Amigas eternizam amizade e amor pelo filho de uma delas em tatuagem sobre inclusão

  • 02/11/2026
(Foto: Reprodução)
Amigas eternizam amizade e amor pelo filho de uma delas em tatuagem que promove inclusão Três corações tatuados na pele, uma amizade de 17 anos e um menino que conquistou um lugar especial na história das três amigas. Em Presidente Prudente (SP), Thamiris da Silva Lima, Thauane Soares Landim e Jacqueline Andrade Parronchi eternizaram em uma tatuagem o carinho por Henri, de 5 anos, filho de Thamiris, e transformaram a homenagem em uma forma de falar sobre autismo, acolhimento e inclusão. A ideia de fazer uma tatuagem juntas surgiu do desejo de eternizar uma amizade que atravessou diferentes fases da vida. Mas o desenho escolhido pelas amigas ganhou um significado ainda mais especial: além de representar a relação entre as três, ele também homenageia Henri, filho de Thamiris, que é autista e não verbal. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp A tatuagem reúne três corações, cada um com a inicial de uma das amigas, e o símbolo do autismo. O desenho foi eternizado pelo tatuador Mateus Frasca e representa o carinho das três por Henri e o desejo de promover a inclusão. Amigas fazem homenagem a filho de uma delas por meio de tatuagem Arquivo pessoal A ideia inicial era eternizar apenas a amizade entre elas, mas, com o tempo, as três decidiram incluir uma referência a Henri, que tem uma ligação muito próxima com todas. Assim, o desenho passou a representar não só os 17 anos de amizade, mas também o carinho pelo menino e o lugar especial que ele ocupa na vida delas. O significado da tatuagem aparece também na reação do menino. Quando vê o desenho, Henri aponta para a própria representação e reconhece que aquele símbolo também é sobre ele. “E aí seria os nossos três corações e o Henri dentro dos nossos corações”, contou Thauane ao g1. LEIA TAMBÉM Professora transcreverá termo de posse presidencial pela 2ª vez: 'Maior legado' O que faz um café ter aroma e doçura marcantes? Produtores do interior de SP explicam Como uma moradora do interior de SP transformou ‘mato’ em comida nutritiva na internet Uma amizade de 17 anos A amizade entre as três começou há 17 anos e passou por diferentes momentos: adolescência, relacionamentos, casamento, maternidade e mudanças na rotina. Elas se conheceram ainda jovens, frequentaram a mesma igreja e mantiveram a proximidade mesmo quando a vida adulta trouxe novos compromissos. A relação é marcada pela convivência frequente. As amigas mantêm o hábito de se reunir para jantar, conversar sobre os problemas da semana e compartilhar momentos da rotina. A proximidade também se estende à família: o marido de Thamiris e pai de Henri, Bruno, faz parte dessa convivência, e Henri é tratado como sobrinho pelas outras duas. Thauane, Jacquline e Thamiris são amigas há 17 anos Arquivo pessoal “Na verdade, a gente brinca que éramos três. Agora nós somos cinco, por causa do Bruno, que é o marido dela e ele [Henri], que é o quinto, né? [...] Ele fala: ‘Eu casei com uma, ganhei três’”, explicaram Jacqueline e Thauane. A chegada de Henri fortaleceu ainda mais esse vínculo. As amigas acompanharam a gravidez de Thamiris, estiveram presentes em momentos importantes e passaram a adaptar os programas para que o menino pudesse participar. “Então, isso é uma forma de eternizar esse amor por ele, esse amor pela nossa amizade. A gente já riu, a gente já chorou, a gente já passou pela política. A gente sobreviveu a muita coisa e a gente sempre esteve junto. Então, além do mais importante da nossa amizade, foi a vida do Henri, que mudou toda a nossa vida”, relatou Jacqueline. O diagnóstico e o acolhimento Henri recebeu o diagnóstico de autismo aos 3 anos e meio. Até chegar a esse momento, a família passou por um processo de dúvidas e buscas por respostas. Thamiris conta que as amigas estiveram ao lado dela durante essa fase, inclusive quando precisou lidar com os sentimentos que vieram com o diagnóstico. “Elas tiveram comigo todo o processo, desde quando ele nasceu. Depois, até a gente ter o diagnóstico, e ter tudo. Foi um processo longo e difícil. E aí, graças a Deus, eu tive elas. Choraram comigo nas primeiras vezes que a gente foi no neuro e teve o laudo. Elas estavam comigo em tudo. Choraram comigo, se emocionaram comigo”, contou Thamiris. A mãe também se lembra do medo de não saber como falar sobre o diagnóstico e de como o filho seria tratado fora de casa. Naquele momento, além de compreender melhor o autismo, ela precisava lidar com as dúvidas sobre o futuro e com a preocupação de que outras pessoas não acolhessem Henri da mesma forma que a família. Henri foi homenageado pela mãe e "tias" em Presidente Prudente (SP) Arquivo pessoal “A gente procura tanto assim saber o que que a criança tem, procura tanto um diagnóstico, mas a hora que chega também é difícil. Aí a gente fica pensando: como que eu vou lidar com isso? Como que vai ser? [...] Porque a gente não sabe nada. O Henri é a primeira criança autista que eu tenho na minha família”, disse. Ela conta que chamou as amigas para conversar depois de receber o diagnóstico e que as duas acolheram suas preocupações. Para Thamiris, ter pessoas de confiança por perto fez diferença em um período marcado por incertezas. “Porque a gente fica preocupado como as pessoas vão olhar fora. Como que vão tratar ele lá fora. Porque dentro de casa a gente acolhe, a gente ama, às vezes a gente até superprotege demais, mas e fora? Onde a gente não está vendo, onde não tem nossos olhos”, relembrou. A resposta das amigas foi de apoio e incentivo para que ela não escondesse o filho nem sentisse que precisava justificar o desenvolvimento dele aos outros. “Agora você é uma bandeira que você vai levantar, minha amiga. Agora você vai levantar a bandeira para o seu filho”, lembrou Thauane, que também é assistente social. Henri participa da rotina das amigas A inclusão do menino aparece nas situações mais simples do cotidiano. As amigas não deixam de fazer programas por causa do diagnóstico: em vez disso, pensam em como adaptar os passeios para que Henri também possa participar. Isso significa considerar o conforto dele, escolher lugares adequados e, quando necessário, mudar os planos. “A gente sabe do diagnóstico dele, mas a gente não limita ele a fazer nada. [...] Se for para sair, vai sair todo mundo junto com ele. Se a gente for em qualquer lugar, a gente vai levar ele. Então ele é incluído em todas as atividades da gente”, explicou Thauane. A rotina também inclui encontros em casa, jantares, brincadeiras e momentos em que as amigas ajudam nos cuidados com Henri. As amigas também participam das conquistas do menino e procuram respeitar o tempo dele. O menino não verbaliza, mas se comunica por gestos, imagens e recursos de comunicação alternativa. Ele também começou a falar algumas palavras, como “mamãe”, “papai” e tentativas de chamar as tias. A convivência diária não só ajudou as amigas a compreenderem melhor as necessidades de Henri e o ritmo de seu desenvolvimento, como também criou um vínculo tão próximo que elas já reconhecem seus gestos, saudades e formas próprias de se comunicar. “Então, a inclusão acontece em tudo isso, né? A nossa família, não a família que eu digo dentro de casa, família é fora também, sabe?”, explicou Jacqueline. Para Thamiris, a presença das duas também permite que ela tenha momentos em que não precisa assumir sozinha todas as responsabilidades de mãe. Como as amigas conhecem a rotina de Henri e sabem como lidar com ele, ela consegue confiar os cuidados a elas. Amigas fazem homenagem a filho de uma delas por meio de tatuagem Arquivo pessoal Tatuagem como oportunidade A homenagem também se tornou uma maneira de iniciar conversas sobre o autismo. Quando as pessoas perguntam o significado do desenho, as amigas aproveitam para explicar a relação com Henri e falar sobre a importância da empatia e do acolhimento. “Eu então entendi que é uma oportunidade que eu tenho de falar tanto para quem não vive quanto para quem vive. Tipo assim, você vive, você está sendo vista, eu te entendo. Ontem a mulher falou comigo: ‘Ai, Jacque, porque é difícil’, falei: ‘É difícil, mas você vai conseguir e tal’. Então, é, eu poder falar para a pessoa: ‘Seja acolhedora, não é fácil para quem tem’”, contou Jacqueline. Ela explica que a curiosidade despertada pela tatuagem pode ajudar a criar espaço para que famílias compartilhem experiências e encontrem pessoas dispostas a compreender suas dificuldades. “É uma oportunidade que a gente tem, que a própria pessoa quando ela pergunta: ‘O que que significa?’ É uma oportunidade que você tem de falar sobre o assunto, de pedir um pouquinho de empatia para a pessoa. Sabe?”, afirmou, ainda. Jacqueline também chama a atenção para as dificuldades enfrentadas por famílias que convivem com o autismo e para a importância de não julgar comportamentos que nem sempre são compreendidos por quem está de fora. “Tem pessoa que não entende o que é autismo. A pessoa não sabe. ‘Ai, é só porque se joga no chão? É só porque não come? Ai, não come isso, não come aquilo’. Não é isso, é muito mais que isso, sabe? Então você poder falar para a pessoa: ‘Olha, quando você vê um autista, você pode agir dessa maneira. Se você vê isso, seja mais amoroso, entenda um pouco o pai e a mãe também’”, completou Jacqueline. Para ela, acolher é diferente de apenas observar ou cuidar. É preciso compreender as necessidades da criança e respeitar suas particularidades. “Quando a gente encontra uma criança que precisa ser acolhida, não é cuidada, é acolhida. Porque cuidar é você deixar aquele lá e ficar olhando. Agora o acolhimento é totalmente diferente. Você tem que entender a necessidade dele. A gente precisa passar isso para as pessoas, para as pessoas terem um pouquinho mais de amor com o próximo”, afirmou. Uma amizade para a vida Ao falar sobre o que a relação representa, as amigas destacam que uma amizade verdadeira não depende de estar junto o tempo todo, mas de saber que existe apoio nos momentos difíceis. Ao longo dos anos, elas compartilharam conquistas, perdas, recomeços e diferenças de opinião, sem deixar que isso apagasse o vínculo. “Eu acho que a amizade não é só você receber, mas também você dar também o seu tempo, seu companheirismo, seu afeto para o outro”, disse Thauane. A mensagem final é de que vale a pena investir nas relações e oferecer presença, confiança e companheirismo. Para as três, Henri passou a fazer parte dessa história de um jeito que transformou a rotina e ampliou ainda mais o amor que compartilham. Amigas fazem homenagem a filho de uma delas por meio de tatuagem Arquivo pessoal Eternizando histórias Para quem eterniza a homenagem, a atitude também é admirada. “Eu me sinto realmente lisonjeado [...] e sempre honrado em fazer. É um trabalho muito legal e divertido a construção e criação de cada arte para cada cliente que me procura nesses 13 anos”, afirma Frasca. Em mais de dez anos de atuação no ramo da tatuagem, o profissional conta que cerca de 90% das pessoas que o procuram querem fazer homenagens, seja à fé, a pessoas que já se foram ou não, seja a animais de estimação. “Toda tatuagem tem uma história, né? E a delas é muito interessante porque uma amiga fortaleceu a outra, e fizeram um vínculo de amizade respeitando e homenageando o filho de uma”, destaca. Initial plugin text Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/11/02/amigas-eternizam-amizade-e-amor-pelo-filho-de-uma-delas-em-tatuagem-sobre-inclusao.ghtml


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