicação, como dores abdominais e transtornos neurológicos. As imagens registraram Maria Aparecida colocando um material dentro da garrafa. Ela aparece cortando um papel com uma tesoura, depositando o conteúdo na água, agitando a garrafa e saindo da sala. A aluna investigada participava do projeto social Arte na Medicina, que oferece aulas de artesanato para pacientes e familiares num anexo do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, conhecido como Castelinho, no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife. A mulher acompanhava o filho, que fazia tratamento na unidade, e começou a frequentar as aulas há cerca de três anos. Com os vídeos, Denny procurou a polícia. A garrafa foi encaminhada para perícia, e, dois dias depois, a professora voltou ao curso com outro recipiente idêntico. Segundo ela, a suspeita repetiu o comportamento e voltou a ser filmada. Os laudos periciais apontaram a presença de mercúrio nas duas garrafas analisadas. Exames também detectaram o metal no sangue e na urina da professora. No sangue de Denny, foram encontrados 21 mg — cerca de quatro vezes acima do limite considerado tolerável. O mercúrio é um metal altamente tóxico, proibido em termômetros no Brasil desde 2019, e pode provocar danos graves ao cérebro, além de atingir órgãos como rins, intestino e pele. Denny contou que a rotina mudou completamente depois da intoxicação. Mesmo seguindo tratamentos médicos, ela afirmou que ainda enfrenta dificuldades e tenta recuperar a autonomia. "Falta de força nas mãos e as dores... As coisas mais básicas que você faz em uma casa, para mim, se tornam um sacrifício enorme", declarou a vítima. A artesã disse que ainda não conseguiu encontrar profissionais especializados no tratamento de pacientes contaminados por mercúrio e afirmou que as sequelas afetaram sua independência e sua qualidade de vida, mas que tem esperança de recuperar todos seus movimentos. "Eu estou otimista. Eu tenho fé. Eu vou voltar. Sempre digo: eu vou voltar a andar como era antes", disse Denny. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/bom-dia-pe/noticia/2026/07/20/policia-acredita-que-amizade-entre-professora-e-namorado-de-suspeita-de-envenenamento-por-mercurio-pode-ter-motivado-crime-possivel-tentativa-de-homicidio-diz-delegado.ghtml


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