'Água que não acaba mais', dizem moradores que ficaram isolados após enchente em MS
03/02/2026
(Foto: Reprodução) Rio Taboco invadiu casa de moradores da região.
Francisco Gomes
As chuvas intensas dos últimos dias mudaram a rotina de quem vive em Corguinho, a 96 km de Campo Grande. Em 72 horas, o município registrou mais de 240 milímetros de chuva, volume 40% acima do esperado para todo o mês de fevereiro.
Somente nesta terça-feira (3), foram registrados 92 milímetros de precipitação, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
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No balneário da cidade, onde o córrego Corguinho encontra o rio Aquidauana, o vigilante Gilmar Alves Gomes, morador há mais de 50 anos, se impressionou com a força da correnteza. Ele lembra da última enchente forte, em 2013.
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“Assusta porque é muita água, milímetros de água que não acaba mais”, disse.
O deck usado por turistas ficou coberto pela água. A faixa de areia desapareceu e até a escada de acesso foi tomada pelo rio.
Famílias isoladas na zona rural
Na região de Indaiá, a enxurrada levou parte da cabeceira de uma ponte, interditada pela Defesa Civil. Pelo menos 20 famílias ficaram isoladas, já que a estrutura era o único acesso.
O coordenador da Defesa Civil, José Correia Salgado, explicou que a situação preocupa.
“Nós somos um município produtor. O transporte de leite e alimentos depende dessas estradas vicinais. Isso prejudica o escoamento da produção e também as linhas escolares, já que as aulas começam no dia 9”, afirmou.
No distrito de Taboquinho, a 45 km de Corguinho, o construtor Carlos Roberto Ferreira contou que o quintal da casa ficou alagado pelo rio que leva o nome do distrito.
“Deu mais ou menos 1,5 metro de altura. Em 34 anos eu nunca tinha visto isso aqui”, relatou.
Apesar do susto, Carlos vê a chuva como necessária.
“Dos anos 80 pra cá os córregos foram secando. Agora precisa chover, é renovação. Ainda que enche tudo, não tem problema, porque depois a água baixa. Eu fico feliz com a chuva”, disse.
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