2 mil metros quadrados e 105 residências atingidas: sobreviventes de explosão em SP relatam drama

  • 17/05/2026
Fantástico entrevista com exclusividade morador que foi arremessado da janela durante explosão em São Paulo Uma megaexplosão provocada por vazamento de gás deixou duas pessoas mortas e três feridas na Rua Piraúba, no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 16h de um sábado, durante uma obra que atingiu a tubulação de gás, e afetou pelo menos 105 residências em um raio de destruição de cerca de 2 mil metros quadrados. A onda de choque destruiu casas e quebrou janelas de prédios em todo o quarteirão. Imagens gravadas minutos antes do acidente mostram funcionários terceirizados da Sabesp mexendo nas tubulações de água e esgoto na via. O vigilante Alex Sandro Nunes morreu na hora. A segunda vítima, Francisco Albino, de 62 anos, estava descansando em casa no momento da explosão e morreu na quinta-feira seguinte. Entre os feridos está o pedreiro Osmar Braz, que foi arremessado pela janela do imóvel com o impacto. "O momento mais difícil foi ter sido arremessado, né? Pela janela. Quando eu estava voando já... sabe quando você fecha o olho assim? Morri! Só eu sei o que eu passei", diz Osmar. Ele relata o momento do acidente e o cenário logo após a queda na rua. "Foi muito alto, muito alto mesmo. Muito, muito alto mesmo. Fez: booom! Aí, ficou tudo em silêncio. Fui jogado de costas. Eu senti alguém, sabe, me puxando dos pés, me jogando pra fora. Aí quando eu desci, eu tava voando. Aí eu vi o fio, tentei me segurar no fio, não consegui me segurar no fio. E quando eu caí no chão, que eu olhei assim, que eu vi aquele pó, vidro caindo, parede caindo. Eu lembro que passou uma pessoa por mim. Bateu assim e: 'vai, vamos embora, vamos, corre, corre.' Quando eu tentei me levantar, eu caí de novo. Porque eu não conseguia sentir as pernas", afirma o pedreiro, que fraturou duas vértebras e está abrigado na casa da filha após receber alta hospitalar. Moradores da região relatam que o forte odor de gás era perceptível antes do estrondo. "Tava um cheiro muito forte de gás", diz Michael. Outro morador, Carlos, compara a intensidade: "Era como se você tivesse ligado a boca do fogão". Fernanda, namorada de Carlos, ressalta que houve tempo hábil para uma resposta: "Tem um intervalo muito grande entre o momento que se sente o cheiro do gás ali e o momento em que acontece a fatalidade". Carlos também foi atingido pela explosão e ficou soterrado pelos escombros da casa onde morava por cerca de 40 minutos, até ser socorrido por vizinhos e bombeiros. "Só vi a casa caindo. Tava eu e ele em casa e a casa caiu em cima da gente. Fiquei em cima dos escombros pedindo ajuda. E aí, os vizinhos me socorreram e dois bombeiros que tão por aqui. Foi desesperador, porque era um cenário de guerra, né? E eu não tinha saída, porque na minha frente a casa pegou fogo e todo o restante era só escombro", diz Carlos. Ele e Fernanda haviam investido cinco anos em uma reforma no imóvel. A rua do acidente foi interditada pela Defesa Civil, que realiza análises técnicas para definir quais residências serão liberadas e quais estão condenadas para demolição. Peritos do Instituto de Criminalística utilizam drones e tecnologia de scanner 3D para mapear a área e identificar a origem e a dinâmica do vazamento. Análises preliminares de vídeos gravados antes da explosão mostram bolhas em poças de lama na via. "Ali é o gás saindo do subsolo e indo para a superfície. Por ser mais leve que o ar, ele também tende a subir, a achar algum caminho dentro do solo e sobe até a atmosfera", diz um professor universitário em análise laboratorial. Segundo o especialista, o padrão de destruição indica que o gás se concentrou na área externa antes de entrar em combustão. "Provavelmente, foi uma grande quantidade de gás que entrou em combustão instantânea numa região externa. Se fosse o vazamento dentro de uma residência, a quantidade de gás seria pequena. Além disso, as paredes e o telhado iriam confinar a onda da explosão e o que nós vimos são andares inteiros do edifício com as janelas quebradas. De maneira que havia uma nuvem com uma inflamabilidade considerável na região", afirma. O governo do estado ofereceu um auxílio emergencial de R$ 5 mil para as famílias afetadas. Como opções de habitação definitiva, o estado propôs a mudança para um conjunto habitacional, a reconstrução no próprio local ou o recebimento de uma carta de crédito para a compra de outro imóvel. Os moradores relatam dificuldades diante do prazo para a tomada de decisão. "A gente fica meio desesperado porque não posso bater o martelo pra decidir como que vai ser o resto da minha vida em dois minutos", diz Carlos. Contradições sobre evacuação O pedreiro Osmar relata ter alertado um dos operários da obra da Sabesp sobre a situação antes da explosão. "Tinha um rapaz de azul, acho que ele trabalhava lá. Aí eu falei: 'ô moço, que cheiro forte é esse?' Aí, ele: 'é gás. Não acende fósforo, não acende nada elétrico, essas coisas, tá?'", diz. A Sabesp declarou que os operários seguiam o planejamento técnico ao perfurar o solo e que, ao perceberem a fuga de gás, agiram de imediato. "O trabalho era feito conforme o previsto e o planejado. Então, perfurando o solo, acompanhando com sonda, tudo dentro do previsto. Quando foi percebido um vazamento de gás", afirma a concessionária. A empresa diz que os operários "acionaram o protocolo de segurança e pediram a evacuação da população". Osmar contesta a versão da empresa sobre o aviso de evacuação. "Não. Ele não pediu pra mim sair de casa", afirma o sobrevivente. "Acho que devia ter recolhido todo mundo, tirado de perto. Eu acho que se tivesse cuidado, não tinha morrido meu amigo. Quer dizer, dois amigos, né?", acrescenta o pedreiro Em nota, a Sabesp declarou que "precisa averiguar as imagens para entender de fato o que aconteceu após. E por isso que as autoridades competentes estão atuando nesse sentido". A Comgás também foi procurada e se manifestou por nota, informando que "acidentes dessa magnitude envolvem múltiplos fatores, para além de um único evento, como o dano ocasionado em um duto de gás". Os desabrigados aguardam as investigações acomodados em casas de parentes ou em quartos de hotel cedidos pelo governo estadual. "A gente descobriu no meio desse desastre que a gente tem bons amigos, a gente tem recebido muito apoio", diz Fernanda. Osmar, que ainda não sabe quando poderá retomar as atividades profissionais por conta das lesões na coluna, reflete sobre a perda do patrimônio. "Pra dormir, é uma dificuldade que eu fecho o olho e vejo aquela imagem. Sabe? Tinha minha casinha, tinha minha vida. Tinha meu lar, não tenho mais. Vou fazer o que agora? Tô vivo, né? Isso é importante. Tô vivo. Quero ficar bom, quero poder trabalhar. Meu medo é não poder fazer mais as coisas, né?", diz o pedreiro. "E nesse momento, o que resta pra gente é ficar nisso. A gente tá aguardando. O nosso receio é ficar para o esquecimento", afirma Carlos. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/05/17/2-mil-metros-quadrados-e-105-residencias-atingidas-sobreviventes-de-explosao-em-sp-relatam-drama.ghtml


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