Além do doce: Como a devoção a São Cosme e Damião une uma comunidade de Divinópolis

  • 27/09/2026
(Foto: Reprodução)
A construção coletiva de afeto e ancestralidade Naiara Ribeiro/ Arquivo Pessoal Celebrado pelas religiões de matrizes africanas neste domingo (27), o dia de São Cosme e Damião é, em Divinópolis, uma data que vai muito além das festas. É um marco de resistência, fé e, acima de tudo, um profundo compromisso social. Em uma sociedade onde as diferenças podem afastar as pessoas, festas assim funcionam como pontes, oferecendo não apenas doces, mas dignidade e um dia de infância plena para crianças em situação de vulnerabilidade social. O ato de compartilhar guloseimas, que atravessa gerações, ganha um contorno especial nas celebrações que conhecemos agora, revelando como a tradição pode ser uma ferramenta poderosa de transformação e acolhimento comunitário. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp 17 anos de solidariedade, fé e tradição 17 anos de solidariedade, fé e tradição Célio Lopes/ Arquivo Pessoal A Festa de São Cosme e Damião da Roça Mãe Dandá completa 17 anos de existência, marcando a história e renovando um compromisso de partilha que transforma a vida de centenas de famílias. O evento, que surgiu a partir de uma promessa pessoal do sacerdote Célio Lúcio Lopes, o Tat’etu Simbewamazi, se tornou um ponto de encontro vital para a comunidade, reunindo cerca de 400 pessoas em confraternização e alegria voltado especialmente para os pequenos. O diferencial da celebração reside na visão estratégica e afetuosa de inclusão. Tat’etu Simbewamazi, conhecedor das realidades do bairro Alto São Vicente, onde nasceu e foi criado, compreende que a vulnerabilidade muitas vezes se traduz em isolamento. A festa não espera apenas que as famílias cheguem, ela faz questão de buscar. O ônibus disponibilizado pela Roça Mãe Dandá para transportar os moradores do bairro até a sede é um símbolo tangível de que a tradição deve ser acessível a todos, independente da distância ou das dificuldades financeiras. 17 anos de solidariedade, fé e tradição Célio Lopes/ Arquivo Pessoal Para a Roça Mãe Dandá, celebrar São Cosme e Damião é um exercício diário de memória e pertencimento. Ao longo de quase duas décadas, a casa não apenas distribui doces e alimentos, mas reconstrói a autoestima de uma comunidade que se vê valorizada e esperada. É um espaço onde crianças esquecem, por algumas horas, as privações cotidianas para se tornarem protagonistas de uma festa feita especialmente para elas. A persistência da tradição é a prova de que, quando um indivíduo honra um voto de fé com o coletivo, ele não está apenas mantendo um rito, mas construindo um legado de proteção e cuidado que sustenta as gerações futuras. LEIA TAMBÉM: Cozinheira resgata sabores da infância e leva receitas para a internet Veja o resumo de notícias da semana Conheça os sonhos de quem mora na cidade menos populosa do Brasil A construção coletiva de afeto e ancestralidade A construção coletiva de afeto e ancestralidade Naiara Ribeiro/ Arquivo Pessoal Em 2026, será a quarta edição da festa liderada por Naiara Ribeiro, de 30 anos, mas a experiência dela com a tradição é profunda, remontando mais de duas décadas de vivência na Umbanda. Para Naiara, a festa não é um evento isolado, mas uma continuação de sua própria caminhada religiosa e de seu aprendizado na Roça Mãe Dandá. É, acima de tudo, um exercício de amor ao próximo que começa muito antes da data oficial, em um planejamento minucioso que envolve toda a comunidade do terreiro. A beleza desta celebração está na sua forma orgânica e compartilhada. Não há uma estrutura hierárquica rígida ou um financiador único. A festa é construída a partir da colaboração de cada um, seja doando um quilo de alimento, contribuindo com valores para as compras ou dedicando tempo para a limpeza e decoração do terreiro. A parceria com a comunidade ganha um aliado especial na Casa da Fé, cuja colaboração na doação das sacolinhas de surpresa é um dos pontos altos do evento. Pequenos gestos, como sacolinhas decoradas com carinho, alimentos preparados com dedicação, um ambiente limpo e acolhedor são, para as crianças da comunidade, sinais de que elas são vistas, amadas e importantes. A construção coletiva de afeto e ancestralidade Naiara Ribeiro/ Arquivio Pessoal Abrir as portas ao público é um ato político e espiritual de compartilhamento de fé. Em um contexto onde muitas crianças vivem em vulnerabilidade, proporcionar um momento de brincadeiras, comida e, sobretudo, respeito, é um passo crucial para o fortalecimento da identidade desses jovens. O trabalho de Naiara e da comunidade é um lembrete poderoso de que a tradição é um organismo vivo, que se renova através do cuidado. Ao final do dia, quando as sacolinhas são entregues e os sorrisos se multiplicam, o que se vê não é apenas uma festa religiosa, mas um refúgio de acolhimento, união e esperança para todos os que ali chegam. * Estagiária sob supervisão de Guilherme Gonçalves. VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2026/09/27/alem-do-doce-como-a-devocao-a-sao-cosme-e-damiao-une-uma-comunidade-de-divinopolis.ghtml


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