Alerj aprova projeto sobre banheiros neutros no RJ; oposição questiona constitucionalidade
26/05/2026
(Foto: Reprodução) Placa de banheiro de gênero neutro em Nova York
Mike Segar/Reuters
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou nesta terça-feira (26), em segunda discussão, o projeto de lei que regulamenta a criação de banheiros e vestiários neutros em espaços coletivos públicos e privados no estado.
A proposta, de autoria da deputada Índia Armelau (PL), recebeu 29 votos favoráveis, 13 contrários e uma abstenção. O projeto segue agora para análise do governador Ricardo Couto, que poderá sancionar ou vetar a proposta.
O texto prevê a criação de espaços destinados ao uso de pessoas trans não redesignadas — que não passaram por cirurgia de transgenitalização — e pessoas não binárias. Segundo a autora, a medida busca garantir segurança e privacidade para esse público, além de proteger mulheres em banheiros convencionais.
“Queremos defender as mulheres. Um dos objetivos é protegê-las contra violadores que pretendam utilizar banheiros e vestiários femininos alegando gênero diverso do biológico com o intuito de praticar crimes”, afirmou Índia Armelau durante a tramitação do projeto.
Pela proposta, os banheiros neutros deverão atender critérios de acessibilidade para pessoas com deficiência (PCDs) ou mobilidade reduzida e contar com fraldário, vaso sanitário infantil e lavatório adequado.
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O texto também estabelece restrições de acesso: pessoas cisgênero não poderão utilizar os espaços, e crianças menores de 12 anos só poderão entrar acompanhadas pelos responsáveis.
Durante a votação, os deputados aprovaram 35 emendas. Entre elas, uma proposta do deputado Rosenverg Reis (MDB) excluiu igrejas e templos religiosos da obrigatoriedade de adaptação. Outra emenda, apresentada pelos deputados Bruno Dauaire (União) e Anderson Moraes (PL), autoriza o governo estadual a criar uma linha de crédito pela AgeRio para ajudar micro, pequenas e médias empresas nas adequações.
Oposição critica projeto e fala em 'segregação'
A aprovação provocou reação de parlamentares da oposição. A deputada Dani Balbi (PCdoB) enviou um ofício ao governador pedindo o veto integral do projeto.
Segundo Dani Balbi, o texto é “claramente inconstitucional” e pode institucionalizar a segregação de pessoas trans nos espaços públicos. A parlamentar afirma que a proposta afronta princípios constitucionais como dignidade da pessoa humana, igualdade, privacidade e direito à identidade de gênero.
“A possibilidade de transformar banheiros e vestiários em instrumentos de segregação é cruel, inconstitucional e incompatível com a realidade”, declarou a deputada.
Dani Balbi apresentou uma emenda para impedir que estabelecimentos proibissem pessoas trans e não binárias de utilizar banheiros de acordo com sua identidade de gênero. A proposta, porém, não foi incorporada ao texto final.
A deputada afirmou ainda que pretende recorrer à Justiça caso a lei seja sancionada. Ela citou ações judiciais movidas contra legislações semelhantes em municípios fluminenses, como Petrópolis e Campos dos Goytacazes.
Em Petrópolis, uma norma municipal que restringia o uso de banheiros conforme o “sexo biológico” teve os efeitos suspensos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro após ação apresentada pela parlamentar em conjunto com lideranças locais.
Para a oposição, projetos desse tipo podem aumentar situações de constrangimento, violência e discriminação contra pessoas trans, além de contrariarem entendimentos já consolidados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre identidade de gênero e combate à discriminação.