Acidentes com motos crescem e pressionam hospitais e serviços de emergência no Brasil
12/10/2026
(Foto: Reprodução) Os acidentes de motos no Brasil já são tratados por especialistas como uma epidemia
Os acidentes de motos no Brasil já são tratados por especialistas como uma epidemia. Em seis anos, o número de internações cresceu 65%.
Já passa de 43 mil o número de ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro só este ano. Mais de 150 por dia.
A equipe do Jornal Nacional da TV Globo acompanhou uma dessas ocorrências.
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“Hoje as motos representam 75% de todos os acidentes de trânsito que a gente atende”, contou o tenente-coronel Fábio Contreiras. “A gente entende que para a gente é uma epidemia.”
Jefferson Almeida estava a caminho do trabalho. "Foi muito rápido. Eu só consegui tentar frear e a moto capotou e ele foi embora". Ele passou por uma cirurgia no tornozelo.
Em cinco anos, o número de emplacamentos de carros aumentou 11% no país. Já as motos dispararam: 27%. Os serviços de entrega e transporte por aplicativo ajudam a explicar esse crescimento e viraram fonte de renda para muita gente.
O repórter Chico Regueira, no Rio de Janeiro, destaca que a frota brasileira hoje passa de 30 milhões de motocicletas (30.965.839). E o impacto desse cenário nas ruas reflete-se diretamente em hospitais e setores de emergência.
O número de internações por acidentes não para de crescer. No Rio, por exemplo, 7 em cada 10 atendimentos por traumas são motivados por motos, gerando impactos diretos no custo da saúde pública em todo o país.
Em seis anos, as internações por acidentes com motos no Brasil saltaram de 107 mil para quase 178 mil em 2025. No mesmo período, o gasto público subiu de quase R$ 155 milhões para mais de R$ 281 milhões, um aumento de mais de 80%. E só nos cinco primeiros meses deste ano, já foram mais de 72 mil internações, com custo acumulado de quase R$ 120 milhões.
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O crescimento do número de vítimas virou também um problema de segurança pública e chegou ao Atlas da Violência, um dos principais levantamentos do país sobre o tema.
Nos últimos três anos, 19.491 brasileiros morreram em acidentes com motos.
Em 2023, foram 5.857 óbitos;
em 2024, 6.946; e
em 2025, foram 6.688.
Erivelton Pires Guedes, pesquisador do IPEA, faz um alerta sobre os dados: “O número de mortos no trânsito no Brasil hoje já é quase o mesmo número de mortos por homicídio. E dentro dos mortos no trânsito, as motocicletas no Brasil como um todo representam cerca de 40% das mortes”.
E a velocidade da vida, que acelera ainda mais o trânsito, é parte dos problemas nas ruas. Diminuir o ritmo pode ser parte da solução.
“Então é fundamental que a gente baixe a velocidade das cidades e que a gente implemente mecanismos de regulação dos sistemas de mobilidade por aplicativo”, analisa Clarisse Cunha Linke, diretora do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento.
Além disso, Erivelton Guedes, pesquisador do Ipea, aponta ainda outro problema: “a Senatran estima que cerca de metade dos proprietários de motos não possuem habilitação”.
“Está faltando medidas preventivas para a gente combater esse problema que tá se agravando dia a dia. E as medidas, elas são de várias formas, né? Infraestrutura, fiscalização, educação, acesso a emprego, acesso à educação".
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