Advogado com nanismo desclassificado em concurso comemora anulação de teste físico: 'Luta não foi em vão'

  • 18/03/2026
(Foto: Reprodução)
Advogado com nanismo diz que foi discriminado em teste de aptidão física O advogado com nanismo, Matheus Menezes, de 25 anos, comemorou a anulação do Teste de Aptidão Física (TAF) que o desclassificou de um concurso público para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). A decisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). "Minha luta não foi em vão, mas ainda não acabou", publicou Matheus nas redes sociais. O caso ganhou ampla repercussão após o candidato denunciar ter sofrido discriminação. Antes da prova, Matheus havia pedido adaptação no TAF e apresentou laudos médicos à Fundação Getulio Vargas (FGV), que organizou o concurso, mas não foi atendido. Ao g1, a PCMG informou que cumprirá integralmente a ordem judicial quando for devidamente notificada acerca da decisão. A reportagem entrou em contato com a FGV, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A decisão foi emitada na terça-feira (17) e divulgada nas redes sociais pela defesa do jovem, representada pelo advogado Flávio Britto, especialista em concursos públicos. De acordo com Moraes, a banca descumpriu o entendimento firmado pelo STF na ADI 6.476, que estabeleceu a obrigatoriedade de adaptações razoáveis em provas físicas de concursos para candidatos com deficiência. Confira abaixo a determinação do STF: Cassar o ato administrativo que eliminou o candidato; Determinar que o pedido de adaptação do teste de salto horizontal seja reanalisado conforme o entendimento da ADI 6.476; Assegurar que o candidato se submeta novamente ao TAF, desta vez com as devidas adaptações necessárias à sua condição. Advogado Matheus Menezes Reprodução/Instagram de Matheus Menezes Entenda o caso Matheus Menezes foi eliminado em prova de salto durante Teste de Aptidão Física (TAF) Reprodução/Instagram de Matheus Menezes Segundo o advogado, ele já havia passado pelas provas objetiva, discursiva e oral, além dos exames biomédicos. O problema ocorreu na fase de exames biofísicos, que avaliam a aptidão física dos candidatos. "Eu decidi fazer essa denúncia para dar voz aos nossos direitos, que foram desrespeitados. Não foi só comigo, foram vários candidatos PCD. Nós solicitamos adaptação do teste físico à banca, apresentamos laudo médico, mas a banca simplesmente ignorou”, afirmou Matheus em entrevista ao g1. Matheus não pretende desistir. "A Constituição e a lei garantem adaptação para pessoas com deficiência. Mesmo assim, fomos submetidos ao mesmo teste físico, o que levou à nossa eliminação de forma injusta”, disse. "Ser delegado é o maior sonho da minha vida. Não vai ser o meu tamanho que vai impedir isso. Quero essa carreira porque sempre tive vontade de trabalhar na área, investigando e combatendo o crime”, relatou o candidato. O Instituto Nacional de Nanismo realizou uma manifestação pública criticando a eliminação do candidato. Para o instituto, a aplicação de critérios físicos sem avaliação individualizada pode configurar discriminação contra pessoas com deficiência.

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/03/18/advogado-com-nanismo-desclassificado-em-concurso-comemora-anulacao-de-teste-fisico-luta-nao-foi-em-vao.ghtml


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