Amazonas tem 38 escolas acima da média nacional no Ideb, mas tem o pior desempenho no ensino médio do país
12/08/2026
(Foto: Reprodução) Alunos em sala de aula na rede de ensino do Amazonas
Euzivaldo Queiroz/Seduc
Apesar do Amazonas registrar a pior média entre os estados brasileiros, 38 escolas da rede estadual de ensino registraram notas acima da média nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Em 2025, o Amazonas alcançou 3,8 pontos na avaliação do Ensino Médio no Ideb e empatou com Roraima na última posição do ranking, enquanto a média nacional ficou em 4,5.
Os dados do Ideb e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), referentes ao ano passado, foram divulgados no início de agosto pelo Ministério da Educação (MEC). O índice combina o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, medido pelo Saeb, com as taxas de aprovação escolar.
Entre as escolas com as maiores notas no Amazonas, duas alcançaram 6,0 pontos: a Escola Estadual Professora Jacimar da Silva Gama e a EETI Marcantonio Vilaça II, ambas em Manaus. O Instituto Federal do Amazonas (IFAM) – Campus Avançado Manacapuru registrou 5,7 pontos, seguido pela Escola Estadual Maria Amélia do Espírito Santo, com 5,5.
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Na sequência, aparecem escolas com 5,3 pontos. A Escola Estadual Lucas Pena, em Boca do Acre; a Escola Estadual Marcantonio Vilaça e a Escola Estadual Áurea Pinheiro Braga, em Manaus; e o Colégio Nossa Senhora do Carmo, em Parintins, estão entre as unidades que superaram a média nacional.
Amazonas tem o IDEB abaixo da média nacional
O levantamento também mostra escolas com notas abaixo de 2,0 pontos no estado. As quatro menores notas da relação são do Centro de Educação Indígena Boca do Acre, com 2,2; Centro de Educação Indígena de Eirunepé, com 2,0; Centro de Educação Indígena Uarini, com 1,9; e Escola Estadual Sagrada Família, em São Gabriel da Cachoeira, com 0,8.
Os resultados do Saeb, divulgados pelo MEC no mesmo dia, também apontam dificuldades dos estudantes do Amazonas para compreender textos mais complexos e resolver problemas de matemática que envolvem porcentagem, funções e proporcionalidade.
O Saeb é aplicado a cada dois anos para avaliar o desempenho dos estudantes da educação básica. Os resultados da avaliação são usados no cálculo do Ideb junto com as taxas de aprovação das escolas.
O g1 procurou o Governo do Amazonas e a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc-AM) para saber o posicionamento sobre os resultados do Saeb e as dificuldades apontadas na aprendizagem dos estudantes, mas até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno.
Estudantes do AM têm dificuldade para compreender textos complexos e resolver problemas de matemática, aponta avaliação do MEC
Situação da educação no Amazonas
Os dados do Ideb revelam que os avanços ainda não foram suficientes para o Amazonas superar a média nacional nos três principais indicadores: anos iniciais do Ensino Fundamental; anos finais do Ensino Fundamental; e Ensino Médio.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, que corresponde aos estudantes do 1º ao 5º ano, o Amazonas atingiu 6 pontos, enquanto a média nacional foi de 6,3 pontos. O resultado colocou o estado na 17ª colocação, empatado com Pernambuco.
Já nos anos finais do Ensino Fundamental, que avalia estudantes do 6º ao 9º ano, o desempenho do estado foi de 4,9 pontos. Neste quesito, a média nacional foi de 5,3. Com a pontuação, o Amazonas fica atrás de 15 estados da federação, empatado com Acre, Paraíba e Tocantins.
O ponto mais crítico para o Amazonas ficou a cargo da avaliação do Ensino Médio. O estado aparece em último lugar, empatado com Roraima, com 3,8 pontos. A média nacional foi de 4,5 pontos.
O pior índice registrado entre os estados do Brasil acontece em um contexto de investigação sobre a situação na educação do Amazonas. Em junho deste ano, a Rede Amazônica revelou que uma inspeção do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) encontrou um conjunto de irregularidades que resultaram em um rombo R$ 1,117 bilhão aos cofres públicos.
O valor reúne divergências encontradas em contratos, pagamentos, ausência de toneladas de alimentos em estoque da merenda escolar, transporte escolar e outros serviços da pasta, durante a gestão do então governador Wilson Lima (União Brasil).
A informação consta em relatório da Diretoria de Controle Externo da Administração Direta Estadual (Dicad), assinado em 12 de junho de 2026. O documento é resultado de uma fiscalização feita pelo TCE após o Amazonas registrar o pior desempenho entre os 27 estados brasileiros na média das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
No transporte escolar, o relatório cita fiscalização realizada no município de Manacapuru, onde foram identificados veículos com tempo de uso acima do previsto nos contratos e diferenças entre a capacidade dos ônibus e a quantidade de alunos transportados.