Acusado de matar jovem em motel deve ser ouvido em audiência no AC: 'Não merecia o que aconteceu', diz mãe
21/07/2026
(Foto: Reprodução) Werner Lima Andrade responde por homicídio pela morte de Rayza Emanuelle e será ouvido em audiência de instrução marcada para 14 de setembro
Reprodução
Quase um ano após a morte de Rayza Emanuelle Oliveira Souza, de 26 anos, encontrada com sangramento na boca e travesseiro na cabeça em um quarto de motel em Rio Branco, a Justiça marcou para 14 de setembro a primeira audiência de instrução do processo que tem como réu Werner Lima Andrade, de 34 anos, denunciado pelo Ministério Público (MP-AC) por homicídio.
O g1 tentou contato com a defesa do acusado e, até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno.
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Segundo a denúncia, ele deixou de prestar socorro à jovem quando ela passou mal dentro do quarto do motel, trancou a porta ao sair e levou a chave consigo, o que, para o órgão, dificultou que Rayza recebesse atendimento a tempo. Werner responde ao processo em liberdade.
👉Contexto: Rayza Emanuelle Oliveira Souza foi encontrada desacordada na noite de 18 de setembro de 2025 em um quarto de motel, em Rio Branco. Funcionários acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a jovem já estava morta. Na época, a Polícia Civil iniciou as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte. Seis meses depois, o inquérito foi concluído e Werner Lima Andrade foi indiciado por homicídio.
O g1 conversou com parente de jovem encontrada morta em motel na capital acreana
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Na audiência, serão ouvidas testemunhas e o réu. Além disso, o MP também pede que, em caso de condenação, Werner pague uma indenização mínima equivalente a 10 salários mínimos à família de Rayza.
A mãe da jovem, que não quis ser identificada, disse que espera que a audiência represente o início da responsabilização do acusado.
"Eu só quero que a Justiça seja feita. Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém. Estou de pé porque Deus quer. Não é fácil perder uma filha, ainda mais da forma que ela foi morta'', contou.
Depoimento
Em depoimento à Polícia Civil na época, Werner afirmou que encontrou Rayza nas proximidades do Motel Joia e que pagou pelo programa. Segundo ele, os dois consumiram drogas dentro do quarto e, depois de algum tempo, a jovem começou a passar mal.
O investigado disse que tentou acordá-la, colocou uma toalha molhada em seu rosto e um travesseiro sob a cabeça, acreditando que ela estivesse apenas desacordada. Ele também afirmou que saiu do motel porque teria ficado assustado e negou ter intenção de causar a morte da jovem.
Questionado sobre o celular de Rayza, Werner declarou que não se lembrava de ter levado o aparelho e disse que deixou o motel sem avisar funcionários de que ela estava passando mal.
Mãe discorda da versão
Para a mãe no entanto, a versão apresentada por Werner à polícia é incompatível com as circunstâncias do caso. "Ele diz que ela passou mal, mas eu não acredito. Se ela estava passando mal, por que não chamou ajuda? Por que trancou a porta e foi embora?", questionou.
Ela também diz acreditar que o aparelho poderia esclarecer o que aconteceu na noite em que Rayza morreu .
"Tenho certeza que ele deu fim nesse celular porque tinha provas. Eu conheço a minha filha, eles se conheciam, ela não iria pro motel assim do nada com ele'', disse.
Rayza Emanuelle Oliveira Souza, de 26 anos, foi encontrada morta em motel em Rio Branco em setembro de 2025
Arquivo pessoal
Laudo
Inicialmente, a certidão de óbito emitida pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte era inconclusiva, o que levou a família a contestar o resultado e defender que Rayza havia sido assassinada.
Posteriormente, o laudo cadavérico concluiu que Rayza morreu após sofrer um edema agudo de pulmão, que provocou insuficiência respiratória aguda. Apesar disso, os peritos informaram que não foi possível identificar o que desencadeou esse quadro. Ou seja, o exame apontou a causa da morte, mas não sua origem.
O IML informou ainda que os exames feitos para identificar álcool e as substâncias tóxicas pesquisadas tiveram resultado negativo, contrariando a versão apresentada por Werner de que os dois teriam consumido drogas antes de a jovem passar mal.
Durante a necropsia, os peritos também não encontraram lesões internas ou fraturas que indicassem luta corporal ou traumatismo. O exame registrou apenas uma escoriação superficial no rosto, compatível com o contato do brinco, além de sinais típicos de edema pulmonar, como espuma branca na boca e nas narinas.
'Ela não merecia o que aconteceu'
Rayza tinha diagnóstico de transtorno bipolar e fazia tratamento. Segundo a mãe, a filha enfrentava dificuldades relacionadas à saúde mental, mas isso nunca deveria diminuir a importância da investigação. Ela também afirma que a filha não vivia em situação de abandono financeiro.
"Ela tinha os problemas dela, mas era um ser humano. Ela não merecia o que aconteceu. Quando estava bem, ela trabalhava e cuidava dos filhos, tudo direitinho, nunca deixou faltar nada'', lamentou.
Rayza Emanuelle Oliveira Souza, de 26 anos, foi encontrada morta em motel em Rio Branco em setembro de 2025
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A mulher afirmou que ainda enfrenta as consequências da perda da filha e que, além do luto, passou a criar os dois filhos deixados por Rayza.
"O mais velho entende tudo e sofre muito. Eu adquiri ansiedade e pressão alta depois da morte dela, coisa que eu não tinha. Dez salários mínimos não vão curar minha saúde mental'', disse.
Segundo ela, a dor também é diária por causa da ausência da filha.
"A metade do meu coração foi enterrada com ela. Hoje eu vivo pelos meus netos e pelos meus outros filhos. Só quero que a Justiça seja feita e que ele pague pelo que fez'', completou.
VÍDEOS: g1